Resenha: Jason Mraz – Yes!

Lançamento: 11/07/2014
Gênero: Acoustic, Folk, Pop Rock
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Jason Mraz, Mike Mogis, Chris Keup e Stewart Myers.

“Yes!” é o quinto álbum de estúdio do cantor Jason Mraz, lançado dia 11 de julho de 2014, através da gravadora Atlantic Records. Para sua composição, o cantor colaborou com a Raining Jane (Mai Bloomfield, Becky Gebhardt, Chaska Potter e Mona Tavakoli), banda de folk/rock formada por 4 mulheres, da qual ele vem trabalhando em conjunto desde 2007. “Yes!” estreou em #2 na Billboard 200, com vendas na primeira semana de 102 mil cópias nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira como músico, Mraz ganhou inúmeros prêmios, incluindo 2 prêmios Grammy e esse é o seu primeiro disco anunciado como “puramente acústico”, uma decisão que foi influenciada pela vontade de evoluir como artista e manter os fãs felizes. Raining Jane contribuiu para Mraz trazer um repertório mais intimista, ao invés de canções mais animadas como as do álbum anterior.

Mas de qualquer forma, suas músicas continuam emocionantes, em um conjunto de 14 faixas, que combinam perfeitamente com um fim de tarde de verão, fogueira na praia, longas viagens ou uma noite tranquila. O ponto de exclamação no título sugere que Jason Mraz estava bastante entusiasmado com o disco. Ele entregou músicas com ritmos que flutuam, apoiadas por violão, dedilhados, violoncelo, guitarra acústica e uma sonoridade leve e sensível. Ele não evitou clichês amorosos e o registro é um pouco longo, porém, ele consegue encantar com facilidade usando os mesmos artifícios que alavancou sua carreira. No início, Jason Mraz desenvolveu um estilo que foi igualmente inteligente e distante, usando influências do reggae e hip hop, e criando um som bem distinto da emblemática cultura de San Diego, cidade onde viveu. No entanto, somente em 2008 que o astro catapultou sua carreira, com o lançamento da canção “I’m Yours”.

É o seu maior hit, até à data, permanecendo por 76 semanas na parada da Billboard Hot 100 e com vendas estimadas em 6,1 milhões apenas nos Estados Unidos. Quase como um tributo à “I’m Yours”, suas músicas se tornaram cada vez mais apaixonadas e felizes, algo que vimos no disco “Love Is a Four Letter Word” de 2012. No “Yes!”, Mraz transformou seu otimismo sem fim em direção à temas como rompimentos, ornamentadas por uma instrumentação exuberante e vocais de apoio afetuosos. O cantor tem um ótimo dom para escrever melodias cativantes e, nesse disco, ficou ainda mais evidente. “Rise”, uma introdução de 89 segundos, prepara o ouvinte, através de cordas, piano e um coro do grupo Raining Jane, para o tom acústico presente em todo o álbum. “Love Someone”, primeiro single, é uma balada calma, com dedilhados no violão e uma letra poética: “Love is a funny thing / Whenever I give it, it comes back to me / And it’s wonderful to be giving with my whole heart / As my heart receives”.

Jason Mraz

Aqui, Jason Mraz também afirma que o amor é mais do que apenas sexo (“And I am right beside you/More than just a partner or lover/I’m your friend”). Outra canção de amor totalmente familiar é “Hello, You Beautiful Thing”. Uma música que poderia encaixar-se, facilmente, em qualquer um de seus álbuns anteriores. É uma boa faixa, devido suas harmonias, aos ótimos vocais de apoio e o fato de ser uma das poucas ofertas uptempo do disco. A terceira faixa, “Long Drive”, é uma canção muito bonita, mas também soa familiar. Seu instrumental é exuberante e elegante ao mesmo tempo, com influências do country e uma melodia descontraída. Ela começa com uma introdução abafada, mas logo muda o seu cenário, graças a percussão mais rápida e o refrão crescente com letras melodramáticas: “Your hand on my hand / The thought of arriving / Kind of feels like dying”.

“Everywhere” é uma das poucas com bateria pesada e uma maior agitação. Seu arranjo consegue se sobressair, enquanto a letra traz uma série de questões não respondidas. A sexta faixa, intitulada “Best Friend”, é uma ode aos bons amigos, que oferece uma proposta cheia de gratidão (“I feel my life is better / Because you’re a part of it / Thank you for lifting me up / Thank you for keeping me grounded”). É uma ótima canção, o seu único problema é a falta de uma maior distinção entre o refrão e os demais versos. Na faixa seguinte, “Quiet”, Mraz encontra refúgio em um relacionamento sólido. É totalmente influenciada pelo country, pois possui um violão de aço onipresente e um banjo, posteriormente adicionado na ponte. Os vocais do cantor continuam suaves, enquanto acordes sutis de piano, a percussão e as harmonias se misturam de forma eficaz.

Jason Mraz

A melhor faixa do disco é “Out of My Hands” que, por sua vez, incorpora bons riffs e fornece, tecnicamente, um som mais diversificado. Um número folk com harmonias ressonantes e letras, da qual ele entende, que precisa ter uma atitude de renúncia para as perdas da vida (“When it feels like too much to understand / Know that it’s out of your hands”). Em seguida, o cantor faz um cover da nostálgica “It’s So Hard to Say Goodbye to Yesterday”, single popularizado pelo grupo Boyz II Men durante a década de 1990. A letra desta reconhece a dor de qualquer rompimento ou talvez uma morte, preferindo se concentrar em boas memórias (“I’ll take with me the memories / To be my sunshine after the rain”). “3 Things” começa com letras melancólicas – “There are there are three things I do when my life falls apart / Number one is cry my eyes out” – mas logo explode em uma vibe positiva e otimista, caracterizada por um violão dedilhado e bandolim no refrão.

“You Can Rely On Me” é mais do mesmo, porém, não deixa de ser muito boa. Jason Mraz ilustra suas credenciais de namorado perfeito, cantando para sua amante e/ou companheira. Essa tem um sabor soulful, por causa dos toques de órgão jogados por todo o seu arranjo. Em “Back to the Earth”, Mraz aconselha a todos, de maneira sincera, sobre conhecimentos ecológicos: “We are animals / We are wild / Started with emotions at the bottom of the ocean / Now we’re swinging from the tops of the trees (…)”. Musicalmente, inicia com um canto de galo, enquanto um unkulele a conduz, nos fazendo recordar um pouco de “I’m Yours”. Com um violão de aço sinistro e dedilhados disperos de guitarra, “A World With You” é uma tentativa de Jason Mraz em fornecer uma balada country e um conteúdo lírico sobre álcool. Possui algumas boas linhas românticas e o foco na sua voz soa agradável. “Shine” é a faixa mais longa, com poucos mais de 6 minutos, e a canção de encerramento do disco.

É a música com a melhor letra, com versos reconhecendo a bondade e dignidade dada por Deus na criação e em cada um de nós (“I see who you really are / You’re every creature, every man, every woman and child / You’re the closest thing I’ll ever get to knowing God”). Além da letra, os seus tambores tribais também cooperam para dar uma boa variedade para o álbum. Este álbum é, em sua essência, uma coleção de músicas simples, com letras de fácil entendimento e, em sua maior parte, com uma bela instrumentação. Mraz canta em sua zona de conforto, ele não quis correr nenhum risco, mas possui um ouvido afiado e sabe o que ressoa bem. Sua arte é calma, suave, fresca e recolhida, e até permite que o ouvinte obtenha um vislumbre do seu alcance vocal. Do ponto de vista dinâmico, em geral, o “Yes!” é um disco variado o suficiente para que ele não se sinta repetitivo. É um álbum bem gerido, com vocais que funcionam e se encaixam bem dentro do contexto de suas letras, arranjos e instrumentos.

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Favorite Tracks: “Best Friend”, “Quiet”, “Out of My Hands” e “3 Things”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.