Resenha: Jesse McCartney – In Technicolor

Lançamento: 22/07/2014
Gênero: Pop, R&B, Funk, Disco, Blue Eyed Soul
Gravadora: Eight0Eight Records
Produtores: Jesse McCartney, The Elev3n, Troy Johnson e Sherry Goffin Condor.

“In Technicolor” é o título do quarto álbum de estúdio do cantor norte-americano Jesse McCartney. Ele marca o seu retorno à música após ter arquivo o álbum “Have It All”, que deveria ter sido lançado em 2011. Segundo McCartney, o álbum foi cancelado porque ele tinha uma proposta de trabalho como ator do qual não poderia recusar. Antes de lançar o “In Technicolor”, McCartney lançou um EP em 2013 que tinha como intuito mostrar o que estava por vir no álbum. Depois de sair da Hollywood Records, ele divulgou o primeiro single “Back Together” em agosto de 2013 que, logo depois, foi sucedido pela faixa “Superbad”. O registro estreou na posição #37 da Billboard 200 ao vender pouco mais de 7 mil cópias nos Estados Unidos. Jesse McCartney não é aquele artista de grande sucesso comercial, sua carreira tem sido inconsistente no que diz respeito à vendas. Ele fez um ligeiro sucesso com o álbum “Beautiful Soul” (2004) e, mais recentemente, com o “Departure” (2008), que rendeu dois singles conhecidos: “Leavin'” e “How Do You Sleep?”. Nesse novo projeto, ele segue pelo mesmo estilo dos seus álbuns anteriores, porém, com uma sonoridade pop e R&B que lembra os trabalhos mais antigos de Justin Timberlake. A faixa de abertura, “In Technicolor, Pt. I”, possui quase dois minutos e um alargamento urbano típico de outros trabalhos do cantor. Esse breve interlúdio consegue anunciar a sua habilidade vocal e preparar o ouvinte para a segunda faixa. Conduzido por uma cativante guitarra, o primeiro single do álbum, “Back Together”, é uma canção pop bem produzida com uma vibe completamente retrô.

Aqui, o cantor optou por explorar vocais mais soltos e em falsetes que, provavelmente, gerou comparações com Bruno Mars e Justin Timberlake. Ademais, como single de destaque, “Back Together” exibe boas influências de funk, disco e R&B. “Se nós voltarmos / Será como quando te conheci / Ainda melhor, garota, aposto contigo / Vamos voltar / Garota, juro que você é o motivo / O amor é algo que vale a pena acreditar”, ele canta de forma otimista durante o refrão. Também produzida por The Elev3n, a oitentista “Young Love” fornece mais elementos de funk e R&B sobre uma melodia bastante contagiante. É, provavelmente, a canção mais catchy do repertório, seja pela excelente batida, vocais, melodia, sintetizador ou guitarra. “Minha garota é uma máquina de sexo supersônico”, McCartney canta sobre sua namorada em “Superbad”. Sobre uma infecciosa guitarra funky, ele exibe um som retrô incrivelmente dançante com uma nítida influência em Michael Jackson. Da mesma forma, os sintetizadores e bom ritmo de “All About Us” também nos fazem recordar do eterno rei do pop. Em “Checkmate”, uma típica balada de R&B, o cantor adiciona um pouco de drama no álbum. “Punch Drunk Recreation”, por outro lado, nos lembra bastante o ritmo contagiante e infeccioso do smash-hit “Blurred Lines” de Robin Thicke, T.I. e Pharrell Williams. A oitava faixa, “Goodie Bag”, possui letras inteligentes, ótimos sintetizadores e uma exibição vocal respeitável. O ritmo e melodia envolventes, combinados com a ótima performance vocal, conseguem impressionar e o mostra em outra perspectiva.

“In Technicolor, Pt. II” dá continuação ao som iniciado na faixa de abertura sob sensacionais falsetes. Aqui, o cantor está ferido pelo amor e, consequentemente, pergunta: “Eu não quero ficar sem você / Vivendo em um mundo sem você / O que diabos eu faria? / O que eu faço? / Não tenho ideia, eu preciso de você”. Na penúltima faixa, “Tie the Knot”, McCartney apresenta mais uma vez algumas influências de funk e disco sobre letras otimistas, antes de encerrar com a comovente balada “The Other Guy”. Nesta canção, ele consegue mostrar mais de sua subestimada capacidade vocal. Inicialmente acompanhada apenas pelo piano, a atraente melodia consegue transmitir as devidas emoções da letra. “Garota, eu estou sentado aqui me perguntando o que foi que nós fizemos / Baby, quem sou eu para ser o outro? / Porque eu vi situações se inverterem, um mundo de dor”, ele canta no refrão. Liricamente, McCartney tenta tomar uma posição firme contra ser o “outro cara” de uma relação. Em 2014, completou dez anos desde que ele lançou o seu primeiro trabalho e, com esse novo álbum, pôde mostrar que evoluiu durante uma década. “In Technicolor” faz uma mistura de pop, R&B, funk e blue eyed soul através de baladas e faixas retrô que, mesmo soando um pouco genéricas, conseguem agradar. Pode não ser um álbum cheio de originalidade e autenticidade, entretanto, também não podemos ignorar o fato dele ter co-escrito todas as onze faixas do repertório. “In Technicolor” exibe uma variedade de estilos e prova que Jesse McCartney continua a ser apaixonado por música. Os vocais mais crus e a modéstia, mesmo depois de anos de carreira, são qualidades que McCartney ainda possui.

Favorite Tracks: “Back Together”, “Young Love” e “Goodie Bag”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.