Resenha: Imagine Dragons – ƎVOLVE

Lançamento: 23/06/2017
Gênero: Pop Rock
Gravadora: Interscope Records / KIDinaKORNER
Produtores: Alex da Kid, Joel Little, Mattman & Robin, John Hill, Tim Randolph e Jayson DeZuzio.

“Radioactive” é uma das canções mais memoráveis dessa década. Com certeza, você já ouviu essa música em algum lugar, seja na rádio, internet ou algum comercial. Mas, não seria correto dizer que a Imagine Dragons acompanhou o mesmo sucesso de “Radioactive” e seu álbum de estreia, “Night Vision” (2012). A banda, formada em Nevada, já se tornou um nome familiar no mainstream. “Night Vision” fez um enorme sucesso comercial e colocou a banda no centro das atenções. Em 2017, Imagine Dragons, composta por Dan Reynolds, Wayne Sermon, Ben McKee e Daniel Platzman, retornou com um novo álbum. Intitulado “Evolve”, é uma coleção de onze músicas produzidas pela própria banda, juntamente com Alex da Kid, Joel Little e Mattman & Robin. Essa mistura de diferente produtores criou um som meio bipolar que, de alguma forma, é muito radiofônico. Nesse álbum, o grupo parece mais otimista em comparação com os discos anteriores, mais particularmente o “Night Vision”. Eles estão de volta às suas raízes pop-rock com sucessos de rádio, como “Believer” e “Thunder”.

Enquanto nenhuma dessas duas canções possuem refrões inventivos, fornecem bons instrumentos eletrônicos e vocais elevados de Dan Reynolds. A habilidade de Reynolds de começar uma música com tons sutis e, posteriormente, bater fortemente com os rígidos instrumentos, mostra o quanto a sua voz tem um grande alcance. Imagine Dragons afirmou que “Evolve” é uma evolução, como o próprio nome sugere. Porém, na verdade, eles não foram longe do seu território de costume. A banda sequer empurrou os seus limites para fora de sua zona de conforto. Apesar deles terem prometido uma evolução, “Evolve” simplesmente entrega o mais do mesmo. Eles só fizeram alguns ajustes sutis aqui e ali, e apresentam uma maior ênfase no piano e bateria, a fim de garantir um acabamento mais moderno. Mesmo sendo talentosos e com uma boa musicalidade, Dan Reynolds e companhia somente lembraram os fãs o que a Imagine Dragons costuma fazer. O álbum abre com os teclados agudos de “I Don’t Know Why”, uma faixa decididamente radio-friendly.

Ela começa a evoluir energeticamente e mostra um grande entusiasmo, algo típico nas músicas da banda. É uma canção mais pop orientada, com apenas alguns lances espontâneos de guitarra. Ademais, ela contém uma bateria sem brilho durante toda a sua execução, e uma melodia eletrônica jogada juntamente com os vocais. Ela lembra muito pouco o seu primeiro álbum, que, embora desarticulado, pelo menos tinha boas raízes pop-rock. “I Don’t Know Why” não é uma música completamente ruim, mas, certamente, é pouco atrativa. A segunda faixa, “Whatever It Takes”, possui um conteúdo mais pessoal e profundamente emocional, apesar de não proporcionar uma escuta deprimente. Ela possui inesperados elementos de hip-hop, graças a percussão e entrega vocal. Não é uma faixa de grande qualidade, mas pelo menos traz um trabalho na guitarra e insere algumas harmonias bem combinadas. Apesar de ser um pouco diferente, “Whatever It Takes” ainda apresenta os tons de assinatura da banda. O seu sentimento geral, por exemplo, parece muito com o de “Radioactive”.

O primeiro single, “Believer”, é a Imagine Dragons tradicional por excelência e de uma maneira incrivelmente cativante. Ela tem uma vibração grandiosa e um sentimento autêntico pelo qual eles são tão conhecidos. A batida é estilisticamente mais animada do que o ritmo habitual, graças aos tambores assassinos. Um pouco reminiscente de algumas faixas do passado, como a fenomenal “Radioactive”, este é um número igualmente radio-friendly e infeccioso. “Believer” é carregada por uma linha de baixo estruturada, aplausos percussivos e acordes staccato capturados de uma discreta guitarra. Dito isto, no geral, ela fornece uma energia que você esperaria de uma banda de pop-rock. “Walking the Wire” não é fundamentalmente diferente, se comparada com o passado da Imagine Dragons. Ela tem um som alternativo atual, gerado através da mistura de um piano eletrônico e bons riffs de guitarra. Em suma, o refrão é naturalmente alto e conduzido por uma bateria simplista. A próxima faixa, “Rise Up”, tenta usar a mesma fórmula de sucesso de “Radioactive” e “Demons”, mas falha drasticamente.

Ela lembra muito o som apresentado no seu álbum de estreia, pois captura os golpes de bateria de Daniel Platzman, a guitarra principal de Wayne Sermon e os elevados vocais de Reynolds. No entanto, o instrumental é completamente estagnado. A maior parte do registro é bastante previsível, mas “Rise Up” se superou nesse quesito. Semelhante a “Walking the Wire”, mas sem o mesmo nível de positividade, “I’ll Make It Up to You” segue pela mesma veia dos relacionamentos. Sonoramente, ela oferece uma vibração pop-rock oitentista, graças à sua linha de baixo, riffs de guitarra, piano e rajadas de sintetizadores no refrão. “Yesterday”, por sua vez, contém uma sensação experimental e mais inclusão de elementos eletrônicos. Conceitualmente, é uma canção intrigante, mas, por outro lado, possui uma execução questionável, estranha e pouco convincente. De qualquer maneira, é um esforço que merece ser aplaudido pela mudança de ritmo. Apesar de “Mouth of the River” ser bem produzida, ela não é necessariamente memorável ou interessante. Em contrapartida, “Thunder” é uma adição mais respeitável, radiofônica e incrivelmente viciante.

Sonoramente, ela está mais alinhada à músicas anteriores da banda. Ademais, possui fortes influências EDM e várias amostras eletrônicas auxiliando Dan Reynolds. A faixa seguinte, “Star Over”, possui uma sensação caribenha, onde a incorporação de uma flauta compensa o refrão preguiçoso. Infelizmente, os vocais estão simplistas e colocados sobre uma batida tribal sem graça. Honestamente, é difícil ver algo por trás dessa música, além da necessidade de seguir por certas tendências atuais do mainstream. Na sequência, Reynolds tenta terminar o álbum com uma nota sensual, chamada “Dancing In the Dark”. Uma balada restrita, com uma paleta sonora ligeiramente irritante e muitos efeitos vocais. Embora Imagine Dragons não tenha sido a banda mais original do mundo quando surgiu em 2012, pelo menos ela manteve um senso de identidade. Mas, infelizmente, no “Evolve” o grupo parece ter perdido o seu foco e senso de direção. “Evolve” foi gravado no estúdio homônimo da banda em Las Vegas e, depois de oferecer um repertório em grande parte inesquecível, o que nos resta é esperar um novo álbum e uma evolução real.

Favorite Tracks: “Whatever It Takes”, “Believer” e “Thunder”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.