Resenha: Interpol – El Pintor

Lançamento: 08/09/2014
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo, Post-Punk
Gravadora: Matador Records
Produtores: Interpol.

A banda norte-americana Interpol, agora formada por apenas três membros (Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino), lançou o seu quinto álbum de estúdio no dia 08 de setembro de 2014. Interpol sempre foi um grupo muito aclamado pela crítica especializada. Eles são uma das principais bandas associadas ao cenário indie de Nova York e uma das que surgiram a partir do post-punk revival da década de 2000. O álbum de estreia deles, “Turn on the Bright Lights”, foi bastante aclamado pela mídia em geral, enquanto os subsequentes, “Antics” e “Our Love to Admire”, trouxe-lhes ainda mais sucesso comercial e crítico. Agora, depois de um hiato de quatro anos, a banda reaparece com o lançamento do “El Pintor”, disco que sucede o auto-intitulado de 2010. Auto-produzido pela banda e gravado em Nova York, o álbum foi projetado por James Brown, conhecido por seus trabalhos com Foo Fighters, e mixado por Alan Moulder, que já trabalhou para The Smashing Pumpkins e Nine Inch Nails. O título, em espanhol, é um anagrama do nome da banda. Este é o primeiro trabalho da Interpol sem o baixista Carlos Dengler, membro que saiu da banda após o lançamento do álbum homônimo de 2010.

O álbum conta com participações de Brandon Curtis da banda Secret Machines, Rob Moose do Bon Iver e do compositor e multi-instrumentista Roger Joseph Manning, Jr. O primeiro single, “All the Rage Back Home”, começa com uma atmosfera sobrecarregada e letras oblíquas por cerca de 50 segundos. Em seguida, os fortes tambores tomam conta e faz a música ficar dançante e com uma mensagem que define o tom para o restante do disco. É realmente uma música muito coesa, acessível e a melhor do álbum. “My Desire” segue com sintetizadores ambientes conduzidos pela guitarra de Daniel Kessler. Uma faixa sólida, que ainda conta com notas altas do vocalista Paul Banks. Interpol também é conhecido por sua animada bateria e, embora tenha efetuado algumas mudanças em sua formação nos últimos anos, a banda ainda constrói canções com batidas estrondosas. Um bom exemplo disso é “Anywhere”, uma faixa frenética e propulsiva, que permitiu o baterista Sam Forgarino realmente brilhar. Daniel Kessler também se destaca aqui, ao fornecer linhas melódicas e energicamente ágeis de sua guitarra.

Interpol

Até faixas mais lentas, como “Same Town, New Story”, evoluem à medida que progridem e garantem outro bom impacto. Enquanto isso, Banks reflete de forma auto-consciente na letra: “Como se o mundo todo estivesse desmoronando sobre mim”“My Blue Supreme” é mais refrescante que as primeiras faixas, um número mid-tempo sensual com um ritmo bem crescente. Essa chega perto de ter uma estrutura de música pop tradicional, seguindo quase como uma nova fórmula melódica para a banda. A letra treme com a tristeza e coração partido de Paul Banks, mas é, simultaneamente, uma música irresistível (“E esse tipo de merda não cura em uma semana / Embarcando em minha tristeza suprema, embarcando em minha tristeza suprema”). Com Banks agora gravando as partes do baixo, “Everything Is Wrong” tenta mostrar este novo aspecto da banda. E consegue algo muito positivo, pois é um esforço gracioso que utiliza alguns velhos padrões do grupo, tais como a introdução com o baixo, uma tristeza atmosférica, guitarras ansiosas e batidas resistentes. Em seguida, temos “Breaker 1”, faixa que traz um dos vocais mais emotivos de Paul Banks junto da abrasividade sombria da Interpol.

“Ancient Ways”, oitava faixa do disco, possui um dos instrumentais mais interessantes, incluindo as guitarras aprazíveis e os tambores inabaláveis de Sam Fogarino. Aqui, o vocalista amaldiçoa o passado e a resistência ao desenvolvimento e progressão: “Fodam-se as maneiras antigas”. Brandon Curtis assumiu o teclado nas oito primeiras faixas, porém, em “Tidal Wave”, temos Roger Joseph Manning Jr comandando o instrumento. Uma canção que ainda possui um turbilhão de sintetizadores e guitarras cambaleando em seu decorrer. Em “Twice As Hard”, uma faixa com um grande desvio estrutural, temos a presença de Rob Moose do Bon Iver na viola e no violino. Ele cooperou bastante com o tom orquestral e triste da canção. O “El Pintor” é um álbum elegante, minimalista e brilhantemente interpretado. Nas 10 concisas faixas, o grupo traz um pouco da sua assinatura de volta, como as sensações de ameaças, ênfase na melancolia e clímax épicos. Em suma, mesmo não sendo um material tão grande como o “Turn on the Bright Lights” de 2002, os fãs mais devotos da banda com certeza irão ficar satisfeitos com o “El Pintor”. Porque mesmo após uma década, Interpol ainda é capaz de confeccionar músicas excelentes.

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Favorite Tracks: “All the Rage Back Home”, “My Desire”, “Anywhere”, “My Blue Supreme” e “Ancient Ways”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.