Resenha: Joey Bada$$ – ALL-AMERIKKKAN BADA$$

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Por Era Records / Cinematic Music Group
Produtores: Joey Badass, Jonny Shipes, 1-900, Chuck Strangers, DJ Khalil, Jake Bowman, Kirk Knight, Like Powers Pleasant e Statik Selektah.

Jo-Vaughn Scott, mais conhecido por Joey Bada$$, é um rapper de 22 anos de Brooklyn, Nova York. Lançado em 07 de abril de 2017, “ALL-AMERIKKKAN BADA$$” é o seu segundo álbum de estúdio. O sucessor do “B4.Da.$$” (2015) contém 12 faixas e participações especiais de de J. Cole e ScHoolboy Q. Considerando o título e os recursos utilizados, ficou evidente que esse LP é muito mais político e consciente que o seu antecessor. Em vez de optar por uma direção rasa e superficial como muitos outros rappers, Bada$$ preferiu se concentrar em temas como desigualdade, opressão policial e brutalidade. O seu repertório coloca à vista a dura realidade que os negros estão sujeitos nos Estados Unidos. No entanto, apesar dos temas sérios, boa parte do álbum é menos agressivo do que eu imaginava. Na verdade, a maioria das canções contém harmonias bem tranquilas e descontraídas. Joey Bada$$ é novo, mas já criou um nicho invejável para si dentro do hip-hop. Ele costuma explorar uma abordagem clássica, consequentemente, “ALL-AMERIKKKAN BADA$$” é um disco exuberante, old-school e divertido. Mas não se engane, pois sobre sua paisagem sonora temos letras repletas de conflitos. A produção minimalista é emocionante e mistura rupturas clássicas com melodias complexas.

O seu colaborador de longa data, Kirk Knight, juntamente com novos rostos, como DJ Khalil e 1-900, criou um cenário ideal para o som old-school e vintage desse registro. A primeira faixa, “Good Morning Amerikkka”, revela o tom de todo o álbum. As suaves batidas se misturam muito bem com as letras pensativas de Bada$$. Liricamente, é uma carta aberta para a população dos Estados Unidos. Ele se pergunta sobre o significado de liberdade. Aqui, ele também reconhece a opressão que a sociedade americana branca prospera. Em “For My People” ele segue por essa mesma dinâmica, entretanto, de forma diferente a fim de evitar qualquer repetição. É uma música com um ponto de vista otimista, que pode acabar inspirando o seu público. Lançada como segundo single, “Land of the Free” é uma canção com fortes influências do hip-hop old-school. Dessa vez, Bada$$ comenta sobre a natureza contraditória dos Estados Unidos, afirmando: “Obama simplesmente não era suficiente / Eu só preciso de mais fechamento / E Donald Trump não está equipado para guiar esse país”“Rockabye Baby”, com ScHoolboy Q, é uma mudança de ritmo muito boa para o álbum.

É uma faixa com uma sensação mais rebelde, que geralmente pode ser encontrada nos álbuns de Q. O piano, um pouco ameaçador, emparelhado com o “Fuck Donald Trump” é provocante e casou muito bem com as letras. O verso incendiário de ScHoolboy Q, em particular, se destaca como um dos momentos mais fortes do álbum. “Ring the Alarm”, com Kirk Knight, Nyck Caution e Meechy Darko, possui palavras cautelosas, mas ao mesmo tempo injetadas com expressões de raiva. O conteúdo é poético e cheio de emoções associadas, apesar dos versos serem agressivos. Mesmo se você não tiver um olhar político, você tem que admitir que o conteúdo de Bada$$ é impressionante. O seu talento lírico é realmente admirável, enquanto a produção musical merece o mesmo respeito. Seu trabalho sempre foi franco e carregado por alguma crítica social e, mais uma vez, ele provou ser autoconsciente. Com esse LP, Bada$$ conseguiu equilibrar um som e lirismo que leva o ouvinte de volta para uma era de ouro do hip-hop. Ao lado de outros recursos, ele construiu um projeto profundamente introspectivo e com mensagens bem claras. Ademais, é muito refrescante ver um artista criar um rap genuíno que traz significância ao gênero.

Favorite Tracks: “Land of the Free”, “Devastated” e “Rockabye Baby (feat. ScHoolboy Q)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.