Resenha: Jessie J – Sweet Talker

Lançamento: 10/10/2014
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Republic Records
Produtores: Rob Stevenson, Josh Alexander, Ammo, Axident, Louis Biancaniello, Steve Brooker, The DFRNS, Diplo, Warren Felder, David Gamson, Godz of Analog, Rickard Göransson, Kuk Harrell, Ilya, Jonas Jeberg, Savan Kotecha, Lifted, Steve Mac, Max Martin, The-Dream, The Picard Brothers, Ricky Ree, Tricky Stewart, Ryan Vojtesak, Andrew Wansel e Will IDAP.

Exatamente um ano após o lançamento do disco “Alive”, a cantora Jessie J lançou o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado “Sweet Talker”. A britânica, que chegou a fama em 2011, já foi jurada e mentora no The Voice UK e escreveu canções de sucesso para outros artistas, como Miley Cyrus, Rihanna, Justin Timberlake e Chris Brown. Com o lançamento do “Sweet Talker”, Jessie J tenta mais uma vez emplacar nos Estados Unidos. Isto é claramente notado, dado que o primeiro single, “Bang Bang”, é uma parceria com Ariana Grande e Nicki Minaj. “Sweet Talker” foi lançado em 10 de outubro de 2014, através da Republic Records, e conta com um imenso time de produtores e compositores.

Entre eles estão nomes conhecidos no mainstream, tais como Max Martin, Tricky Stewart, The-Dream e Ammo. Além de Nicki Minaj e Ariana Grande, o registro ainda conta com colaborações do rapper 2 Chainz, do grupo de hip-hop De La Soul e da violinista Lindsey Stirling. Nos Estados Unidos, mercado onde ela está mais focada, o álbum estreou na décima posição da Billboard 200, ao vender mais de 25 mil cópias na primeira semana. Apesar de vender 9 mil cópias a menos que o álbum anterior, “Sweet Talker” tornou-se o seu primeiro disco a figurar no top 10 dos Estados Unidos. Jessie J é uma artista talentosa, uma boa compositora e tem uma voz potente, entretanto, muitas vezes, parece perdida artisticamente e sem uma identidade musical.

“Sweet Talker” é formado por um total de 12 faixas e, como esperado, possui um bom desempenho vocal de Jessie J. No entanto, muito diferente do “Who You Are”, esse disco tem pouquíssimas canções de destaque e quase nenhuma memorável. A faixa de abertura, “Ain’t Been Done”, consegue agradar graças ao bom instrumental, a confiança nos vocais e a mesma atitude ousada do seu álbum de estreia. A segunda faixa, “Burnin’ Up”, em parceria com 2 Chainz, também foi a segunda canção de trabalho do registro. É uma impetuosa e intensa música de R&B que acena um pouco para o EDM, graças aos fortes sintetizadores. A faixa-título, “Sweet Talker”, co-escrita por Diplo, infelizmente não convence. É um tanto quanto simples, monótona e passa muito despercebida dentro do repertório.

Jessie J

Para compensar, logo em seguida, temos o hit e a melhor faixa do álbum: “Bang Bang”. Produzida por Max Martin, a música, em colaboração com Ariana Grande e Nicki Minaj, tornou-se um enorme sucesso em vários países e protagonizou boas performances televisivas por parte das três artistas. É uma música pop-soul energética e com um refrão contagiante, que consegue ser sedutora e igualmente divertida. As baladas do álbum, como “Personal”, “Fire” e “Get Away”, infelizmente não agradam. A primeira extrapola na repetição de alguns versos e as outras duas são muito extravagantes. “Fire”, além de ser carente de grandeza, acabou soando frenética ao invés de dramática, enquanto “Get Away” fecha o álbum sem transmitir brilho algum.

“Personal” consegue ser um pouco melhor, mas é intolerante em alguns pontos e carece de um glamour convincente. “Masterpiece”, por sua vez, fica com o posto de segunda melhor canção do álbum. Aqui a cantora acertou em cheio, pois a música possui um instrumental viciante e melodias bastante agradáveis. “Seal Me With a Kiss”, com o grupo De La Soul, consegue manter o ouvinte em alta com sua dinâmica, retrô-soul brincalhão e alguns toques de hip-hop. Outra música que me agradou bastante é “Said Too Much”, um hino radio-friendly muito contagioso e cheio de precisão. Essa conseguiu manter o bom ritmo das duas faixas que a antecedem, graças aos poderosos vocais e o grudento refrão. “Loud”, produzida e escrita por The-Dream, traz como convidada a violinista californiana Lindsey Stirling.

A sua presença acrescentou uma maior ressonância à música e pode ajudá-la a atingir um outro público. É a melhor balada do álbum, visto que apresenta dinâmicos vocais e marcantes linhas das cordas do violino de Stirling. “Keep Us Together” também não decepciona, pois, agradavelmente, Jessie J optou por utilizar elementos de R&B e uma sonoridade mais madura. Em suma, posso dizer que com estas doze faixas, as peculiaridades presentes nos álbuns anteriores de Jessie J, foram substituídos por uma imensidão de produtores à prova de falhas. E ela ainda deu um passo para trás quanto às suas composições. “Sweet Talker” não tem força suficiente para ser um verdadeiro álbum de sucesso como a gravadora e Jessie J esperam, principalmente devido à sua falta de inovação criativa.

60

Favorite Tracks: “Burnin’ Up (feat. 2 Chainz)”, “Bang Bang (feat. Ariana Grande & Nicki Minaj)”, “Masterpiece”, “Said Too Much” e “Loud (feat. Lindsey Stirling)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Thalles Cerqueira

    Adoro Jessie J como Jessie J. Entregou um ótimo primeiro álbum (o único que consegue mostrar alguma personalidade) e não conseguiu repetir a qualidade em seus sucessores. Mais uma, dentre várias, a se perder por entre produtores e decisões empresariais. Vocalmente acho que a artista vem se “Aguilerizando”. Tenta a todo tempo mostrar tudo o que pode fazer com um microfone. Com um timbre incomum como o dela, “menos é mais”. Mas Jessie J parece estar apegada à ideia oposta. Infelizmente.

    • Leo

      Eu também adoro ela. O ‘Who You Are’ é ótimo e eu já fui muito viciado nele!

      Pena que os outros dois álbuns não sejam tão bons quanto.

      Concordo com você! Muitas vezes ela exagera ao cantar, fazendo firulas e usando técnicas desnecessárias.