Resenha: John Mayer – The Search for Everything

Lançamento: 14/04/2017
Gênero: Rock, Blues, Pop
Gravadora: Columbia Records / Sony Music Entertainment
Produtores: Steve Jordan, John Mayer e Chad Franscoviak.

Lançado em abril de 2017, “The Search for Everything” é o quinto álbum de estúdio de John Mayer. Ele foi precedido pelo lançamento de dois EPs, cada um com quatro novas músicas do disco. A primeira parte, “The Search for Everything: Wave One”, foi divulgada em 20 de janeiro de 2017, enquanto a segunda, “The Search for Everything: Wave Two” foi lançada em 24 de fevereiro de 2017. Depois de se interessar pela banda Grateful Dead e ficar próximo de Bob Weir, Mayer formou a Dead & Company em 2015 com três ex-músicos do Grateful Dead. Nos últimos anos, portanto, ele ficou bastante ocupado com o grupo Dead & Company, tanto que entrou em turnê. Agora em 2017, o cantor americano resolveu retornar a sua carreira solo. Em “The Search for Everything”, Mayer parece tentar recuperar o som dos seus dois primeiros álbuns.

Ele é um guitarrista e compositor extremamente talentoso, mas, nesse disco ele não atingiu todo o seu potencial. O repertório é claramente mid-tempo, enquanto Mayer injeta um pouco de R&B, pop e soul no seu rock e blues clássico. Embora não seja um dos seus melhores trabalhos, há algumas boas canções no seu interior. A maioria das músicas concentram-se em si mesmo, conforme Mayer retrata-se como um homem de coração partido. O álbum é formado por 12 faixas, uma coleção pensativa de baladas acústicas, riffs de guitarra e vocais suaves. O registro não segue numa direção típica de Mayer, em vez disso, utiliza elementos folk e um bom trabalho de guitarra. Uma das pessoas chaves para esse álbum é a cantora Katy Perry, a ex-namorada de John Mayer. O produto que obtemos aqui, é uma mistura de baladas rock e blues que giram em torno, principalmente, do seu relacionamento com Perry.

A primeira faixa, “Still Feel Like Your Man”, possui uma óbvia letra dirigida para Katy Perry. Uma canção emotiva que o próprio cantor descreve como “sonicamente evocativa”. É uma música de R&B aconchegante, com piano, linhas de baixo e violão, que fala sobre separação. “Emoji of a Wave” possui um título estranho e inusitado, e é muito mais centrada no violão. Dessa vez, Mayer usa uma onda como metáfora para os seus relacionamentos. Em seguida, “Helpless” apresenta riffs funky, tambores furtivos e um solo de guitarra. É uma música agradável onde o cantor anseia por algum tipo de relacionamento. O primeiro single, “Love on the Weekend”, é uma canção pop-rock com letras mais profundas e pensativas. Ela toca no coração do ouvinte com socos de bateria, cordas nebulosas, piano e violão. É obviamente uma das melhores faixas do disco.

“In the Blood”, quinta faixa do repertório, é enganosamente alegre e lida com a dúvida e o medo. Suas letras são dolorosas e mostram um lado vulnerável de John Mayer. Ele canta sobre alguns problemas familiares e suas preocupações existenciais, sobre uma produção folk e pop. Uma das linhas de destaque nessa canção é quando ele canta: “Quanto de minha mãe, de minha mãe ficou em mim?”. Na próxima faixa, “Changing”, Mayer reflete sobre a passagem do tempo. “O tempo está falando comigo / Sussurrando no meu ouvido”, ele canta. É uma balada emocional, que discute sobre como ele se desenvolveu como pessoa e músico. Aqui, temos uso da guitarra acústica, piano e um inesperado solo de guitarra elétrica. A sétima faixa, “Theme from “The Search for Everything””, é uma composição instrumental de quase dois minutos, com guitarra acústica, percussão e cordas orquestradas.

Em “Moving On and Getting Over” Mayer tenta se esquecer de Katy Perry, mas parece não conseguir. Uma canção blues e soul onde o cantor atinge seu falsete ao lado de uma boa guitarra. Segundo John Mayer, “Never on the Day You Leave” é uma das músicas mais tristes que ele já escreveu. Uma balada de piano meio superficial que provoca uma mudança de ritmo e som. Na sequência, Mayer continua explorando o blues na faixa “Rosie”, enquanto incorpora um estilo mais jazzístico. Essa canção apresenta trompas, sintetizador, riffs groovy, golpes de bateria e algumas palavras em espanhol. “Roll It on Home”, por sua vez, é uma música country que contém um pouco mais da influência evidente nos dois últimos álbuns do cantor. Aqui, ele segue por uma direção popular americana, mas é uma canção que sente-se deslocada do restante do repertório.

A última faixa, “You’re Gonna Live Forever in Me”, contém uma estrutura mais minimalista. Uma balada que destaca os nítidos vocais de Mayer, com assobios e uma melodia baseada no piano e seção de cordas. É cantada quase inteiramente em falsete, e construída em torno de uma estrutura com apenas quatro versos. Suas letras são reflexivas e fecham o ciclo de um álbum criado após um doloroso término amoroso. “The Search for Everything” fala sobre separações, mas num grau muito alto. Mayer o compôs ao lado de apenas dois produtores, talvez por isso sente-se coeso. Entretanto, é um registro meio preguiçoso que não foi feito de uma maneira tão interessante. O cantor jogou completamente pelo lado seguro, por isso grande parte do repertório é tão esquecível. Eu, particularmente, espero que no seu próximo álbum Mayer esteja ligeiramente mais otimista.

Favorite Tracks: “Still Feel Like Your Man”, “Love on the Weekend” e “Never on the Day You Leave”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.