Resenha: Jessie Ware – Glasshouse

Lançamento: 20/10/2017
Gênero: Pop, R&B, Eletrônica
Gravadora: Island Records
Produtores: ST!NT, Benny Blanco, Kid Harpoon, Bastian Langebaek, Andrew Wansel, Sammy Witte, Happy Perez, Cashmere Cat, Starsmith, Two Inch Punch, Fred Ball, John Ryan, Julien Bunetta, Hugo White, Felix White, Jamie Scott e Dave Okumu.

Muita coisa aconteceu desde que Jessie Ware lançou o álbum “Tough Love” (2014) há três anos. A cantora britânica deu à luz em 2016, casou-se e escreveu o seu terceiro álbum, “Glasshouse”. Enquanto “Devotion” (2012) e “Tough Love” (2014) foram enraizados na música eletrônica e R&B, o seu novo LP explora um estilo mais contemporâneo e soulful. Embora seja estruturalmente parecido com seus antecessores, ele é definitivamente mais lento e pesado. É outro perfeito exemplo do poder, sensibilidade e elegância de Jessie Ware. A produção é o que realmente chama atenção no maravilhoso “Glasshouse”, algo que foi muito bem equilibrado com o estilo sofisticado da cantora. No interior deste registro, temos algumas obras-primas realmente criativas e sem qualquer enchimento. Ao escrever o álbum em meio a sua gravidez, Ware adicionou temas mais amorosos e esclarecedores dentro das músicas. A faixa “Midnight”, lançada como carro-chefe do álbum, foi o primeiro vislumbre que tivemos do “Glasshouse”. “Você é especial”, ela canta no verso inicial. Rapidamente, nós percebemos como ela se sente. Aqui, os seus belos, delicados e refinados vocais exalam uma vibração incrivelmente adorável. Jessie Ware é conhecida por seus tons sensuais e hipnotizantes, além de provar que pode ser bem sucedida na música R&B e soul. Em “Midnight” ela apresenta uma produção pop com alguns elementos desses dois gêneros. A canção começa com uma vibração misteriosa e versos sutis, antes de transformar-se numa balada com notas altas e grandes vocais. “Não me deixe cair, agora que eu preciso de você”, ela implora ao seu marido.

“Midnight” desloca-se com sons eletrônicos, mas é o poderoso piano no refrão que eleva as coisas. A forma como o excitante piano é utilizado, foi um dos maiores acertos da música. O sintetizador e os tambores também foram bem usados, mas o ponto mais impressionante continua sendo a sua voz. Em seguida, “Thinking About You” fornece poderosos tambores, enquanto Ware emociona com o seu canto edificante. Os vocais estão realmente fortes e cativantes, embora a canção seja uma reminiscência das músicas mais conhecidas de Sam Smith. O bluesy “Stay Awake, Wait for Me” é um retorno bem-vindo ao estilo comum da britânica. Essa canção possui um refrão mais romântico e deslumbrante, além de oferecer um groove rastejante e solo de trompete. Da mesma forma, “Your Domino” possui uma melodia que casa perfeitamente com o álbum. O produtor ST!NT conseguiu criar o pano de fundo ideal para os vocais brilhantes de Jessie Ware. Esta canção é um dos destaques do registro, principalmente por proporcionar uma óbvia mudança no seu ritmo. O terceiro single, “Alone”, é uma canção sincera e dramática elevada por um coro de backing vocals. Sobre um piano solene, melodia consistente e vocais mais íntimos, “Alone” é uma peça deliciosamente suave. “Selfish Love”, o segundo single, possui uma produção ainda mais épica. Possui elementos latinos e um sulco tropical, mesmo permanecendo fiel ao estilo de Jessie Ware. Tudo soa perfeitamente no lugar, desde as guitarras saltitantes até as linhas vocais de Ware. O synth-R&B “First Time”, por outro lado, fornece uma melodia mais etérea e letras estritamente pessoais.

Co-escrita por Julia Michaels, “Hearts” é um dos momentos mais radiofônicos do repertório. Diferente da maior parte do álbum, possui uma maior dinâmica e refrão mais explosivo. Em cima de linhas de órgãos, “Slow Me Down” usa uma base melódica para falar sobre o amor. À medida que os vocais de Ware crescem, sua personalidade faz essa canção tornar-se mais familiar. A décima faixa, “Finish What We Started”, é uma maravilhosa e apaixonada fatia pop. Aqui, os vocais estão muito mais celestiais, delicados e aveludados do que de costume. Além dos perfeitos tambores, a canção contém brilhantes sintetizadores e uma notável guitarra elétrica. “Last of the True Believers”, com Paul Buchanan, do The Blue Nile, ressalta a elegância de Ware como artista. Musicalmente, esta faixa possui uma produção global espetacularmente suave, algo que torna a escrita mais direta e infecciosa. A última faixa, “Sam”, co-escrita por Ed Sheeran, também consegue deixar uma impressão duradoura. Desta vez, Jessie Ware explora um som completamente acústico. Intitulada a partir do nome do seu marido, “Sam” é uma ode honesta e sincera dedicada a ele e ao nascimento de sua filha. Mais uma vez, temos um refrão altamente emocional, com letras requintadas e profundamente pessoais. Por fim, o álbum termina com quase um minuto de solo de trompete e efeitos de gotículas. Jessie Ware trabalhou com uma série de escritores e produtores no “Glasshouse”, mas mesmo assim conseguiu torná-lo autêntico. Ela é uma jovem mãe e artista em evolução, que gosta de compartilhar sua visão sobre o amor. Em suma, “Glasshouse” é um registro fabuloso, elegante e muito maduro.

Favorite Tracks: “Midnight”, “Your Domino” e “Finish What We Started”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.