Resenha: Jason Aldean – They Don’t Know

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Country, Country-Rock
Gravadora: Broken Bow Records
Produtor: Michael Knox.

Jason Aldean construiu sua carreira como um dos maiores artistas country, graças a força de seus poderosos shows ao vivo. Ele tem um currículo invejável, tanto que já conseguiu 10 singles número #1 na principal parada country da Billboard. Aldean já possui sete álbuns em sua discografia incluindo o último deles, “The Don’t Know”. O disco foi lançado em 09 de setembro de 2016, sendo totalmente produzido por Michael Knox. Esse registro de 15 faixas marca um retorno às raízes de Aldean, com várias canções up-tempo que são fáceis de imaginar no cenário ao vivo, e um punhado de baladas emocionais. “Estou super orgulhoso dos meus dois últimos discos, mas eu sempre pensei que eles poderiam ter um par mais dessas canções grandes, up-tempo como “She’s Country” ou “My Kind of Party”, diz Aldean. “Então, um dos objetivos deste novo álbum foi encontrar algumas dessas grandes canções, e acho que as conseguimos”.

Para esta liberação, Aldean tentou encontrar um som “mais grande” e há certamente faixas mais orientadas para o country-rock. Aldean sabe como satisfazer seus ouvintes, com sua voz rica e poderosa e melodias cantáveis. Muitos dos seus álbuns apresentam um amálgama de rock moderno e riffs de hard-rock, inspirados no rock clássico dos anos 80 e início dos anos 90. Esse tipo de música é mostrada soberbamente em seus shows. Mas ele também perambulou estilisticamente por hinos rurais, baladas e, mais recentemente, influências pop contemporâneas em músicas como “Burnin’ It Down”, por exemplo. Ele e sua equipe colocaram todos esses elementos em um liquidificador e os misturaram para criar o “They Don’t Know”. Esse álbum é, de certa forma, um retorno arrogante ao country-rock que apresentou Aldean para o mundo. No geral, o álbum parece dimensional, com Aldean raramente movendo-se para longe de sua fórmula musical já conhecida.

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Nos últimos anos, ele tornou-se alvo de críticas por percorrer fortemente pelo caminho bro-country. Sua música é muitas vezes repetitiva e com uma grande falta de qualidade lírica. No entanto, seu talento como artista ao vivo é admirável, bem como sua capacidade de lançar hit após hit. Os bons momentos do “The Don’t Know” são um pouco diluídos por músicas de enchimento que parecem muito semelhantes entre si. No primeiro single do álbum, “Lights Come On”, Jason Aldean curvou-se totalmente ao country-rock. Na verdade, é um número hard-rock que soa como uma música country. As fortes guitarras elétricas e os potentes tambores preenchem todo o espaço da música e fazem o cantor distanciar-se completamente do country tradicional. Se não fosse pelo sotaque e atmosfera ambiente, essa música seria rock puro. Os riffs crocantes de guitarra, as batidas eletronicamente processadas e o refrão impetuoso não me deixam mentir.

Não é uma faixa tão ambiciosa quanto o single “Burn It Down”, do álbum “Old Boots, New Dirt”, mas é um hard-rock sem precedentes e nenhuma substância real. Por trás das guitarras não temos exatamente uma grande história. Aqui, Jason Aldean fala sobre o tempo que passa nos shows ao lado da multidão que o acompanha. Basicamente, a canção não tem nada a dizer, pois as palavras são jogadas sem um grande propósito. “Quando as luzes se acendem, todo mundo está gritando / Isqueiros no céu, sim, o canto de todos”, ele canta no refrão, A produção geral de “Lights Come On” é muito alta, assim como os vocais de Aldean estão muito processados. Uma coisa surpreendente sobre esta canção é que ela precisou de seis pessoas para ser escrita, entre elas Tyle Hubbard e Brian Kelley do duo Florida Georgia Line. É vergonhoso imaginar que foi necessário tanta gente para escrever letras como estas, enquanto Jason Aldean não colaborou com o processo criativo.

Enfim, para um carro-chefe, “Lights Come On” é muito incoesa, desequilibrada e oferece pouquíssimos pontos positivos. A segunda faixa e segundo single do álbum, “A Little More Summertime”, é mais melancólica e define o tom para várias outras canções reflexivas, como “This Plane Don’t Go There”, “In Case You Don’t Remember” e “Reason to Love L.A.”. É, sem dúvida, uma canção muito melhor que “Lights Come On”. Ainda há assinatura de algumas guitarra elétricas no refrão, mas é muito mais suave que a citada. Escritores experientes como Jerry Flowers, Tony Martin e Wendell Mobley, compartilham créditos na escrita. Eles têm uma sequência de hits, incluindo os gostos de “Fast Cars and Freedom” e “Banjo” do Rascal Flatts, “You Look Good In My Shirt” de Keith Urban e “Just To See You Smile” de Tim McGraw. “A Little More Summertime” é uma canção que mostra as habilidades de Jason Aldean em seguir sem esforços por uma balada, onde emoções são sentidas em cada palavra cantada.

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Enquanto canções como a divertida “Comin’ In Hot”, “Bad”, “One We Won’t Forget” e “When the Lights Go Out” mostram o lado sexy do cantor, é a faixa-título que deixa sua maior marca. “The Don’t Know” lembra a faixa “Fly Over States” do disco “My Kinda Party”, conforme ele fala sobre homens que trabalham duro e mulheres que cresceram em cidades pequenas. O dueto com Kelsea Ballerini em “First Time Again” mostra o lado sentimental de Aldean. Uma sincera balada de amor, onde um casal lamenta as dificuldades após uma separação. Essa faixa aparece com o objetivo de dar um alívio para o ouvinte, após tantas números infundidos de rock. “First Time Again” é uma bela canção com boas sessões de cordas, vozes suaves e harmonias sublimes. Jason também toca em temas comuns do clássico country, como o desgosto e álcool em “Whiskey’d Up”, “All Out of Beer” e “Any Ol’ Barstool”. “All Out of Beer” é uma cativante canção que apresenta um dos mais fortes refrões do álbum.

Parece ter sido feita sob medida para os shows ao vivo de Jason Aldean. “A única vez que você aparece aqui é quando você está sozinha / E eu estou sem cerveja”, ele canta aqui. Além da boa instrumentação, é radio-friendly e possui um grande apelo mainstream. Em “The Way a Night Should Feel” ele conta uma história interessante, enquanto o som dirigido pela guitarra dá à música um pouco de atração. “The Don’t Know” poderia ter tido uma seleção mais enxuta e, consequentemente, ter sido mais conciso, destacando apenas aquelas faixas onde Aldean tem demonstrado criatividade. Isso porque várias canções caem, muitas vezes, numa armadilha familiar do cantor. Aldean percorre o caminho com músicas guiadas por guitarra elétricas, enquanto deixa uma marca duradoura nas baladas. “The Don’t Know” não é um grande álbum. Entretanto, é um bom retorno às suas raízes e, certamente, um álbum melhor que seu antecessor.

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Favorite Tracks: “A Little More Summertime”, “First Time Again (with Kelsea Ballerini)” e “All Out of Beer”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.