Review: Jeff Rosenstock – POST- (2018)

Lançamento: 01/01/2018
Gênero: Punk rock, Indie rock
Gravadora: Polyvinyl Record Co.
Produtor: Jack Shirley.

Em seu terceiro álbum de estúdio solo, o sedutor Jeff Rosenstock conseguiu manter com propriedade a vivacidade do punk-rock, em meio a vários ganchos indomáveis.

O“POST” é o terceiro álbum solo do americano Jeff Rosenstrock, escrito em grande parte nas Montanhas Catskill pouco depois da eleição presidencial de 2016. Desde a sua ruptura com a banda Bomb the Music Industry! em 2012, Jeff Rosenstrock assumiu uma posição refrescante e necessária na música. Lançado de surpresa, “POST-” mostra Rosenstock aperfeiçoando sua arte. É um álbum que mantém uma instrumentação energética e punk com letras pensativas e frustradas. Embora sinta-se mais pesado do que “Worry” (2016), “POST-” também apresenta momentos de experimentação. No decorrer do repertório, ele explora a desilusão encontrada na política e os males que afetam a sociedade de hoje, e a transforma numa ode desafiadora para os desprotegidos. Este é um registro decididamente político com mensagens que podem ser traduzidas para assuntos pessoais. Musicalmente, “POST-” é um álbum punk-rock áspero executado através de sons colossais e ofensivos. É um excelente disco para se ouvir em tempos incertos como estes. A consistência dos trabalhos de Rosenstock é surreal, uma vez que ele consegue produzir clássicos instantâneos e surpreendentes.

Embora neste momento de sua carreira ele tenha praticamente todos os acessórios de produção à sua disposição, o produtor Jack Shirley mostrou ser igualmente habilidoso. Ele foi capaz de adicionar algumas coisas novas na música de Rosenstock, fazendo-o sentir-se menos refinado e mais orgânico. Ademais, “POST-” também fortalece o uso de instrumentação eletrônica. Este tipo de coisa não é totalmente estranha para Jeff Rosenstrock, entretanto, ele geralmente implementava de forma mais sutil. Neste álbum, por outro lado, ele abraçou de forma mais concreta múltiplas paisagens sonoras com sintetizadores. A primeira faixa, intitulada “USA”, é um bom exemplo disso. Uma abertura emocionante, propulsiva, decididamente punk e otimista, que apresenta sua versatilidade artística. É uma canção com mais de 7 minutos de duração que paira sobre uma paisagem de sons de sintetizadores. Aqui, ele canta repetidamente: “Estamos cansados e entediados”. Faixas como “Powerlessness” e “9/10” destacam-se como os melhores singles do álbum. Cada um deles é verdadeiramente diferente de qualquer coisa que Rosenstock já tenha feito antes. Enquanto “Powerlessness” parece destinada a se tornar um forte elemento nos seus shows ao vivo, “9/10” soa mais divisiva.

A faixa de encerramento, “Let Them Win”, é um hino com mais de 11 minutos de duração que culmina num arranjo de sintetizador ambiental. Inicialmente, esta paisagem sonora parece um pouco desnecessária, dada a fraca entrega acústica de Rosenstock. Entretanto, não deixa de ser um número suficientemente agradável. Liricamente, “Let Them Win” lida com as realidades de viver em uma sociedade liderada por Donald Trump. “Eles podem nos pendurar para secar / Eles podem se beneficiar de suas mentiras de novo / Eles podem agitar nossas almas / Eles podem nos enviar para casa, oh, sim / Nós não vamos deixar que ganhem , oh não”, ele canta. “TV Stars”, por sua vez, abre com órgãos semelhantes aqueles tocadas nas igrejas e um simples piano de apoio. Uma música que revela sua falta de habilidade de uma maneira humorística e comenta sobre a cultura das celebridades. Para Rosenstrock, “estrelas de TV não se preocupam com quem você é”, questionando a adoração do público por falsos ídolos. Certamente, o “POST-” é uma adição digna à discografia solo de Jeff Rosenstock. É um registro que manteve o seu som e crenças com um entusiasmo irônico e divertido. Enquanto as guitarras distorcidas e a sua ideologia são ótimas, Rosenstock conseguiu manter com propriedade a vivacidade do punk-rock.

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    SCORE - 82%
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Favorite Tracks:

“All This Useless Energy” / “Powerlessness” / “9/10”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.