Resenha: Jamiroquai – Automaton

Lançamento: 31/03/2017
Gênero: Funk, Disco
Gravadora: Virgin EMI
Produtores: Matt Johnson e Jay Kay.

“Automaton” é o primeiro álbum da banda Jamiroquai em sete anos. Mais uma vez, o vocalista Jay Kay mostra que sabe como produzir um trabalho de qualidade. É um registro com 12 faixas que combina funky, disco, dance-pop, techno e influências dos anos 80 no mesmo lugar. Um álbum extremamente energético e futurista, que adota um tempo de execução muito longo, com cerca de 57 minutos. Jay Kay sempre foi muito ambicioso e ousado, musicalmente falando. Desde o momento que a banda entrou em cena com “Emergency on Planet Earth” (1993) e “The Return of the Space Cowboy” (1994), eles estabeleceram um padrão de acid-jazz para si. “Automaton” é realmente um retorno que os fãs do Jamiroquai esperavam. Com esse registro, Jay Kay e companhia abandonaram um pouco sua estética jazz, em favor de algo mais fresco. A faixa de abertura, “Shake It On”, é altamente dançante e define a vibração energética em torno do repertório. Assim como em “Shake It On”, linhas de baixo, guitarras, teclados e efeitos digitais pairam sobre as músicas “Hot Property” e “Something About You”.

“Hot Property”, particularmente, é outra música dançante com alguns toques de house inovadores. A faixa-título, “Automaton”, é a única que aborda algum tema político ou social. Além disso, ela possui excelentes instrumentos e faz uma combinação eclética de disco, funky, synthpop e dance-pop. O nu-disco “Cloud 9” combina alguns sons Motown e contém uma suave interpretação de Jay Kay. É, definitivamente, um clássico e típico número do Jamiroquai. A banda também é conhecida por floreios abundantes e modernos que dão, à faixas como “Dr Buzz”, refrões pulsantes e bem esculpidos. Em “Superfresh” eles fazem uma viagem pessoal de volta a tempos despreocupados e intensos. A música abre com vocais vigorosos e em falsete de Jay Kay, sobre um pulso eletrônico e disco. Em seguida, temos arranjos de cordas nostálgicos e evocativos em “Summer Girl”. Um adorável canto melódico e percussão dinâmica impulsionam essa música.

A oitava faixa, “Nights Out in the Jungle”, apresenta influências dos anos 70 e 80, e um ritmo particularmente expressivo. Quando aproxima-se do seu final, o registro não consegue servir as mesmas emoções das faixas anteriores. Enquanto “We Can Do It” é um pouco cansativa, tanto em execução quanto na repetição da letra, “Vitamin” é um acid-jazz meio frouxo e pouco ousado. “Carla”, por outro lado, é um número de synthpop e techno, com melodias deslumbrantes, animados riffs eletrônicos e uma nítida entrega de Jay Kay. Liricamente, é uma homenagem à filha do cantor. Ao todo, “Automaton” é um registro muito divertido e perspicaz. É ocasionalmente surpreendente e o projeto mais atraente do Jamiroquai desde o álbum “A Funk Odyssey” (2001). Mais uma vez, Jay Kay e companhia conseguiram trazer o futuro e o passado para o mesmo lugar. Eles conseguiram montar uma estética sonora bem sucedida, mesmo depois de um longo hiato. “Automaton” é um sopro de ar fresco para o Jamiroquai, além de ser alegre e excepcionalmente divertido.

Favorite Tracks: “Automaton”, “Cloud 9” e “Something About You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.