Resenha: Kaiser Chiefs – Stay Together

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Pop Rock
Gravadora: Caroline International
Produtores: Kaiser Chiefs e Brian Higgins.

Em seu sexto álbum de estúdio, “Stay Together”, a banda Kaiser Chiefs parece estar tentando posicionar-se como uma versão britânica do Maroon 5. Dessa vez, o grupo formado por Ricky Wilson, Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, explora um som muito mais pop do que de costume. Musicalmente, “Stay Together” é competente e cativante, porém, de uma forma esquecível. Grande parte do álbum depende das habilidades de Ricky Wilson. Entretanto, é um registro mais descartável do que fabuloso, com a voz de Wilson muitas vezes lutando para acompanhar os ritmos pulsantes em torno dele. Se você estava preocupado com o fato da banda ter tomado uma nova direção sonora, poderá ficar bem surpreendido. “Stay Together” não traz exatamente o mesmo Kaiser Chiefs que explodiu na cena musical em 2005 com o disco “Employment”.

Portanto, se você estiver esperando os roqueiros crus e rebeldes que produziram músicas como “I Predict a Riot” e “Ruby”, é provável que fique desapontado com a regressão da banda para algo mais fabricado. Apesar de tudo, essa mudança sonora não parece ser uma grande surpresa, uma vez que o vocalista, Ricky Wilson, vem abraçando o mainstream como juiz do The Voice. “Você não quer apenas ser um dinossauro com guitarras”, ele disse sobre a mudança de direção do Kaiser Chiefs. Produzido por Brian Higgins da Xenomania, equipe de produção responsável por produções de Girls Aloud, Sugababes e Pet Shop Boys, o álbum é dominado por faixas pop com pouca sagacidade ou imaginação. Desde a primeira faixa, “We Stay Together”, está claro que Brian Higgins abalou seriamente o som da banda. “Se está indo, então vamos acenar um adeus”, Wilson canta em “We Stay Together”, oferecendo um adeus ao som indie-rock do Kaiser Chiefs.

Portanto, essa canção é uma homenagem à mudança de estilo do grupo. Mas, apesar disso, está claro que a banda não perdeu sua capacidade de criar canções que ficam presas na sua cabeça o dia todo. Entre sintetizadores e um canto temperamental, a faixa soa como qualquer outra coisa, menos o antigo Kaiser Chiefs. À medida que ela desenvolve-se, os vocais de Wilson têm um tom melancólico que não é familiar. Combinando isso a guitarra de apoio rítmico, atmosfera tropical e sintetizadores, o Kaiser Chiefs descobre um novo som. Desde o início, fica fácil de dizer que “Stay Together” é um álbum bastante diferente de suas obras anteriores. Na segunda faixa e recente single, “Hole in My Soul”, a banda consegue oferecer uma música moderna e admirável. Muita coisa mudou desde que o Kaiser Chiefs escrevia e cantava sobre crimes, violência, sensacionalismo e outros temas polêmicos.

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Mas, felizmente, eles ainda têm um estilo original, mesmo com o desvio de direção sonora. Não dá para negar que “Hole in My Soul” tem uma certa influência do Coldplay. Todo o apoio dos instrumentais tem uma atmosfera que lembra o último álbum deles, “A Head Full of Dreams”. Liricamente, a música possui um refrão bem surpreendente, com o Wilson cantando: “Há um buraco em minha alma / Isso só pode ser preenchido por você novamente”. O primeiro single do álbum, “Parachute”, é surpreendentemente uma verdadeira canção eletropop e dance-pop. Assim que foi divulgada pela primeira vez, muitos pessoas diziam que isso não soava nada com o Kaiser Chiefs. E realmente não soa nada parecido. Não deixa de ser uma canção cativante que vai totalmente ao encontro da música pop. A linha central, “Se nós tivéssemos apenas um pára-quedas / Você sabe que eu daria a você”, é certamente a sua parte mais doce.

“Good Clean Fun” tem maior foco nos instrumentais e introdução, com um efeito quase psicodélico a partir do sintetizador de Nick Baines. É uma canção brincalhona com versos atraentes, e um bom acabamento na guitarra principal de Andrew White. A quinta faixa, “Why Do You Do It to Me?”, um dos momentos mais altos do álbum, é aquele que mais recorda o som indie-rock da banda. Se você quer ter um maior deslumbre do novo som do Kaiser Chiefs, basta escutar a sétima faixa “Press Rewind”. Um número instantaneamente radio-friendly, sobre um loop de ritmos e sintetizadores alegres, e uma voz teatral que declara: “Música pop. Isto é música pop / Nós estamos escrevendo uma gravação de música pop”. Faixas como “Indoor Firework” e “Happen in a Heartbeat” trazem alguns bons momentos na segunda metade do álbum, enquanto a longa balada “Still Waiting” fecha o repertório.

Cada faixa do “Stay Together” sente-se familiar e não é o tipo de álbum que faz você querer ouvir várias vezes seguidas. Ele tem um apelo instantâneo muito incomum, mas não é surpreendente ou relevante. Está longe de ser um desastre total, pois contém muitas músicas radiofônicas eficientes. Mas, por outro lado, eu esperava muito mais de uma banda já estabelecida como o Kaiser Chiefs. Ao fazer uma transição para o mundo synthpop, parece que eles perderam a energia e criatividade do início de sua carreira. É complicado entender o quão a banda mudou desde o disco “Education, Education, Education & War” lançado há dois anos. Naquele disco ainda existia um certo domínio da guitarra e do baixo, ao contrário do “Stay Together”. Em outras palavras, apesar de ser cativante, esse novo registro expõe uma crise de identidade.

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Favorite Tracks: “Hole in My Soul”, “Why Do You Do It to Me?” e “Still Waiting”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.