Resenha: James Blunt – The Afterlove

Lançamento: 24/03/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Atlantic UK
Produtores: Ryan Tedder, Ed Sheeran, Zach Skelton, Andrew DeRoberts, Teddy Geiger, Daniel Parker, Stephan Moccio, Jay Paul Bicknell, Steve Robson e Martin Terefe.

O quinto álbum de estúdio de James Blunt, “The Afterlove”, foi lançado em 24 de março de 2017. Para um disco que levou quatro anos para ser produzido, é um tanto quanto decepcionante. O repertório possui um total de 10 faixas e uma mistura de pop, EDM e house. Nos últimos anos, Blunt usou o Twitter para se divertir, por isso é estranho que haja um temperamento auto-consciente e uma alma sensível nesse registro. Nas primeiras linhas de “Love Me Better”, por exemplo, ele canta tristemente: “As pessoas falam coisas ruins / Sim, já fui chamado de babaca / Já fui chamado várias vezes”. Esse primeiro single mais parece um chamado de alguém por ajuda, com o apoio de dedilhados de guitarra. Aqui, ele ainda faz referência ao hit “You’re Beautiful”, lançado a 12 anos atrás. No geral, Blunt colaborou com uma série de escritores respeitados, como Ed Sheeran, Ryan Tedder (OneRepublic), Amy Wadge e Johnny McDaid. O resultado é um álbum polido como seria de se esperar, porém, pouco convincente. O próximo single, “Bartender”, é uma música bem escrita, animada e bem-humorada. Entretanto, sem nada de especial a acrescentar. No total, Blunt colaborou com Ed Sheeran em duas faixas: “Make Me Better” e “Time of Our Lives”A primeira é inevitavelmente comercial e cativante, enquanto a segunda é uma balada extremamente confortável. “Lose My Number” o vê mudando de direção, conforme admite, “eu não queria te perseguir”, e apresenta uma voz e percussão sintetizada. Cada faixa do álbum parece ser produzida com intenção de atingir os charts musicais, uma vez que possuem produções dançantes e tropicais. 

Infelizmente, muitas das letras são clichês e inofensivas. “California” tem uma sensação R&B, mas abandona o violão em favor de uma batida eletrônica. “Don’t Give Me Those Eyes” é mais interessante porque abre com um piano e vocais seguidos por boas harmonias e cordas. Da mesma forma, “Someone Singing Along” tem uma grande sensação de relaxamento e uma mensagem positiva, que desvia-se de suas composições usuais. Em suma, James Blunt co-escreveu “The Afterlove” com quase 20 co-escritores diferentes e apresentou uma ampla gama de estilos musicais. É um registro que mantém viva a reputação de Blunt em escrever músicas decepcionantes. Ele continuou em sua zona de conforto e apresentou um disco pouco ousado para o mercado atual. As letras são, em sua grande maioria, clichês e esquecíveis. O repertório fecha com a fraca “Paradise” e prova que esse sequer é o melhor trabalho do cantor. “The Afterlove” é mais uma demonstração de uma escrita segura e pouco sólida. A exploração de elementos EDM mais parece uma tentativa pouco autêntica do cantor em ressurgir pelos charts musicais. Podemos notar isso também nas letras, que mais soam como um jovem adolescente experimentando a primeira paixão. A produção medíocre é outro fator que caminha firmemente ao lado de artistas genéricos. Algumas músicas conseguiram prender minha atenção, mas não tão memoráveis como uma “You’re Beautiful”, a ponto de ficarem presas na cabeça. Em outras palavras, “The Afterlove” é quase inteiramente esquecível e, dificilmente, vai se destacar num mercado saturado como o de 2017.

Favorite Tracks: “Don’t Give Me Those Eyes”, “Someone Singing Along” e “Make Me Better”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.