Resenha: Incubus – 8

Lançamento: 21/04/2017
Gênero: Rock Alternativo, Indie Rock, Eletrônica, Pop
Gravadora: Island Records
Produtores: Incubus, Dave Sardy e Skrillex.

De todos os subgêneros que nasceram do rock, o metal é provavelmente o mais difícil para as bandas se livrarem. O nu-metal, por exemplo, era extremamente popular no final da década de 90 e início dos anos 2000. Bandas como Incubus, Limp Bizkit, Linkin Park, Papa Roach e Korn foram muitos populares naquela época. Mas o que fizeram essas bandas depois que o nu-metal decaiu? Algumas evoluíram para algo mais progressivo e alternativo, como o Korn, outras começaram a soar ainda mais datadas, como o Limp Bizkit. Já o Incubus, grupo de Calabasas, Califórnia, formado por Brandon Boyd, Mike Einziger, Jose Pasillas, Chris Kilmore e Ben Kenney, conseguiu sair quase ileso do nu-metal. Eles começaram a explorar um rock alternativo e metal alternativo, com canções mais suaves e melódicas. Entretanto, depois de 2010, a banda tornou-se cada vez mais insegura e lançou muita coisa confusa e genérica. Atualmente, as coisas pioram para a banda, visto que eles parecem estar passando por uma crise de identidade. Depois de um hiato de seis anos, a banda se reuniu novamente para lançar o álbum “8”. Para esse disco, eles recrutaram para a produção nada menos que Skrillex. Apresentando trabalhos de co-produção e mixagem de Skrillex, “8” contém 11 faixas e pouco mais de 40 minutos de duração. Esse registro soa como uma tentativa de misturar os vários estilos da banda, a fim de agradar qualquer pessoa. Apesar de ter algumas ideias que funcionem, no geral é um álbum muito datado e confuso. Nem todas as falhas difundidas do “8” podem ser atribuídas à banda. Porque Skrillex peca completamente pela forma que trabalhou com as texturas das músicas.

Uma das áreas que mais sofreu com isso foram os vocais e bateria. É provável que muitos esqueceram facilmente desse álbum, dada a sua audição entediante. “8” mostra uma banda agarrando-se desesperadamente a um estilo sem qualquer criatividade ou relevância. Não é um disco completamente terrível, mas aparenta ser um trabalho muito apressado e desajeitado. No geral, “8” manteve-se fiel à estética rock do Incubus, com seu som dirigido pela guitarra. Porém, os elementos EDM adicionados por Skrillex não foram eficientes. O guitarrista Michael Einziger sempre foi uma das armas secretas da banda, graças as suas habilidades de efeito. No entanto, sua força foi diluída a uma série de riffs sem graça. Sem dúvida, Incubus é uma banda de rock alternativo, porém, “8” não afirma isso com a devida justiça. Apesar de tudo, isso não quer dizer que não existam algumas músicas de rock alternativo no álbum, como “Familiar Faces” ou “Throw Out the Map”. O álbum abre com “No Fun”, uma faixa com uma sensação divertida por conta de sua simplicidade. Entretanto, em vez de ser única e experimental, ela exala um toque genérico e uma tentativa clichê de ser festiva. O primeiro single, “Nimble Bastard”, é uma música muito melhor em quase todos os aspectos. Embora siga o mesmo estilo de “No Fun”, com sua veia moderna, possui um toque único, bons vocais e fortes tons de guitarra. Dito isto, percebo que “8” passa muito tempo desviando-se do rock alternativo e indo em direção a um som pop moderno, com um ou outro trabalho de guitarra interessante.

“Undefeated” é um bom exemplo disso, uma vez que até mesmo a guitarra de Einziger soa esquisita e dissonante. Nem a boa gama vocal de Brandon Boyd consegue evitar a mediocridade dessa música. Da mesma forma, “Loneliest” é eletronicamente orientada e peca pela falta de alguma energia real da banda. Aqui, o Incubus parece que foi sacrificado em prol da modernidade e de várias texturas digitais. “State of the Art” e “Glitterbomb” são duas músicas que compartilham de elementos de rock e possuem uma maior sensação do som tradicional da banda. Porém, elas também caem numa direção pop e ficam aquém do esperado. “Love in a Time of Surveillance”, por sua vez, começa com um riff poderoso, antes de mergulhar em um som abafado e nebuloso. Essa música provavelmente tem a participação mais interessante de Jose Pasillas no álbum. Na sequência, “Make No Sound in the Digital Forest” altera o ritmo, com uma faixa instrumental influenciada por uma fusão desconcertante. Por fim, a banda consegue retornar às suas raízes iniciais com “Throw Out the Map”. “8” não é um disco tão aborrecido quanto o “If Not Now, When?” (2011), mas falha dolorosamente na instrumentação e escrita. Incubus jogou por um lado relativamente seguro, na esperança de atrair mais ouvintes. Consequentemente, “8” sofre pela ausência de uma ideia e falta de interesse no processo criativo. Tudo, desde os instrumentais até a capa insossa, mostra a falta de inspiração na criação desse álbum. Incubus pode não ser uma banda inovadora, mas antes eles pelo menos tinham alguma personalidade.

Favorite Tracks: “Nimble Bastard”, “State of the Art” e “Love in a Time of Surveillance”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.