Resenha: Jake Bugg – Hearts That Strain

Lançamento: 01/07/2017
Gênero: Indie Rock, Country
Gravadora: Virgin EMI
Produtores: Jake Bugg, David Ferguson, Matt Sweeney e Jacknife Lee.

Aparentemente, a música surgiu naturalmente na vida de Jake Bugg, um jovem que aperfeiçoou suas habilidades desde que pegou na guitarra pela primeira vez. Ele foi recompensado em 2011 ao participar do Glastonbury Festival quando tinha apenas 17 anos de idade. O seu auto-intitulado disco de estreia foi lançado no ano seguinte para alto elogio da crítica. Como um cantor precoce, Jake Bugg já lançou o seu quarto álbum de estúdio, chamado de “Hearts That Strain”. A profundidade emocional de suas composições sempre foram além de sua idade, ao passo que ele sempre gostou de expandir o seu som. Gravado em Nashville, ao lado de produtores veteranos como David Ferguson e Matt Sweeney, “Hearts That Strain” possui um calor atraente e grande ênfase nos vocais de Bugg. No geral, o repertório oferece um conjunto de músicas delicadas projetadas para contar diferentes histórias. É um registro inspirado pelo country americano e tendências rockabilly mais maduras. A primeira faixa, “How Soon the Dawn”, oferece um começo imensamente relaxado para o álbum. Aqui, sua voz peculiar e letras sinceras ditam o tom delicado da música, algo reminiscente de canções como “A Song About Love” e “Love, Hope and Misery”.

A grande influência de Nashville é sentida claramente na segunda faixa, “Southern Rain”. A guitarra e o ritmo estabelecem uma distinta sensação country, enquanto a melodia de piano acrescenta mais consistência. “A chuva do sul está aqui para ficar / E você sabe que eu estou pensando em um dia de julgamento nublado”, ele canta no refrão. Mais tarde, a sua requintada capacidade narrativa brilha durante a faixa “In the Event of My Demise”. Uma canção mais escura com linhas de guitarra nervosas e letras sombrias como: “Se você ouvir meu nome / Seja um amigo e por favor se contenha / Estou dizendo que nós éramos amigos / E deixe-os contar suas mentiras / Na ocasião da minha morte”. Em seguida, a melancolia de “Waiting” nos leva de volta à década de 1970. Ao lado de Noah Cyrus, o cantor nos fornece uma canção gentil e incrivelmente soulful. A bela “The Man On Stage” é uma ode destemida criada para exibir a sensibilidade de sua voz e talentos poéticos. Desta vez, o arranjo musical de piano e as cordas orquestrais estão mais volumosos e dão indícios da versatilidade de Jake Bugg. A faixa-título, “Hearts That Strain”, apresenta guitarras mais encorpadas e algumas letras escuras. Enquanto esta canção possui uma sensação verdadeiramente americana, a igualmente corajosa “Burn Alone” é mais orientada para o blues-rock.

Suavemente psicodélica, a faixa “Indigo Blue” contém fortes influências do folk-rock dos anos 60. Uma canção agradável com um piano delicado, guitarras estáveis e expansivos arranjos. Posteriormente, com auxílio de uma percussão intrínseca e fortes cordas, Bugg declara apropriadamente em “Bigger Lover”: “você tem meu coração na minha manga”. Ela possui um pouco da emoção do seu disco de estreia e acrescenta mais profundidade emocional ao registro. A solitária “Every Colour in the World”, por sua vez, possui uma sensação muito mais amarga e triste. Acima das flexões do piano e guitarra, ele afirma: “Estava se encerrando / Desde quando andei lá fora, notei você lá / E que roubou todas as cores do mundo / Não tem cuidado / Seu amor sem moldura apenas me pintou diretamente / Com cada cor única no mundo”. Este álbum é um movimento corajoso e bem sucedido, que tenta pintar o country com as próprias experiências de Jake Bugg. Ele é um músico britânico e sempre manteve os pés firmes em suas raízes. Entretanto, “Hearts That Strain” funciona principalmente por causa de suas influências externas. O som peculiar de seus álbuns anteriores ainda estão presentes, embora seja de forma mais restrita.

Favorite Tracks: “The Man On Stage”, “Indigo Blue” e “Every Colour in the World”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.