Resenha: Karmin – Pulses

Lançamento: 25/03/2014
Gênero: Pop, Pop Rock, Dancepop, Hip Hop
Gravadora: Epic Records
Produtores: The Elev3n, Jon Jon, Martin Johnson, Ryan Williamson, Dre Skull, Nathaniel Motte, The Messengers, Sir Nolan, Kyle Sheare e Robert Marvin.

Karmin é um duo americano formado por Amy Heidemann e Nick Noonan, inicialmente conhecido por postar covers no YouTube. Após o sucesso na internet, eles assinaram um contrato com a Epic Records e lançaram o seu primeiro EP, chamado “Hello”. O EP gerou dois singles, “Brokenhearted”, que alcançou o top 20 nos Estados Unidos, e a faixa-título. Em março de 2014, após serem atormentados por muitos atrasos, o duo lançou o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Pulses”. O disco traz 13 canções, onde The Messengers, The Elev3n, Jon Jon e Martin Jonhson ajudaram na produção, e Claude Kelly e Ester Dean em algumas composições. A maioria das faixas individuais têm algo a seu favor, entretanto, como um todo, o álbum possui uma natureza bem artificial. Consequentemente, o registro transmite uma falta de identidade. Suas músicas são divertidas, mas poderiam ter sido feitas por qualquer outra pessoa. Resultado? O “Pulses” é uma coleção de canções genéricas preenchidas com letras banais.

O álbum abre com uma introdução chamada “Geronimo”, que possui apenas 37 segundos de duração. Dá uma sugestão que o disco irá oferecer alguma novidade, entretanto, é apenas uma ilusão. O registro abre oficialmente com a faixa-título, “Pulses”, onde Nick canta no pré-refrão: “Quero fazer o seu coração bater / Adoro quando ele bate por mim”. Enquanto Amy, responde no gancho seguinte: “Quero aumentar sua pulsação”. Uma canção pop e hip hop, que traz Amy deslizando de volta para as suas raízes do rap e Nick oferecendo uma performance, inesperadamente, agradável. “Acapella”, primeiro single, é uma produção de Martin Johnson, vocalista da banda Boys Like Girls. No entanto, não foi uma boa escolha para lead single do álbum. Possui um ritmo agressivo, um vocal irritante de Amy Heidemann e um péssimo falsete da mesma, usado no meio da música. 

“I Want It All”, segundo single do álbum, co-escrito por Ester Dean (que já escreveu para diversos artistas pop), é muito mais empolgante que a faixa anterior. Possui uma produção retrô, versos cativantes e uma inspiração disco que soa agradável. Aqui, a voz de Heidemann está mais suave, enquanto Nick, trouxe alguns “ta ta ta, ta ta ta” que grudam com facilidade na cabeça. “Night Like This” tem ambos contribuindo nos vocais, enquanto sua sonoridade possui uma vibe pop-rock. Os versos começam devagar, mas depois o refrão explode em um ritmo bem despreocupado. A faixa “Neon Love” é, possivelmente, a mais pessoal do disco, pois foi escrita unicamente pela dupla. É uma balada que fala tragicamente sobre o fim de um relacionamento e de como o amor está destinado a morrer. Apesar de exagerada tematicamente, os vocais nessa faixa estão bons e a produção destaca-se pelo uso do teclado e da percussão.

Karmin

Em “Drifter”, produção de Jon Jon, as coisas ficam mais ásperas, com batidas urbanas e um pouco de rap. “Nunca tem nada me segurando / Porque eu sou um vagabundo, sim / E isso é tudo que eu sempre precisarei”, canta Amy antes de um colapso de dubstep, que muda inteiramente a vibração da música. “Tidal Wave” é outro momento mais lento do álbum, onde o duo canta sobre superar os obstáculos de um relacionamento. É uma balada um pouco repetitiva, no entanto, tem belas harmonias e um tom emocional. A sua mensagem de amor e perseverança é relacionável e o refrão, interpretado em conjunto, a tornou ainda mais forte. “Gasoline”, nona faixa, seria uma boa canção para tocar no verão, por conta da sua vibração reggae. Os versos são bem trabalhados, mas é o refrão que realmente faz a canção ficar divertida.

“Puppet” é produção de Nathaniel Motte, com escrita adicional de Sean Foreman, ambos do 3OH!3. Tem uma essência dance dos anos 1990, entretanto, é uma música cansativa e forte candidata para o posto de mais fraca do álbum. Em contrapartida, “Hate to Love You”, produzida por The Elev3n, é um pop divertido e com aspecto de hit, que fica alternando entre os bons versos de Nick e os raps de Amy. Destaca-se pelo bom uso da guitarra e pelo cativante refrão. “Try Me On”, co-escrito e produzido pelo duo canadense The Messengers (um dos membros é Nasri Atweh, vocalista da banda MAGIC!), é uma faixa pop acelerada, com Amy usando o rap e cantando o refrão junto de Nick. Essa ficou um pouco perdida e esquecível, quando comparada com o resto do álbum. “What’s In It for Me” é uma faixa eletrônica que encerra o disco e traz outra batida contagiante de The Elev3n.

A música é praticamente toda construída em torno da questão do repetitivo refrão: “What’s in it for me?”. “Pulses” é um conjunto que traz uma variedade de gêneros musicais e poucas faixas realmente interessantes. O rap de Amy Heidemann, por muitas vezes, não funciona e fica deslocado na estrutura das músicas. Felizmente, o vocal de Nick Noonan, que agora também está cantando, é interessante e aparece para equilibrar as coisas. Grande parte do repertório, apresenta um Karmin no meio de uma crise de identidade. As diferenças criativas com os executivos da gravadora, provavelmente influenciaram na construção de um som confuso. Por isso, não posso culpar inteiramente o duo pela mistura de gêneros e ritmos sem regularidade. Os dois conseguem passar entusiasmo, mas há um grande problema no manuseio correto do material. Logo, o disco tornou-se apenas um material razoável, com alguns momentos divertidos e outros frustantes.

54

Favorite Tracks: “Pulses”, “I Want It All”, “Drifter”, “Hate to Love You” e “What’s In It for Me”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.