Resenha: Ingrid Michaelson – It Doesn’t Have to Make Sense

Lançamento: 26/08/2016
Gênero: Pop, Pop Rock
Gravadora: Cabin 24 / Mom + Pop Music
Produtores: Ingrid Michaelson, Cason Cooley, Katie Herzig, Chris Kuffner e Luke Laird.

Já se passaram dois anos desde que Ingrid Michaelson lançou “Lights Out”, seu registro mais popular. Ele trouxe algumas de suas melhores canções até à data, como as incríveis “Girls Chase Boys” e “Time Machine”. Agora, Michaelson volta a lançar um novo trabalho canalizando novas composições, linguagens e tendências. “It Doesn’t Have to Make Sense” foi lançado em 26 de agosto de 2016 sob o seu próprio selo. Ingrid Michaelson é uma compositora e produtora com uma voz maravilhosamente calmante. Seu mais recente álbum é outra prova do seu talento artístico. As primeiras impressões que o disco passou, através de três canções lançadas anteriormente, foram bem promissoras. Um dos maiores acertos do álbum é a forma como as músicas fluem para criar uma mensagem coesa.

Ele é mais montado na tristeza, dor e perda, tanto que parece um diário íntimo de Michaelson. No último ano, a cantora passou por momentos difíceis e isso acabou refletindo em sua música. Este novo lançamento é o inverso do “Light Out”, pois é principalmente pensativo e triste, com apenas alguns momentos otimistas. Liricamente, Michaelson aborda seu divórcio com o roqueiro Greg Laswell e a morte de sua mãe. Não há excesso de melancolia, porque ela manuseia as coisas com bastante cuidado a partir de sua perspectiva. Ela consegue ser vulnerável e triste sem parecer exagerada ou forçada. O álbum inicia de forma típica com a faixa de abertura “Light Me Up”, um som pop reminiscente do seu disco mais recente, “Lights Out”. É uma canção elétrica, fresca e moderna, com todos os toques de assinatura de Michaelson.

Ingrid Michaelson

Músicas seguintes, tais como “Whole Lot of Heart” e “Another Life” assombram com suas belas melodias e arranjo de cordas ocasionais. Esta última fala sobre o amor através de uma forma muito pessoal, íntima e relaxante. Essa faixa consegue equilibrar-se perfeitamente ao lado de acordes e teclados sem tornar-se desajeitada. “Miss America” apresenta um lado mais dançante, com uma pitada de capacitação em seu conteúdo lírico. É um refrescante momento de diversão, mesmo que sinta-se um pouco fora do lugar. O restante do “It Doesn’t Have to Make Sense” é mais voltado para o estado emocional de Michaelson, após se divorciar e perder sua mãe. É um pouco doloroso, porém, nunca melodramático ou desolador. “I Remember Her” é uma das músicas mais emocionantes de todo o álbum.

Ela fala sobre a perda de um ente querido e como teve que lidar com tudo isso. A performance vocal de Michaelson é incrível, enquanto usa um falsete vulnerável e maravilhosamente bem executado. “I Remember Her” é guiada por uma singela melodia de piano, à medida que a cantora faz uma homenagem a sua falecida mãe. Essa canção carrega uma grande nostalgia, uma vez que menciona memórias de sua infância. Outra canção bem triste aparece logo em seguida, também através do piano. Em “Drink You Gone”, a cantora expressa a dor que sentiu após o divórcio com o ex-marido Greg Laswell. Apesar de triste, esta canção é refrescante porque apresenta uma visão mais diversificada de uma pessoa com o coração partido. Ela é incrivelmente honesta, vulnerável e comovente.

Ingrid Michaelson

Após esse alívio emocional, o álbum percorre um caminho mais enfatizado por melodias otimistas. “Hell No”, o primeiro single do álbum, é provavelmente o número mais cativante do repertório. Seu refrão é alegre, energético e entregue na mesma veia das faixas mais agitadas do disco “Lights Out”. Da mesma forma, “Still the One” fornece palmas ritmadas e vocais divertidos, reminiscentes dos discos “Be OK” e “Everybody”. “Celebrate” segue uma linha parecida, porém, com maior ênfase na guitarra acústica. Sua suave melodia, a base de backing vocals, é perfeita para o verão. O toque final do registro, “Old Days”, retorna a um estilo mais suave, conforme a cantora lida com a passagem do tempo e as mudanças que ela traz.

Mais uma vez, a magia acontece através de belas melodias polvilhadas por cordas de piano e violino. Foi uma ótima forma de terminar o álbum. Esse não é o meu disco favorito da Ingrid Michaelson e nenhuma faixa em particular ficou presa em minha cabeça. Suas músicas não ultrapassaram e nem igualaram o padrão estabelecido por “Lights Out”. Mas, no geral, é um registro muito sólido. Possui um grande valor de produção, arranjos interessantes e algumas grandes canções. É um disco que celebra a beleza dos sentimentos de Michaelson. Ela continua a fazer o que sabe de melhor, navegar em grandes emoções e manifesta-las em suas músicas. “It Doesn’t Have to Make Sense” é um projeto mais escuro, porém, intenso e muito gratificante de se ouvir.

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Favorite Tracks: “Light Me Up”, “Miss America”, “Another Life”, “I Remember Her” e “Hell No”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.