Resenha: In Flames – Battles

Lançamento: 11/11/2016
Gênero: Metal Alternativo
Gravadora: Eleven Seven Music / Nuclear Blast
Produtor: Howard Benson.

In Flames é uma banda sueca de heavy metal, formada pelo guitarrista Jesper Strömblad em 1990 em Gotemburgo. Atualmente, ela é composta por Anders Fridén, Björn Gelotte, Niclas Engelin e Joe Rickard. Junto com as bandas At the Gates e Dark Tranquility, In Flames foi originalmente uns dos atos responsáveis por desenvolver o gênero agora conhecido como death metal melódico. Quando uma banda muda de estilo e som, ela pode acabar sendo polarizada. In Flames teve essa experiência com seus fãs, conforme o seu som cresceu mais acessível ao longo dos últimos anos. Quando uma banda muda seu estilo tão radicalmente, ela acaba deixando sua fã base incrivelmente dividida. No início de sua carreira, In Flames foi inovador no movimento death metal melódico, mas acabou evoluindo para algo mais mainstream. Sua longevidade, que estende-se por mais de 26 anos, adicionou uma maturidade e refinamento à sua abordagem sonora. Mas, sua inclinação para algo mais mainstream, em uma tentativa de expandir seu apelo sonoro, foi recebida com desdém por muitos ouvintes. Enquanto seus últimos álbuns afastaram-se do death metal melódico que construiu sua reputação, não há como negar que In Flames continua sendo uma importante banda no cenário metal. Com seu décimo segundo álbum de estúdio, “Battles”, os membros do In Flames continuam crescendo como compositores.

Para sua produção, a banda recrutou o produtor indicado ao Grammy Howard Benson. Ele ajudou a focar e dinamizar suas músicas e conseguiu obter o melhor desempenho melódico da carreira de Anders Fridén. “Battles” contém muitas melodias poderosas, além de momentos notavelmente intensos. Cada faixa do disco é agradável, com pesadas guitarras, bateria contundente e melodias acentuadas. As músicas foram escritas por Friden e o guitarrista Björn Gelotte que, junto com Niclas Engelin, fornece uma infinidade de riffs memoráveis. Depois de uma curta introdução atmosférica, In Flames desencadeia seu som furioso na alta faixa de abertura, intitulada “Drained”. Há vários momentos espalhados pelo álbum que são verdadeiramente emocionantes e “Drained” é um deles. Riffs ferozes e a assinatura vocal de Fridén guiam a música para um refrão enfático. A banda sempre teve a capacidade de criar refrões infecciosos através de suas melodias e com esse álbum não foi diferente. À medida que “The End”, primeiro single do álbum, entra em ação, tudo fica ainda melhor. Uma canção fundida com riffs esmagadores, pontes melódicas harmonizadas nas guitarras e um refrão radio-friendly. “The End” prova que esse disco é outro projeto bastante acessível. “Battles” contém alguns dos ganchos mais infecciosos da longa carreira da banda.

Além de “The End”, faixas como “Like Sand”, “Here Until Forever” e “Save Me” também são um dos números mais cativantes já escritos por eles. Algumas tendências modernas vão desapontar os fãs que procuram algo próximo das raízes da banda. Entretanto, se o ouvinte olhar para fora das técnicas de produção, vai encontrar ganchos insanamente potentes. “The Truth”, um dos singles lançados anteriormente, é uma das mais fortes músicas do registro. O ritmo constante de Niclas Engelin mantém a batida consistente, antes da faixa explodir num refrão eufórico arrepiante. Enquanto a maioria das faixas vão contra às raízes da banda, canções como “In My Room” e “Through My Eyes” atingem um bom equilíbrio do que In Flames tentou alcançar criativamente na última década. Enquanto “In My Room” exibe ótimos licks de guitarra, “Through My Eyes” mistura seu passado com tendências modernas. Essa canção possui riffs insanos e contrabaixo de bateria durante os versos, que fundem-se com a memorável melodia no refrão. “Before I Fall” mostra algum potencial através de uma introdução bem construída. Apesar dos vocais sentirem-se um pouco fora do lugar, a canção possui um saboroso solo de guitarra.

Algumas músicas mais pesadas são encontradas na segunda metade do álbum, incluindo “Battles” e “Underneath My Skin”. Elas são bem contrastadas pela música mais longa do disco, “Wallflower”. Os sete minutos dessa faixa são dinâmicos e diversificados com uma vibração industrial. Os versos trazem o ritmo para baixo, até que o refrão explode com sua melodia crescente. “Wallflower” é sem dúvida uma das músicas mais maduras encontradas por aqui. In Flames evoluiu ao longo dos anos, para melhor ou pior, dependendo do seu ponto de vista. O foco da banda mudou e, depois de 12 álbuns, eles alcançaram um certo nível de conforto. “Battles” é um álbum sólido que foi cuidadosamente criado, tanto que é o material mais forte da banda em anos. A força do seu repertório reside nos vocais melódicos de Fridén e nos insanos riffs de guitarra. Com esse disco, In Flames deixou suas influências de nu-metal para trás e encontrou um estilo que mistura suas raízes com algo mais atual. Embora existam momentos maçantes ao longo do registro, também há muitos momentos agradáveis. Certamente, “Battles” não vai abrir novos caminhos para a banda, mas não deixa de ser um álbum sólido e convincente. É um disco que mostra onde In Flames está no momento, conforme eles optaram por abordar um som mais limpo. Em última análise, digo que “Battles” mostra o som do In Flames após 26 anos de sua estreia.

Favorite Tracks: “Drained”, “The End” e “Battles”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.