Resenha: Iggy Azalea – The New Classic

Lançamento: 21/04/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap, EDM, Trap
Gravadora: Island Records / Virgin EMI
Produtores: The Invisible Man, The Arcade, 1st Down, The Messengers, Watch the Duck, Stargate e Reeva & Black.

Amethyst Amelia Kelly, mais conhecida por Iggy Azalea, lançou em abril o “The New Classic”, o seu primeiro álbum de estúdio. A rapper e modelo australiana de 24 anos cita Missy Elliott e Tupac Shakur como suas maiores influências musicais. Antes do álbum ela chegou a lançar três singles oficiais antes de estourar com o hit “Fancy” ao lado de Charli XCX. A canção ficou sete semanas na primeira posição dos Estados Unidos, foi eleita a música do verão pela Billboard e já ultrapassou a marca de 3,5 milhões de cópias digitais vendidas. O “The New Classic” vendeu 52 mil cópias na primeira semana, estreou na terceira posição da Billboard 200 e, até setembro, já vendeu mais de 325 mil cópias apenas em território norte-americano. Iggy descreveu o álbum durante sua turnê europeia como “Muito eletrônico e de alta energia, vou falar mais sobre minha história, de onde sou e coisas sobre mim”. No geral, a mídia criticou o desenvolvimento da sua voz como se ela tentasse imitar o sotaque norte-americano e que os seus singles mal se assemelham com o verdadeiro hip-hop.

No entanto, apesar de suas letras não serem lá grande coisas, o álbum tem bons instrumentais e batidas bem chamativas. Em 2014 ela conseguiu um bom espaço na mídia e, provavelmente, vai se manter forte no mercado mainstream, principalmente agora que o seu nome soa bem familiar e conhecido. O “The New Classic” é um disco bem ambicioso e, mesmo não sendo sonoramente inovador, possui algumas faixas espetaculares. Ele começa com a faixa “Walk the Line”, a canção melhor adequada para abrir o disco, pois apesar de ser bastante agressiva e decidida, é mais reservada que as demais. Aqui, Azalea fala de forma convincente sobre as dificuldades que passou para chegar ao topo. Sua letra autobiográfica é alimentada por fortes batidas e um refrão totalmente melódico. Seguindo a mesma vibe, “Don’t Need Y’all” alimenta o ego da rapper falando sobre como ela conseguiu se reerguer sozinha nos Estados Unidos e como passou a ser tratada depois de ganhar notoriedade na mídia. É, provavelmente, a canção menos comercial e a que tem a proposta mais introspectiva do álbum.

A faixa “100”, com a participação de Watch the Duck, possui um solo de violão remixado, uma letra cheia de atitude e um grudento refrão. Enquanto isso, “Change Your Life” em colaboração com o rapper T.I., é uma faixa bem sensual e charmosa que foi lançado como terceiro single. O seu arranjo eletrônico e o pré-refrão são um dos mais atraentes de todo o disco. Ainda contém fortes batidas e elementos de dubstep que auxiliaram na construção de uma música bem radiofônica. “Fancy”, por sua vez, fez o papel de smash hit do álbum, sendo bem estruturada e cativante o suficiente para agradar a todo tipo de público. Tem tudo para se tornar um verdadeiro clássico, visto que tem um instrumental excelente, uma participação essencial da talentosa Charli XCX e um criativo videoclipe. É, definitivamente, aquele tipo de música que invade facilmente a mente do ouvinte, por conta do refrão grudento e da boa jogada de palavras de Iggy Azalea. “New Bitch”, por sua vez, inicia calma, mas depois nos entrega excelentes batidas eletrônicas e um refrão totalmente viciante.

Iggy Azalea

Os versos mais calmos combinaram muito bem com o ritmo do instrumental e a ostentação da letra. Em seguida, temos a melhor canção do álbum: “Work”. Com suas maravilhosas batidas EDM, esse trap impressiona principalmente por causa da sua incrível introdução e o viciante refrão. A letra, assim como “Walk the Line”, fala um pouco sobre como foi sua luta para se tornar o que é atualmente. A letra de “Impossible Is Nothing” trata-se da atual Iggy Azalea dando conselhos para ela mesma quando mais nova. O refrão da música diz: “Keep on living, keep on breathing / Even when you don’t believe it / Keep on climbing, keep on reaching / Even when this world can’t see it”. Musicalmente, essa canção é bem mais calma e monótona que as demais. Apesar de não conter nada de memorável, o saldo final é positivo, pois transmite uma honestidade e uma boa mensagem por trás. “Goddess” e sua produção quase impecável, cheia de solos de guitarra elétrica e uma percussão crescente, é outro destaque. Aqui, Iggy Azalea criou algo realmente inusitado e que sem dúvidas chama atenção pela sua qualidade.

É uma canção viciante que mistura muito bem o rap de Azalea – “Bow down to a goddess, bow down to goddess” – com uma sonoridade eletrônica. “Black Widow”, em colaboração com a cantora Rita Ora, possui escritas adicionais de Katy Perry e é aquele tipo de música que, literalmente, grita por sucesso comercial. Iggy Azalea marca sua presença com versos que falam sobre mulheres enfurecidas ao serem desprezadas, enquanto Rita Ora canta o delicioso refrão, que termina em um trap contagiante, que nos remete inclusive à Dark Horse de Perry. “Lady Patra”, com participação de Mavado, possui uma ótima produção influenciada por dancehall, porém, com poucos versos e um refrão bem repetitivo. Nessa faixa, Iggy fala sobre como era cantar em bares antes do sucesso, enquanto os vocais de Mavado, conseguem dar um tom agradável para a canção. As batidas pesadas, nervosas e a sensualidade de Iggy em “Fuck Love”, encerram dignamente o disco. O refrão grudento é o ápice dessa frenética faixa, que possui um ritmo acelerado e incessante.

A versão deluxe do “The New Classic” ainda conta com mais três boas faixas: “Bounce”, que foi lançada como single em 2013, “Rolex” e “Just Askin'”. Com uma série de bons singles em seu currículo, um punhado de performances em festivais e colaborações de bom gosto, não é surpreendente que o nome de Iggy Azalea esteja se tornando cada vez mais familiar. O álbum dela teve vários atrasos antes de seu lançamento oficial e sofreu com o baixo desempenho de seus singles antes de decolar com “Fancy”. O “The New Classic” não é um novo clássico como o nome sugere, no entanto, não é um material qualquer ou ruim como alguns acham que seja. A rapper australiana conseguiu criar um disco que excedeu as expectativas, com muitas canções pegajosas e convincentes, provando que Iggy Azalea ainda continuará nos holofotes em torno de um longo período. Portanto, você provavelmente ainda vai ouvir muito as canções da australiana, seja na rádios, internet ou TV, então não esqueça o nome dela. “Who dat? Who dat? I-G-G-Y!”

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Favorite Tracks: “Change Your Life (feat. T.I.)”, “Fancy (feat. Charli XCX)”, “Work”, “Goddess” e “Black Widow (feat. Rita Ora)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.