Resenha: Joe – #MyNameIsJoeThomas

Lançamento: 11/11/2016
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: BMG Rights Management
Produtores: Joe, Gerald Isaac, Derek “D.O.A.” Allen, Damo Farmer e Zach Crowell.

Joseph Lewis Thomas, mais conhecido por seu nome artístico Joe, é um cantor americano de R&B. Desde o dia que se apaixonou pela música, Joe foi obrigado a construir um nome para si mesmo, embora sua ascensão tenha sido lenta. Seu sucesso não aconteceu imediatamente na indústria, quando seu primeiro single, “I’m In Luv”, foi lançado. No entanto, ele acabou conseguindo um certo impacto no mercado R&B de muitas maneiras. Sua perseverança foi recompensada mais tarde com uma série de hits de sucesso, incluindo “All the Things (Your Man Won’t Do)” e “Don’t Wanna Be a Player”. Quando Joe lançou o multi-platinado álbum “My Name Is Joe” (2000), ele entregou algumas de suas melhores músicas da carreira, como “I Wanna Know” e “Stutter”. “I Wanna Know”, por exemplo, foi um grande sucesso crossover que mostrou com propriedade sua suave e clássica voz. Depois de alguns sucessos, vários discos e décadas de carreira, Joe Thomas lançou em 2016 seu décimo terceiro álbum de estúdio. Intitulado “#MyNameIsJoeThomas”, o disco sente-se como uma sequela para “My Name Is Joe” (2000).

Esse é, provavelmente, seu último álbum de estúdio, uma vez que Joe nos levou à especulações de sua precoce aposentadoria. É uma notícia triste, visto que Joe passou mais de duas décadas como uma das vozes mais reconhecidas do R&B americano. Nos últimos anos, ele chegou a ser exaltado como um dos últimos cantores portadores da bandeira do gênero. Enquanto muitos artistas mainstream abandonaram o R&B para seguir tendências do mercado, Joe permaneceu firme em seu ofício. Estilisticamente falando, “#MyNameIsJoeThomas” é o álbum mais diversificado de Joe. As baladas praticamente dominam a maioria do repertório, território do qual Joe sempre se destacou com seu poderoso tenor. As dezesseis faixas do álbum demonstram, além da sutileza e honestidade de Joe, uma variedade de estilos e temas líricos. “Lean Into It” abre o álbum em torno da confiança explorada naqueles momentos sexualmente íntimos, enquadrada por piano e belas cordas, antes de “Don’t Lock Me Out” apresentar uma marcha barulhenta e viciante.

Uma atraente percussão e guitarra acústica fornecem o pano de fundo para “Wear the Night”, uma canção tingida de ritmos latinos. O primeiro single, “So I Can Have You Back”, é uma canção romântica que mostra os erros que Joe cometeu com uma ex-namorada. A interessante “No Chance” é uma declaração para uma mulher negligenciada por seu atual homem. “Você estava desperdiçando muito do seu tempo tentando fazê-lo ver, mas ele apenas não é eu / Ele começou a guerra, agora ele é uma vítima, eu sou o resultado do que costumava ser”, Joe canta aqui. Apesar das baladas definiram a personalidade confiante de Joe, ele também sabe lidar com momentos up-tempo. Na faixa “Happy Hour”, com Gucci Mane, por exemplo, encontramos um humor muito descontraído. Apesar dos elementos de hip-hop fornecidos por Gucci Mane dominarem a canção, Joe não sacrifica seu som de marca registrada. É uma faixa radio-friendly que ainda soa como uma canção de Joe. Em um ligeiro desvio do seu habitual R&B, “Hollow” fornece uma pitada de country contemporâneo e um arranjo bem orgânico.

Enquanto “Hurricane” mostra o efeito que sua mulher tem sobre seu coração, a felicidade dela é a sua principal missão em “Love Centric”. Sonoramente, “Love Centric” praticamente revisita a alma de algumas canções dos anos 60 e 70. “I Swear”, por sua vez, é construída em torno de uma produção contemporânea e minimalista de hip-hop. À medida que “Celebrate You” é uma canção infundida por elementos do funky oitentista, “Our Anthem” é um soul retrô com sample de “Try a Little Tenderness” (Otis Redding) e interpolações de “Lift Every Voice And Sing” (James Weldon Johnson) e “The Star-Spangled Banner” (Francis Scott Key). Para encerrar o álbum, Joe optou pelo cover de “Hello” da cantora Adele. Somente Joe poderia adicionar ainda mais angústia e desespero para uma música como “Hello”. Sem dúvida, é um cover bastante ousado. “#MyNameIsJoeThomas” é um álbum bastante sólido, embora a experimentação tenha afetado a sua coesão. O ponto positivo é que a diversidade musical mostrou ainda mais dos talentos de Joe. Em suma, mesmo depois de vinte anos de carreira, podemos afirmar que Joe Thomas não foi esquecido.

Favorite Tracks: “So I Can Have You Back”, “No Chance” e “Love Centric”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.