Resenha: JoJo – Mad Love.

Lançamento: 14/10/2016
Gênero: R&B, Pop
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Matt Friedman, Jussifer, TJ Routon, Rock Mafia, Oscar Holter, Josh “Igloo” Monroy, SeventyEight, ADP e MNEK.

Em 14 de outubro de 2016, JoJo fez um retorno triunfal com seu mais novo álbum “Mad Love”. Se terceiro álbum de estúdio foi lançado após uma longa disputa com sua antiga gravadora, a Blackground Records. Esse é o seu primeiro LP pela Atlantic Records, depois de alguns tempos difíceis. Depois de deixar seu rótulo anterior em 2014, a cantora disse que chamou sua mãe e chorou. “Liguei para minha mãe e choramos”, ela contou à Billboard. A última vez que tivemos um álbum completo de JoJo foi há 10 anos, consequentemente, muito coisa mudou na indústria da música. Finalmente a cantora ficou livre para trabalhar de novo e nos relembrar dos seus dias de “Leave (Get Out)” e “Too Little Too Late”. Com “Mad Love”, JoJo nos mostra o quanto evoluiu desde que lançou o álbum “The High Road”.

Ela apresenta suas habilidades como escritora, um som refinado e uma maturidade musical contínua. Seus vocais estão muito polidos e sofisticados, enquanto os instrumentais são eletronicamente construídos. A faixa de abertura, intitulada “Music”, é dedicada a seu pai, Joel Levesque, que faleceu em novembro do ano passado. Antes de sua morte, ele chegou a ouvir uma versão anterior do álbum. “Music” é uma balada de piano crua e vulnerável, com belíssimos vocais e uma produção despojada. “Fui para estrada para orgulhar o meu pai / Mas eu o perdi, então cantei para a multidão / Minha única esperança é que ele olha para cá, pensando / “Ai meu Deys, minha filha realmente conseguiu agora”, ela canta ao relembrar do seu pai. “Music” agarra sua atenção e define o tom para todo o álbum.

JoJo fez três colaborações nesse álbum, que aparecem curiosamente uma na sequência da outra: “I Can Only” com Alessia Cara, “Fuck Problems” com Wiz Khalifa e “FAB” com Remy Ma. Liricamente, essas três músicas possuem um tema subjacente muito parecido, de ser você mesmo sem se preocupar com a opinião dos outros. É uma mensagem muito interessante, considerando que vivemos numa sociedade que nos força a seguir certos padrões, seja na nossa vida pessoal ou profissional. Enquanto “I Can Only” mostra duas mulheres socialmente conscientes cantando em cima de um charmoso e simples arranjo, “FAB” (que significa “Fake Ass Bitches”) é um número fortemente guiado pela percussão. “Fuck Problems”, por sua vez, é uma canção pop e R&B up-tempo, guiada por ritmos de guitarra e um grande excesso de confiança.

jojo

Apoiada por uma produção suave, JoJo fala sobre uma desagradável separação. “O que você quer de mim? / Se eu realmente quisesse falar / Foda-se as desculpas / Se eu realmente quisesse falar / Não sou perfeita, tenho orgulho”, ela canta explicitamente no refrão. Enquanto isso, Wiz Khalifa entrega um verso curto, porém, muito eficaz. “Mad Love”, um número neo-soul com influência blues, é a balada mais forte de todo o álbum. Além de possuir um ritmo parecido com “All Night” de Beyoncé, contém um charme moderno em meio a adoráveis trombetas. Aqui, JoJo utiliza o melhor do seu registro vocal em cada linha cuidadosamente elaborada. Gêneros como dancehall e house também foram injetados nesse álbum, algo evidente em canções como “Vibe” e “Honest”. Um sintetizador muito profundo e contundentes tambores explodem em “Vibe”, e proporcionam algumas vibrações dancehall.

Com a alta desse gênero no mercado mainstream atual, não é uma surpresa ouvir uma canção desse tipo no álbum. “Honest”, por sua vez, é confessional e fiel a temas comuns no álbum, como crescimento e aceitação. Mas é o R&B que realmente brilha e guia esse registro. Músicas como a cativante “Like This” e “I Am” são exemplos perfeitos disso. JoJo escreveu quase todas as faixas do álbum, incluindo a própria “Like This”. Uma canção guiada por um baixo sensual, ritmo sexy e poderosos tambores, que gotejam sobre cantos hipnotizantes. “I Am”, por sua vez, exala um som distinto, onde a cantora prova o quanto é versátil. Assim como a primeira faixa, é composta apenas por JoJo e fortes riffs de piano. “É hora de mudar o jogo / Não pode ser mais aquela garota”, ela canta aqui, enquanto mostra o quanto ama a si mesma.

Na segunda metade do álbum ainda temos outra balada sensual, intitulada “Edibles”. É um bom complemento para a faixa que a antecede, embora seja um pouco mais rápida. Por fim, “High Heels” fala sobre infidelidade e como JoJo conseguiu dar a volta por cima. Como todos sabem, JoJo foi lançada para a cena musical em 2004 com o single “Leave (Get Out)” e, desde então, amadureceu muito desde o seu último álbum. Explorando sua assinatura R&B e um som pop elegante, Joanna Levesque conseguiu surpreender de forma positiva com o “Mad Love”. Musicalmente, é uma verdadeira lufada de ar fresco e um álbum que marca um novo momento na carreira de JoJo. É um registro muito flexível, irresistível e agradável. Liricamente, é um disco que exala sinceridade e uma grande carga de honestidade. Em outras palavras, “Mad Love” é um álbum de R&B muito convincente e bem sucedido.

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Favorite Tracks: “Fuck Apologies (feat. Wiz Khalifa)”, “Mad Love” e “I Am”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.