Resenha: Jeezy – Trap or Die 3

Lançamento: 28/10/2016
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Def Jam Recordings
Produtores: 30 Roc, Big Korey, Bruce Almighty, D. Rich, Doda 1K, DJ Montay, Kenoe, Mike Will Made It, Shawty Redd, P.C., PD e S-X.

Em 28 de outubro de 2016, o rapper Jeezy retornou à cena com seu nono álbum, “Trap or Die 3”. É a segunda sequela de uma série de projetos que ele começou em 2005. O título parecia indicar que Jeezy iria lançar um LP old-school, embora era algo muito improvável. Apesar de não ser isso, é interessante ver o rapper de Atlanta tentando canalizar esse som. “Trap or Die 3” vê o rapper caindo fortemente em influências hip-hop do passado, com uma produção que soa atraente. Seu lirismo nunca foi muito forte, apesar de algumas abordagens diferenciadas. Como esperado, o conteúdo do “Trap or Die 3” está repleto de referências a dinheiro, jóias, mulheres, drogas e observações amargas. Aparentemente, neste álbum Jeezy tentou oferecer o melhor de todas as suas identidades. Para este LP, ele convidou French Montana, Lil Wayne, Chris Brown, Yo Gotti e Plies para se juntar a ele.

Jeezy não quebra qualquer molde, uma vez que seu foco pouco se desvia dos padrões de álbuns de hip-hop. É outo exemplo de Jeezy mostrando como fazer música trap, sob uma produção polida e refinada. Embora haja muitas batidas trap, ele apenas mostra como ajudou a dar o pontapé inicial nesse movimento. Como resultado, “Trap or Die 3” é formado por melodias de hip-hop, batidas consistentes e sons sub-graves ao longo de sua duração. É um disco mais divertido do que parece. A produção é energética, corajosa e suave quando precisa ser. E, embora haja muita coisa acontecendo nas batidas, os artistas convidados nunca são ofuscados. Jeezy tem uma entrega poderosa que acentua suas rimas e entretê com uma dose de complexidade. Alguns riscos poderiam ter melhorado ainda mais esse projeto, entretanto, apesar disso, “Trap or Die 3” conseguiu deixar uma boa impressão.

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Inicialmente, Jeezy permanece dedicado ao amor na introdução do álbum, “In the Air”, enquanto em “All There” apresenta o talentoso Bankroll Fresh no gancho principal. “Going Crazy”, com French Montana, é apenas cativante o suficiente para nos entreter. A batida tem um som clássico, enquanto sons de órgãos auxiliam os artistas durante seus versos. Jeezy não oferece nada de liricamente especial, mas proporciona uma canção bem descontraída e agradável de ouvir. Também é interessante encontrar Montana fornecendo um verso afiado. Há alguns recursos bons neste álbum, como Lil Wayne em “Bout That”, no entanto, Make Will Made It é ainda melhor em “Recipe”. Ele produziu uma batida que nos lembra algumas coisas do último álbum de Rae Sremmurd. Jeezy capta o tom da batida e proporciona um rap um pouco mais sombrio.

Certamente, uma das faixas mais cativantes do repertório é “It Is What It Is”. Uma canção meio desatualizada, mas no bom sentido, com um refrão e tom incrivelmente descontraídos. É uma música trap com um bop inteiramente consistente e interessante. “Like That” contém um som usual para Jeezy, entretanto, ele ainda parece muito confortável. O rapper entrega um fluxo muito bom nesta canção, mostrando o porquê já é um veterano. Embora seja cativante, “Pretty Diamonds” com Chris Brown, contém um lirismo muito preguiçoso. Tem um ritmo mais lento e um rap de acordo com ele. Chris Brown soa apaixonado, ao mesmo tempo que oferece uma abordagem sentimental. No geral, “Trap or Die 3” é uma boa oferta de hip-hop, embora tenha poucas chances de sucesso no mainstream. Mesmo com suas falhas evidentes e um longo repertório, não deixa de ser um bom álbum. Em sua maior parte, Jeezy aparece implacável e revigorado. Ele é um rapper que não hesita e raramente se sente inseguro.

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Favorite Tracks: “All There (feat. Bankroll Fresh)”, “Recipe” e “Like That”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.