Resenha: Jhené Aiko – Souled Out

Lançamento: 09/09/2014
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Def Jam Recordings
Produtores: Jhené Chilombo, No I.D., Key Wane, Fisticuffs, Thundercat, Dot da Genius, Woodro Skillson e Clams Casino.

Jhené Aiko é uma cantora de Los Angeles, Califórnia, que, após se reunir com o produtor “No I.D.” em 2011, assinou um contrato com a gravadora Def Jam Recordings. Em 2013, Aiko colaborou no single “Beware” com Big Sean e entrou pela primeira vez no top 40 da Billboard Hot 100 dos Estados Unidos. Mais tarde, em novembro do mesmo ano, ela lançou o seu primeiro EP, intitulado “Sail Out”, que foi apoiado pelos singles “3:16AM”, “Bed Peace” e “The Worst”. Foi um material que preparou o terreno para o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio: “Souled Out”. Lançado em 09 de setembro de 2014, é um disco de R&B bem diversificado, que incorpora música psicodélica, neo-soul, hip hop e elementos de música eletrônica. Suas músicas são pouco estruturadas e apresentam, principalmente, suporte de guitarras, sintetizadores, bateria e alguns ruídos atmosféricos.

O “Souled Out” é bem conceitual e traz letras que giram em torno de relacionamentos, lições de vida, filosofias e duras verdades. Aiko atuou como produtora executiva, escreveu todas as letras do repertório e, com o auxílio de alguns bons produtores, conseguiu criar um som bem coeso. O álbum estreou em #3 nos Estados Unidos ao vender mais de 70 mil cópias na primeira semana. A maioria das 12 músicas são conversas íntimas entregues com vocais ágeis o suficiente para seduzir. Na faixa de abertura, “Limbo Limbo Limbo”, a cantora diz não ter medo da direção que sua jornada pode levá-la. Sonoramente, ela resume todo o álbum, pois é uma música extremamente calma e sedutora. “W.A.Y.S.”, abreviação de “Why Aren’t You Smiling?”, abre preguiçosamente com uma guitarra dedilhada e, em seguida, recebe uma marcha de tambores sinistra juntamente com um vocal vulnerável de Aiko.

É uma das faixas de maior destaque do registro, uma mensagem de esperança que foi inspirada pela morte prematura de seu irmão. Outra ótima canção é “To Love & Die”, faixa que traz James Fauntleroy, do grupo Cocaine 80s, como vocal de apoio. Foi o primeiro single do álbum, uma música verdadeiramente hipnótica, onde a cantora fala da sensação de imponderabilidade que sentimentos ao nos apaixonarmos. Deslizando ao longo de um riff de guitarra e uma vibe acústica, Jhené Aiko fala sobre as transições de sua vida na faixa “Spotless Mind”. A renúncia ofegante de “It’s Cool” é outra arejada canção de R&B, que dá um vislumbre de seu teto artístico. “Lyin King”, por sua vez, é um número profundo e grudento sobre um homem mentiroso. O jogo de palavras dessa canção é magistral.

Jhené Aiko

Enquanto isso, “Wading” é uma faixa mid-tempo, produzida por Dot da Genius, inundada por um romance não correspondido. É outra canção hipnotizante que se destaca no álbum, visto que oferece vocais impecáveis de Aiko. “The Pressure”, segundo single, é sem dúvida a canção mais sexy do registro. Aqui, a cantora usa perfeitamente o falsete para transmitir sua inocente sensualidade. Ela ainda demonstra o seu talento para combinar melisma com assuntos introspectivos. De acordo com a revista Vogue, a canção foi inspirada pela pressão que ela sofreu para finalizar o seu álbum de estreia. A nona faixa, “Brave”, é triste, escura e onde a cantora diz não ter condições de amar. “Se você decidir ficar, saiba que não há escapatória / Não há ninguém para te salvar”, ela avisa. Os versos dessa música fluem perfeitamente, graças a sua cuidadosamente bem construída melodia.

“Eternal Sunshine” é uma faixa que mostra a vulnerabilidade crua e a vibe contemplativa da cantora. Uma canção suave e com versos profundos, que abre com melancólicas teclas de piano. A letra passa uma boa mensagem, pois fala sobre viver a vida com uma perspectiva positiva. Na canção “Promises” Jhené Aiko abre com um verso sobre a sua filha, Namiko, e as dificuldades para criá-la, já que dedica boa parte do seu tempo com compromissos exigidos por sua profissão. O segundo verso, em especial, é dedicado a seu irmão mais velho, Miyagi, que morreu em 2012. A cantora admite que a saudade dele a levou a ter pensamentos suicidas. É realmente uma faixa comovente, onde Aiko tenta entender e aceitar as fragilidades da vida. A última faixa, “Pretty Bird (Freestyle)”, foi produzida por seu mentor, No I.D., e conta com a gratificante participação de Common.

Uma boa música para ser o número de encerramento, pois trás uma mensagem simples e animadora: “Por favor, não chore, você pode voar / E há uma luz ofuscante dentro de você / Há uma luz ofuscante dentro de você / E eles não podem negar-lhe, eles não podem negar-lhe”. No geral, o “Souled Out” é uma estreia sólida e sensual, que trouxe um bom nível de honestidade, profundidade e sinceridade para o espaço R&B. Jhené Aiko é uma artista criativa e confiante, que mergulhou no seu trabalho com bastante seriedade. Ela transmite uma energia natural e possui vocais fascinantes, que permeiam e dominam todo o disco. “Souled Out” é um material intrigante, feito por uma artista intrigante, que aproveitou o seu melhor momento para entregar algo totalmente reflexivo e pessoal.

71

 Favorite Tracks: “W.A.Y.S.”, “To Love & Die (feat. Cocaine 80s)”, “Spotless Mind”, “Lyin King” e “The Pressure”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.