Resenha: Jordin Sparks – Right Here Right Now

Lançamento: 21/08/2015
Gênero: R&B, Hip-Hop, Pop
Gravadora: Louder Than Life / RED Distribution / 19 Recordings
Produtores: Salaam Remi, Jordin Sparks, DJ Mustard, Crada, Jonas Jeberg, Deekay, Dem Jointz, Key Wane, D’Mile, Babyface, Trakmatic, Rochad Holiday, The Underdogs e Mike Free.

Sucessor do “Battlefield” (2009), “Right Here Right Now” foi o primeiro lançamento de Jordin Sparks em seis anos. Com um total de quatorze faixas, o disco foi lançado em 21 de agosto de 2015. Para este álbum, Sparks trabalhou com Salaam Remi, Babyface, The Underdogs, Jonas Jeberg, Dem Jointz e DJ Mustard. A ex-American Idol descreveu este projeto como “música bonita com colisão”, além de ser muito influenciado pelo R&B da década de 90. Já faz muito tempo que ouvimos “No Air” nas rádios, uma parceria incrivelmente cativante com Chris Brown. Certamente, essa é a sua música mais marcante até o momento. Não há dúvidas de que Jordin Sparks tem excelentes vocais, mas durante os últimos anos ela lutou para encontrar o seu lugar no mundo pop e R&B. Antes do lançamento de “Right Here Right Now”, Sparks sofreu uma série de problemas em sua vida, incluindo a separação com Jason Derülo e a tensa mudança de gravadora. Originalmente, ela anunciou que estava começando a trabalhar no seu terceiro álbum em 2010, entretanto, os problemas com a Jive Records adiaram as coisas. Mais tarde, após assinar com a Louder Than Life (subsidiária da Sony Music Entertainment), ela conseguiu recomeçar.

Ao trabalhar com o fundador da Louder Than Life, o produtor Salaam Remi, tudo pareceu mais fácil. “Right Here Right Now” é uma coleção suave de R&B e hip-hop, catapultado pelos vocais brilhantes de Jordin Sparks. Foi muito refrescante ver a cantora num tom de R&B mais escuro, mesmo distanciando-se de músicas pop como “Tattoo” e “Battlefield”. Liricamente, este é o seu melhor álbum até o momento, uma vez que comprova a força de sua maturidade. Dessa vez, ela optou por abraçar completamente o seu lado urbano, algo que não ocorreu tanto nos álbuns “Jordin Sparks” (2007) e “Battlefield” (2009). As características dos convidados, tais como B.o.B, 2 Chainz, Shaggy e Elijah Blake, só ajudou a reforçar o lado urban contemporany de Jordin Sparks. Inicialmente com uma melodia delicada, “Work from Home”, com o rapper B.o.B, abre o álbum. Pode parecer uma canção de ninar, mas depois a produção em camadas muda as coisas. Ela serve como uma ruptura do passado de Jordin Sparks, uma vez que é uma música mais sensual do que de costume. Enquanto ela sempre destacou-se nas baladas, outras faixas não conseguem encontrar um ritmo coeso e distinguível, como é o caso de “1000”.

Uma canção pesada em seus instrumentos e com uma melodia esquecível, da qual nem os vocais de Sparks conseguiram salvar. A faixa-título, “Right Here Right Now”, é um número R&B orientado para o hip-hop, dado o trabalho na produção. É uma canção moderna que encaixa-se muito melhor no álbum do que a faixa anterior. O primeiro single, “Double Tap”, com 2 Chainz, é uma faixa de hip-hop e R&B muito cativante, apesar das péssimas referências ao Instragram (“Insta-famosa de um dia para o outro / Não tenha medo de admitir / Já vi o jeito como você me olha, desde o início / Você fica olhando meu Instagram / Olho secretamente o seu celular, e sei”). Em seguida, sob um piano atraente, Jordin Sparks canta sobre o amor pelos homens em “Boyz in the Hood”. A sexta-faixa, “Silhouette”, por sua vez, mostra toda a intimidade da cantora juntamente com falsetes e letras significativas. “Hoje à noite é só você, eu, e nossa silhueta / Não há nenhum espaço entre nós / Hoje à noite nós vamos ser sem costura / Pintura de imagens perfeitas o que está acontecendo nessa cama / Sombras insaciáveis revelados pelas velas / Você e eu e nossa silhueta”, ela canta intimamente no refrão. À medida que o registro avança, Sparks realmente retrocede em suas influências.

A linda balada “They Don’t Give”, por exemplo, nos lembra algumas faixas do grupo Destiny’s Child. Com cortesia de ninguém menos do que Babyface, é uma música reminiscente dos anos 90. O principal foco é o fabuloso e equilibrado vocal da cantora. “Se conseguirmos o que quer que seja / Não deixe que eles odeiam / Porque o nosso amor deveria ser para sempre / Não importa o que eles dizem”, ela canta aqui. Na sequência, “Left….Right?” afrouxa as coisas e abraça um som R&B moderno e temperamental. É uma faixa sexy, cheia de nuances consistentes e uma vibração que lembra “Motivation” da Kelly Rowland. “Casual Love” é um dueto com Shaggy que poderia soar desastroso no papel, mas apenas soa fora do lugar num álbum de R&B. É uma faixa up-tempo cativante com influências reggae e sons tropicais, que mostra a boa versatilidade de Jordin Sparks. Depois de “Unhappy”, o dueto mais belo e harmonioso do álbum, o álbum ganha vida com a faixa “Tell Him That I Love Him”. Uma clássica balada de R&B que mostra mais da poderosa voz de Sparks. A próxima faixa, “11:11”, pode ser considerada uma das mais maduras e bem realizadas do repertório.

Além de utilizar o registro mais rico e sensual da cantora, essa canção possui a mesma vibração escura que tornou “Left….Right?” bem-sucedida. A sensual balada “100 Years” destaca-se, principalmente, pelo trabalho de produção de Key Wane. Sobre uma percussão sutil, a cantora diz ao seu namorado o quanto quer ficar do lado dele. “Cem anos não é tempo o suficiente com você / Fantasio tudo o que podíamos fazer / Eu queria que você soubesse o quanto eu amo você / Não vá a lugar nenhum, amor, sim”, ela canta no refrão. Embora não seja a faixa mais forte do álbum, “It Ain’t You” a vê explorando novamente o R&B contemporâneo. Produzida por DJ Mustard, é uma canção desafiadora e influenciada pelo hip-hop que, apesar de agradável, soa um pouco previsível. Em suma, “Right Here Right Now” é um álbum muito sólido. Pode não ter conseguido êxito comercial, mas é um esforço com um alto valor de repetição. Repleto de canções de amor e fortes declarações, é um disco que fala sobre rupturas, mas com um senso de mudança por trás. Se a intenção de Jordin Sparks era causar algum impacto emocional, ela certamente conseguiu. Este é exatamente o tipo de álbum maduro e comovente que os fãs esperavam na época.

Favorite Tracks: “They Don’t Give”, “Unhappy (feat. Elijah Blake)” e “Tell Him That I Love Him”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.