Resenha: Jack White – Lazaretto

Lançamento: 10/06/2014
Gênero: Blues Rock, Garage Rock, Rock Alternativo, Country Rock
Gravadora: XL Recordings / Columbia Records
Produtor: Jack White.

Embora tenha participado de outras bandas e colaborado com vários artistas, Jack White é o principal vocalista da banda The Write Stripes. Em 2012, ele lançou o seu primeiro álbum solo, “Blunderbuss”, e recebeu grande aclamação da crítica. Posteriormente, em 10 de junho de 2014, White divulgou o seu segundo álbum de estúdio solo, intitulado “Lazaretto”. White já obteve sucesso crítico e popular, ganhou oito Grammy Awards e os seus dois álbuns solo alcançaram o número #1 na Billboard 200 dos Estados Unidos. As faixas do “Lazeretto” foram inspirados, em grande parte, por contos e peças de teatro escritas por ele quando ele tinha apenas 19 anos de idade. Recentemente, White encontrou esses escritos em seu sótão e retrabalhou em novas letras. Considerado pela revista Rolling Stones como um dos melhores guitarristas de todos os tempos, Jack White conseguiu produzir um álbum liricamente desafiador. Além das letras, ele também foi responsável pelas artes relacionadas ao disco e por sua produção. Ou seja, ele participou de tudo relacionado ao projeto. De fato, Jack White é genial e o “Lazaretto” um álbum realmente incrível. A faixa “Three Women”, introduzida com teclado e guitarras, foi a escolhida pra abrir o registro. Possui riffs matadores, produção impecável e uma contagiante exibição de rock-clássico.

Embora seja uma faixa mais propícia para fechar ao invés de abrir um disco, ela fornece uma sacudida poderosa que transmite muita energia para o ouvinte. Na sequência, temos a faixa-título, “Lazaretto”, uma peça de garage-rock selvagem, psicodélica e surpreendentemente radiofônica. As guitarras estridentes, excelentes batidas e os elementos country casaram perfeitamente com o vocal de Jack White. No final, a canção ainda fornece incríveis violinos que ficam alternando-se de um canal à outro. A bela “Temporary Ground”, por sua vez, traz o country para o centro do palco ao lado dos barulhos típicos da guitarra de Jack White. É uma balada encantadora sobre o compartilhamento de conforto e medo em estreita harmonia com as mulheres. O vocal romântico de White junta-se com um vocal feminino que, elaborados suavemente com o violino, criaram uma da melhores canções do álbum. A gloriosa “Would You Fight For My Love?” é um blues-rock que exala um amor sincero através de um arrepiante coro feminino e agressivo piano. Outra grande composição de White que fala sobre como ele está com medo de se machucar. Ela começa com acordes dramáticos, tons sombrios e, posteriormente, fornece um grandioso refrão. “High Ball Stepper” é uma faixa instrumental estridente feita sob medida, onde não foi necessário o uso de palavras para transmitir os devidos sentimentos.

Em “Just One Drink”, onde ele zomba (“Você bebe água / Eu bebo gasolina”), temos influência dos Rolling Stones e ímpios ecos de guitarra suficientes para fazer Nashville estremecer. A sétima faixa, “Alone In My Home”, é  uma balada muito suave, doce e gentil. O piano energético desta canção é acompanhado por uma letra intrigante, onde Jack White se compara a um fantasma. Em “Entitlement” ele apresenta uma composição sólida e honesta, onde percebemos uma sensação inegável de angústia. Aqui, o rei moderno dos riffs foi muito convincente ao confessar: “Eu não posso pôr-me a tomar sem penitência”. Enquanto isso, “That Black Bat Licorice” é carregada por efeitos estranhos ao mesmo tempo que abre com gargalhadas e vozes femininas sussurrando. Certamente, é uma canção emocionante e a minha favorita de todo o álbum. Notáveis elementos de rock e country estão presentes nessa música, algo forrado por bandolins, guitarras e violinos nervosos. A mágica “I Think I Found the Culprit” é, provavelmente minha segunda canção favorita. Desta vez, White compara o amor ao crime de conspiração juntamente com o seu violão e formidável piano. O álbum finaliza com “Want and Able” que, igualmente a faixa anterior, também é interpretada com auxílio de um piano e violão.

Liricamente, é uma parábola que coloca o desejo contra a ação: “Como eu quero te abraçar e te ver / E sentir você nos meus sonhos / Mas isso não é possível / Algo simplesmente não vai me deixar”. Essa música praticamente evoca a imagem de corvos em uma janela fazendo jus a sua posição de fechar o registro. O resultado de tudo isso é uma coleção extremamente pessoal que mostra Jack White como um músico que não pára de encontrar novos caminhos. O “Lazaretto” tem a energia do blues-rock e a delicadeza do country, e acabou resultando em algo muito bem elaborado e original. White conseguiu fazer com que as onze faixas sejam variadas e ao mesmo tempo completas. O álbum possui harmonias muito bem trabalhadas, onde há espaço suficiente para Jack White mostrar suas habilidades na guitarra. Aqui você encontrará momentos surpreendentes, quase uma coleção de canções da década de 1970 até o ano de 2014. White possui inúmeras habilidades como produtor que foram ainda mais aperfeiçoadas, com auxílio de outros instrumentos, como bateria, piano e violão. Foram tantas ideias comprimidas em apenas onze músicas, que só me fez admirar ainda mais o seu talento como artista. E, para um músico deste calibre, só poderíamos esperar um álbum com uma visão singular e sonoramente intrigante. O “Lazaretto” é um registro excepcional feito por um cara que pode ser realmente considerado uma estrela do rock.

Favorite Tracks: “Temporary Ground”, “That Black Bat Licorice” e “I Think I Found The Culprit”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.