Resenha: Jon Bellion – The Human Condition

Lançamento: 10/06/2016
Gênero: Hip-Hop, PBR&B, Pop Rock
Gravadora: Visionary Music Group / Capitol Records
Produtores: Jon Bellion, Stephan Moccio, Mark Williams e Raul Cubina.

Em 10 de junho de 2016, Jon Bellion lançou o seu primeiro álbum de estúdio, “The Human Condition”, via Capitol Records. O cantor de 25 anos não é tão novo para a indústria da música. Ele já criou sua própria marca ao escrever singles de sucesso para artistas como Eminem e Jason Derülo, além de ser destaque em “Beautiful Now” do DJ Zedd. Isso não é tudo, pois ele tem algumas mixtapes em seu currículo. Há algum tempo ele está na espreita para explodir no cenário musical com sua própria arte. “The Human Condition” é um álbum onde Jon Bellion tenta explorar de forma adequada as mais diversas condições humanas. Enquanto ele já lançou outros projetos anteriormente, esse álbum é sua liberação mais pessoal e impactante.

Dois anos depois do sua última mixtape “The Definition”, Bellion tenta nos agraciar com letras exclusivamente relacionáveis no decorrer de 14 faixas. Sonoramente, ele trabalha com um R&B contemporâneo, pop e hip-hop alternativo sobre melodias muito cativantes. Sua afinidade para escrever bons refrões é mostrado com vigor aqui, não é à toa que ele ajudou a criar “The Monster” (Eminem & Rihanna) e “Trumpets” (Jason Derülo). O cantor abre o álbum com “He is the Same”, uma canção onde ele leva seus ouvintes para uma jornada pessoal. Bellion tenta explicar as falhas na existência humana, concluindo com uma percepção de que ele é simplesmente humano e pode cometer erros. Destaque para a comutação entre gritos e cantos suaves, apoiados por boas harmonias e um beat-box rítmico.

A segunda faixa e uma das minhas favoritas, “80’s Films”, faz um trabalho estelar com suas amostras de tambores singulares e maravilhosa melodia. Essa canção serve como base para todo o álbum, por conta do ritmo cativante e nostálgico. O matador solo de guitarra após a ponte se destaca por si só. “All Time Low”, lançada como segundo single, foi muito bem recebida no Spotify. Sua ótima batida, pegajosa melodia e os repetitivos “low” fazem parte da criatividade de Jon. A faixa “New York Soul (Parte II)”, dedicada à sua cidade natal, é uma sequela de “NewYorkSoul” da mixtape “The Dedication”. Aqui, ele muda um pouco as coisas através de um bassline funk e algumas batidas inspiradas em J Dilla. É surpreendente ver que Bellion possui um bom rap, como o mostrado aqui.

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Em seguida, ele retarda o ritmo do álbum em “Fashion” e “Maybe IDK”, onde ele fala sobre suas crenças e fé. “Fashion”, em particular, é guiada por um bonito piano, juntamente com letras e vocais edificantes. Considerando que “Woke the Fuck Up” foi lançada em 2015, foi bom saber que ela foi incluída no álbum. Os vocais de Bellion estão muito envolventes, enquanto a produção, em constante mudanças, dá diferentes elementos tonais para a música. As letras são sólidas e possuem um duplo sentido, sobre despertar de um sonho e acordar para a realidade. Na divertida canção de amor “Overwhelming”, Jon canta sobre o encontro de uma pessoa que está sobrecarregada. Sua produção em camadas e letras contraditórias, simplesmente funcionam.

Enquanto Blaque Keyz foi um componente interessante para a encantadora “Weight of the World”, Travis Mendes adiciona um toque extra no primeiro single “Guilhotine”. Essa é uma dançante e memorável canção, com uma batida nervosa, letras inteligentes e sólida interpretação de Jon. “The Good in Me” fornece uma potente composição, além de um envolvente refrão. Ademais, a ponte contém alguns belos vocais femininos. A faixa de encerramento, “Hand of God (Outro)”, com The Andraé Crouch Choir, é um dos maiores destaques e talvez a canção mais impressionante do álbum. Jon Bellion está no seu estado mais vulnerável e emocional, pois ele aceita que já perdeu o seu caminho. Assim como qualquer outra pessoa, há uma percepção de que ele pode aprender com seus erros.

Conforme “Hand of God (Outro)” progride as cordas dão lugar a um coro gospel maravilhoso. Esse coro contribui para fazer essa faixa ter o melhor desempenho vocal do registro. “The Human Condition” é um excelente álbum de estreia para Jon Bellion. Tudo somado, o repertório representa perfeitamente a pessoa que Bellion é. Ele aborda suas experiências, filosofias, crenças e sua personalidade como um todo. Cada canção foi produzida com seu toque único, através de letras relacionáveis, suaves vocais e instrumentais poderosos. Embora nem todas as faixas sejam destaques absolutos, a maioria delas conseguem cativar o ouvinte com facilidade. Jon Bellion mostrou que é um artista cheio de autenticidade e com todos os requisitos para o sucesso.

70

Favorite Tracks: “80’s Films”, “Fashion”, “Weight of the World (feat. Blaque Keyz)”, “Guillotine (feat. Travis Mendes)” e “Hand of God (Outro)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.