Resenha: K. Michelle – More Issues Than Vogue

Lançamento: 25/03/2016
Gênero: R&B, Soul, Pop
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Faheem “T-Pain” Najm, Eric Cire, The Mekanics, Hitmaka, Ozan Yildirim, Austin Owens, Sam Salter, Kelly Price, Elvis “Blac Elvis” Williams, Danja, Curtis “Sauce” Wilson, Lovy Longomba, T-Collar, Lil Ronnie, Jesse “Corparal” Wilson e Pop & Oak.

Em 25 de março de 2016, K. Michelle compartilhou com o público o disco “More Issues Than Vogue”, seu terceiro álbum de estúdio. Depois de lançar “Anybody Wanna Buy a Heart?” em 2014, a americana conseguiu ficar alguns passos à frente de suas principais concorrentes. Em três projetos já divulgados, ela conseguiu oferecer nada menos que um R&B de grande qualidade. Agora que está na direção certa, seu mais novo álbum mostra um lado dela do qual ainda não conhecemos. Em vez de uma sequência de faixas R&B coesas e energéticas, “More Issues Than Vogue” proporciona uma coleção de diferentes estilos, além da incorporação do pop e clássicos elementos de country. O seu primeiro disco, “Rebellious Soul”, foi construído a partir de uma imensa dor e tristeza. Em seguida, “Anybody Wanna Buy a Heart?” serviu como um rescaldo angustiante e atraente de suas lutas pelo amor.

Por outro lado, no “More Issues Than Vogue”, encontramos uma K. Michelle crescendo após passar por momentos difíceis, aprendendo com erros, assumindo responsabilidades e adquirindo novas forças. Com este registro, ela procurou redefinir seu som e conteúdo lírico. Ela é realmente uma cantora muito consistente quando retrata a si mesma em suas letras. “More Issues Than Vogue” definitivamente se distancia da narrativa mais triste dos seus dois primeiros álbuns, enquanto exibe uma direção criativa diferente. Além disso, no decorrer do álbum, encontramos canções mais contemporâneas e, aparentemente, momentos muito mais otimistas. O hip-hop de “Mindful”, produzido por T-Pain, abre o repertório do álbum. Ao longo de um riff funky, handclaps e uma ótima batida, K. Michelle mostra que sabe fazer um rap. Essa introdução, com cerca de 2 minutos de duração, engloba tudo de melhor da cantora. A voz e produção estão realmente no ponto.

K. Michelle1

Também produzida por T-Pain, “Got Em Like” é uma das canções mais contemporâneas encontradas por aqui. Possui uma batida grudenta e não é uma faixa ruim, porém, soa parecida com várias outras músicas de R&B e hip-hop da atualidade. A emocional balada soul “Ain’t You”, por outro lado, é uma das melhores faixas do disco. Ela surpreende, principalmente, pelo fraseado, honestidade e belo tom de K. Michelle. Aqui, sobre uma batida atmosférica, ela fala sobre um dramático relacionamento do passado. A quarta faixa, “Not a Little Bit”, é uma adorável pista de R&B que consegue ser ainda melhor que a canção anterior. Apoiada por um adorável arranjo no piano, K. Michelle canta sobre seguir em frente e não olhar para trás. Esta canção praticamente nos leva de volta para o início dos anos 2000, período onde este tipo de música dominava as paradas musicais. É uma faixa que realmente surpreende pela simplicidade na composição.

Inicialmente, ela fornece uma elegante melodia de piano, antes de apresentar o primeiro verso. A batida e o refrão são muito simples, porém, incrivelmente sedutores. “Você acha que eu preciso de você, nem um pouco”, ela canta aqui. “Not a Little Bit” pode ser classificada como o exemplo perfeito do verdadeiro, clássico e puro R&B. Logo em seguida, temos outra maravilhosa canção, dessa vez intitulada “If It Ain’t Love”. É uma bela combinação entre um som retrô doo-wop e o clássico R&B da década de 1990. Esta música vintage exibe uma alma poderosa, assim como K. Michelle impressiona vocalmente. Ela costumar se sair muito bem quando explora um soul elegante e tradicional como este. Liricamente, a canção é sobre ser loucamente apaixonada por alguém. “Make the Bed”, com Jason Derülo, é uma faixa pop moderna pegajosa, com sintetizadores e uma atraente linha de baixo. É uma canção catchy, sua produção é muito bem feita e a química entre eles é bastante evidente.

A voz de K. Michelle soa muito agradável quando colocada em contraste com produções old-school. “Nightstand”, por exemplo, mostra isso com total propriedade. Uma canção onde ela exibe suas maiores habilidades vocais e mistura uma abordagem lírica contemporânea com um trabalho de produção retrô. As harmonias e instrumentação, a base de piano e baixo, é o suporte ideal para a música. “These Men”, por sua vez, traz uma vibe meio blues ao lado do já conhecido R&B de K. Michelle. Nesta faixa, harmonias vocais e alguns violinos dão uma borda requintada para a música e surpreendem pelo som classudo. A maneira como o piano é utilizado em “All I Got”, permite que Michelle emocione ainda mais. As letras românticas, a sofisticada produção e a excepcional melodia, transformam essa música em algo muito mais doce e sensível que o restante do álbum.

K. Michelle

A décima faixa, “Time”, é outra canção emocional que chama bastante atenção. Mais uma vez, violinos, piano e linha de baixo são os instrumentos ideais. Aqui, além de mostrar mais do seu versátil alcance vocal, Michelle dirige algumas duras palavras ao seu ex: “É tarde demais para você e eu, graças a Deus eu te deixei na hora certa”. Assim como a maioria do repertório, “Time” é uma clássica balada de R&B, tingida de gospel, fortemente apoiada pelo piano e com suaves progressões de acordes. A penúltima faixa, “Rich”, com Trina e Yo Gotti, é uma canção de hip-hop realmente cativante. O contraste adquirido pela excêntrica melodia casou surpreendentemente bem com os três artistas. Um dos destaques da música é o rap de Trina e a ótima produção de inspiração trap fornecida por Lil Ronnie. “Sleep Like a Baby” é uma faixa polida, refrescante e uma das poucas que apresenta sintetizadores em sua composição. Eles são refinados e agregam alguns elementos vintage à música.

Embora esta canção entre em conflito com as outras faixas, foi uma forma inteligente terminar o álbum com ela. “More Issues Than Vogue” possui uma vibe incrível e mostra com exatidão todos os talentos de K. Michelle. Em nenhum momento seus talentos musicais são questionáveis, visto que ela brilha a todo instante. As baladas, em especial, são seus pontos mais fortes. Elas são emocionais e acenam para um R&B clássico e adorável. Suas emoções estão enraizadas no núcleo do álbum, enquanto canta sobre si mesma de forma sincera e honesta. No geral, “More Issues Than Vogue” não é tão coeso como o disco “Anybody Wanna Buy a Heart?”, entretanto, consegue superá-lo em alguns outros quesitos. É uma coleção sólida e uma boa adição para o catálogo, que cresce cada vez mais forte, de K. Michelle. A cantora tem sido bastante consistente no que diz respeito a melhoria dos seus registros a cada novo lançamento, ou seja, tomando por sua totalidade, “More Issues Than Vogue” é o seu projeto mais atraente até a presente data.

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Favorite Tracks: “Ain’t You”, “Not a Little Bit”, “If It Ain’t Love”, “All I Got” e “Time”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.