Resenha: Jason Derulo – Talk Dirty

Lançamento: 15/04/2014
Gênero: R&B, Pop
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Timbaland, RedOne, DJ Mustard, Ammo, Cirkut, Jon Bellion, The Cataracs, Jim Beanz, Jonas Jeberg, Martin Johnson, Jared Lee, Ricky Reed e Sam Sumser.

Em 2014, Jason Derulo lançou apenas no Estados Unidos o álbum “Talk Dirty”, uma reedição do seu terceiro álbum de estúdio, “Tattoos” (2013). Divulgado sete meses após o mesmo, este registro apresenta quatro músicas inéditas e conta com o mesmo time de produtores, incluindo Timbaland, Cirkut, RedOne, DJ Mustard e Ricky Reed. “Talk Dirty” contém elementos de pop, R&B e hip-hop assim como o álbum anterior, e colaborações com os rappers Kid Ink, Snoop Dogg e Tyga. Comercialmente, estreou em #4 na Billboard 200 e tornou-se dessa forma o melhor debut de Derulo dentro dos Estados Unidos. O cantor vem conquistado cada vez mais espaço no mainstream, é talentoso e tem uma boa extensão vocal. Juntando isso à suas performance ao vivo cheias de passos de dança, ele está conseguindo emplacar um hit atrás do outro. Apesar do “Talk Dirty” conter muitos temas abertamente sexuais e ter sido rejeitado pelos críticos, o material foi bem recebido pelo público em geral. O repertório abre com a faixa-título, “Talk Dirty”, single este que tornou-se viral, principalmente por causa do cativante saxofone em sua instrumentação. Uma música de hip-hop irresistível com vocais enigmáticos e natureza sedutora.

Como esperado, a letra é um tanto quanto pecaminosa e cheia de versos libidinosos, especialmente do rapper 2 Chainz: “Vendi todos os ingressos, você pode chupar o meu pênis / Tenho arenas, armas no convés / Frente a frente e a língua no pescoço / Um sexo oral internacional (…) / De qualquer forma, vou tentar fazer isso / Tenho que anotá-la no meu telefone como “Grande Bunda”. Jason Derulo consegue ser bem mais respeitável que 2 Chainz, conforme o escutamos no viciante refrão: Mas sua bunda não precisa de explicação / Tudo o que eu realmente preciso entender é quando você / Fala sacanagem pra mim”. A segunda faixa, “Wiggle”, também é espetacularmente infecciosa e muito contagiante. Além de contar com a participação de Snoop Dogg,tornou-se outro grande hit mundial. O ponto mais forte desta canção é o ritmo extremamente dançante e a cativante flauta que vem logo após o “Wiggle, wiggle, wiggle”.  Em “Trumpets”, Jason Derulo faz referências à canções de Katy Perry, Coldplay e Kanye West. Esta música se beneficia apropriadamente da boa produção ancorada pelos excelentes trompetes indicados no título. Aqui, o cantor parece exagerar um pouco em suas fantasias, como podemos ouvir nos versos: Toda vez que você fica nua / Ouço sinfonias na minha cabeça / Escrevi essa canção só de olhar para você oh, oh / As baterias ainda estão num ritmo devagar / E os trompetes vão assim”.

Outras faixas do álbum seguem pela mesma natureza provocativa e som otimista do primeiro single. Em “Bubblegum”, com o rapper Tyga, por exemplo, Derulo canta: “Estou quase quebrando o pescoço por sua causa / Me diz, como você rebola assim / Você faz, e parece que é tão fácil / Nunca vi uma bolha tão grande”. O tradicional R&B está presente nas baladas “Marry Me” e “Vertigo”, essa última inclusive tem a participação da sua atual namorada, a cantora Jordin Sparks. “Marry Me” contrasta os esforços sexuais de “Talk Dirty” em favor do matrimônio. Os sentimentos do cantor nesta canção escala muitas alturas através dos seus falsetes. “Vertigo”, por sua vez, é uma balada apaixonada apresentada no piano presumivelmente dedicada de um para o outro. É nesses tipos de canções que as habilidades vocais de Jason Derulo mais brilham. Semelhante à “Don’t Wanna Go Home”, do álbum “Future History” (2011), “Kama Sutra”, com o rapper Kid Ink, possui praticamente a mesma batida elétrica, porém, ao contrário da primeira, também contém versos de rap. Nessa faixa, ele fala sobre sua atração por uma mulher e a vontade de ficar preso à ela. A quarta faixa inédita, “Zipper”, empolga com suas batidas, baixo e escala eletrônica de alta-frequência. O cantor consegue mostrar mais do seu talento vocal nesta canção, mantendo um caminho de comutação entre o canto e o rap.

“The Other Side” é outra faixa competente que mantém sua sonoridade entre o pop e o R&B contemporâneo. Vocalmente, Jason Derulo aproveita o momento para usar mais do seu falsete. Felizmente, o refrão não decepciona: “Esta noite, leve-me para o outro lado / Faíscas voam como no 4 de Julho / Apenas leve-me para o outro lado / Vejo aquele jeito sexy em seu olhar”. O som hip-hop e R&B de “With the Lights On” é um pouco decepcionante, uma vez que ele soa um tanto quanto embaraçoso e desajeitado. Em contrapartida, a faixa “Stupid Love”, onde eu arriscaria dizer que é a mais cativante do álbum, ele impressiona pelos vocais e composição. Especialmente por causa da guitarra acústica e instrumental que surge durante o refrão, é uma canção que torna-se magnífica e muito dançante. Jason Derulo é um artista que encaixa-se em algum lugar entre o pop e o R&B, e incorpora elementos de música eletrônica, dance e hip-hop no seu som. Ele chegou a fama com o hit “Whatcha Say” do auto-intitulado álbum de 2010 que, além de gerar outros hits, catapultou o cantor para o sucesso futuro. E aqui ele está, optando em usar um som mais ousado com o relançamento do seu terceiro álbum de estúdio. É seguro dizer que “Talk Dirty” possui muitos singles radiofônicos e promissores. Entretanto, dado a produção muitas vezes superficial e as letras sem qualquer profundidade, sinto que é inviável dar uma nota alta para o álbum.

Favorite Tracks: “Talk Dirty (feat. 2 Chainz)”, “Wiggle (feat. Snoop Dogg)” e “Stupid Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.