Resenha: Jennifer Lopez – A.K.A.

Lançamento: 13/06/2014
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Benny Medina, Cory Rooney, Jennifer Lopez, RedOne, DJ Mustard, Detail, Max Martin, Cory Rooney, Harmony Samuels, Ryan Tedder, Antwan “Amadeus” Thompson, Leon “Roccstar” Youngblood, Trevor Muzzy, Steve Franks, Ilya, Oakwud, A. Chal, Yoni Ayal, Peter Carlsson, Asia Bryant, Qura Rankin, Sham, Charles Stephens, Jovan JR Taylor e TheAceFace69.

Em 13 de junho de 2014, Jennifer Lopez lançou o seu oitavo álbum de estúdio, o primeiro pela gravadora Capitol Records. Intitulado “A.K.A.”, acrônimo para “Also Known As”, o registro iria ser, inicialmente, produzido por RedOne. Entretanto, Cory Rooney e Benny Medina, colaboradores de longa data de J.Lo, acabaram se tornando os produtores executivos, dando-lhe uma pegada mais pop e R&B. O álbum conta com a participação de Pitbull, que já colaborou com ela inúmeras vezes, French Montana, T.I., Iggy Azalea, Rick Ross, Tyga e Nas. As faixas “I Luh Ya Papi”, “First Love” e “Booty” foram, até o momento, as escolhidas para serem singles. Nos Estados Unidos, o álbum estreou em oitavo na Billboard 200 com apenas 33 mil cópias vendidas, tornando-se dessa forma a sua pior estreia em território norte-americano. Também tornou-se a pior estreia da cantora no Reino Unido, lugar onde vendeu apenas 2,1 mil cópias na primeira semana. Aparentemente, algumas letras do álbum foram inspiradas pelo divórcio com Marc Anthony. No entanto, segundo ela, o repertório ainda têm como tema principal o amor. O registro inicia com a faixa-título, “A.K.A.”, uma das poucas músicas realmente agradáveis do álbum. A batida que acompanha os vocais de Jennifer Lopez, o pré-refrão e o grudento refrão são os pontos altos da canção. Dito isto, para mim a melhor canção do álbum é o segundo single, intitulado “First Love”.

Produzida por Max Martin, um dos maiores hitmakers do cenário mainstream, esta canção possui o refrão mais cativante do álbum: “Eu queria que você fosse meu primeiro amor / Pois se você fosse o primeiro / Querido, não haveria um segundo / Terceiro ou quarto amor”. Juntando as letras simples e nostálgicas com a boa produção de Max Martin, foi possível criar a faixa mais envolvente do registro. Enquanto J.Lo conseguiu mostrar alguma evolução vocal na balada “Never Satisfied”, ela errou drasticamente ao lançar “I Luh Ya Papi” como primeiro single. Uma canção de hip-hop repetitiva, insossa e sem qualquer atrativo. Na próxima faixa, “Acting Like That”, J.Lo não soa confiante e sensual como de costume, consequentemente, acabou sendo ofuscada pela participação de Iggy Azalea. Ao contrário da cantora, a rapper australiana pareceu muito mais confortável. Assim como “Never Satisfied”, a faixa “Emotions” tenta explorar mais dos seus vocais, entretanto, peca pela fraca produção. Felizmente, o refrão é interpretado em tons mais altos e acabou tornando-se um pouco agradável de se ouvir. Apesar da vibe descontraída, “So Good” é extremamente apática, boring e completamente descartável. Em “Let It Be Me” Jennifer Lopez tenta admiravelmente alcançar os seus limites vocais. Uma balada com inspiração latina e natureza melancólica que, infelizmente, também não consegue convencer. Com uma pegada mais urbana, “Worry No More” traz consigo os graves vocais do rapper Rick Ross.

Outra faixa que mantém-se extremamente linear e passa totalmente despercebida. A décima faixa, “Booty”, é uma colaboração de Jennifer Lopez e Pitbull produzida por Diplo e escrita por Chris Brown. É uma das poucas faixas com aspecto de hit, especialmente depois do remix sensual com Iggy Azalea.  O ritmo contagiante e batida incessante são os seu principais pontos fortes, uma grande cortesia do talentoso Diplo. É definitivamente uma canção bem pegajosa, principalmente por causa da linha: “big big booty, but you got a big booty”. A versão deluxe do álbum ainda possui mais quatro faixas: “Tens”, “Troubeaux”, “Expertease (Ready Set Go)” e “Same Girl”. Mais algumas canções pop/R&B superficiais sem nenhum atrativo. No geral, “A.K.A.” é um registro eclético, liricamente preguiçoso e com ideias recicladas, que contém mais erros do que acertos. Com tantos anos de carreira, J.Lo não tem mais nada para provar, porém, por não ter nada de inovador, o “A.K.A.” acabou tornando-se um material completamente vazio. A primeira metade possui canções com algum crescimento e vocais de qualidade. Entretanto, esse ritmo desacelera quando chegamos na segunda metade, onde são apresentadas uma série de baladas mid-tempo cujas produções e versos deixam a desejar. Em suma, “A.K.A.” não é um grande álbum, nem mesmo para os padrões de Jennifer Lopez. Porém, a questão aqui não é a sua voz ou o time de produtores, mas sim o resultado final que ficou muito insatisfatório.

Favorite Tracks: “A.K.A. (feat. T.I.)”, “First Love” e “Booty (feat. Pitbull)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.