Resenha: Hurts – Desire

Lançamento: 29/09/2017
Gênero: Synthpop, Soul
Gravadora: Columbia Records
Produtor: Hurts.

O duo Hurts invadiu o cenário synthpop em 2010 ao lançar o seu primeiro álbum de estúdio. Adam Anderson (sintetizador) e Theo Hutchcraft (vocais) ganharam reconhecimento na Europa, especificamente Reino Unido e Alemanha, com faixas escuras que incluía “Better Than Love”, “Wonderful Life” e “Stay”. Formado em 2009, em Manchester, Inglaterra, Hurts já lançou quatro álbuns de estúdio. O último deles, “Desire”, foi divulgado recentemente em 29 de setembro de 2017 pela Columbia Records. Este novo registro vê o duo num cenário synthpop mais animado e dançante, uma direção musical adequada para eles. Mesmo possuindo os mesmos traços dos discos anteriores, “Desire” se diferencia em determinados pontos. Enquanto a produção foi bem polida, o repertório mescla o synthpop do duo com uma sensibilidade soul e R&B. O registro abre com as vibrações otimistas do primeiro single, intitulado “Beautiful Ones”. Uma canção incrivelmente doce e infecciosa que questiona por que as pessoas se preocupam tanto com a felicidade e expressão dos outros. “Não fique envergonhado / Querido, um dia isso vai desaparecer / Então coloque seu casaco, dê-lhes um show / Deixe-os desesperados para serem você”, Theo Hutchcraft canta. Através de um refrão cativante, Hurts combina elementos modernos e tradicionais da música pop.

A principal mensagem por trás desta música é que, enquanto você permanecer fiel a si mesmo, estará fazendo o que é certo. O segundo single, “Ready to Go”, é outra canção doce reconfortavelmente mais animada e eufórica. Desta vez, Hutchcraft fornece vocais mais divertidos em contraste com o som disco e synthpop. Em seguida, há um movimento divertido sobre a mid-tempo “People Like Us”, cujo atraente refrão é entrelaçado com melódicos interlúdios instrumentais. Sem comprometer a integridade pop do duo, esta faixa fornece elementos mais sinfônicos e acentuados. A orquestrada “Something I Need to Know” provoca uma mudança de ritmo e humor no repertório, ao passo que Hutchcraft fornece letras trágicas que tentam amortizar certas falhas. “Eu não vou mentir / Eu sabia o tempo todo / Mas esta é a sua chance / Para provar que estou errado / Então me diga antes de eu ir / Há algo que eu preciso saber?”, ele canta com apoio do piano. A quinta faixa, “Thinking of You”, é outra que deve ter despertado o interesse dos fãs da dupla. Um número surpreendentemente funky com fortes influências dos anos 80, conduzida principalmente por tambores, guitarras e sintetizador. A próxima faixa, “Wherever You Go”, provoca uma ligeira desaceleração no ritmo do álbum. Outra faixa infecciosa, com melodias familiares, fortes tambores e uma natureza triste, embora não necessariamente sombria.

Lançada como terceiro single, “Chaperone” é um número jazzístico e R&B que exala um sentimento de nostalgia. Uma canção encantadora e minimalista construída com base no piano e letras que, provavelmente, farão você sorrir. Enquanto as funky “Boyfriend” e “Walk Away” provocam um forte aceno para a década de 80, a melodramática “Wait Up” e o seu saxofone podem ser considerados uma homenagem para George Michael. Após a soulful “Spotlights” e a poderosa balada “Hold on to Me”, o duo encerra o álbum com os sentimentos de “Magnificent”. Conduzida pelo piano e acordes de guitarra acústica, a letra parece expressar o atual estado da dupla: “Pois nós não tínhamos nada a provar / Nem tínhamos nada a perder / É aqui o nosso lugar / Então dê uma olhada em volta / É tão magnífico / Esse nosso amor / É algo brilhante / Então feche seus olhos de novo / E espero que os fogos de artifício nunca se apaguem”. Quatro álbuns em oito anos, Hurts definitivamente continua trabalhando para levar sua música para outro nível. Eles são, certamente, um dos principais atos contemporâneos da música synthpop britânica. Hurts cavou profundamente em seu novo registro ao oferecer letras honestas e incrivelmente emocionais. “Desire” mostra que o duo pode justapor o seu pop bem-humorado e edificante com melodias menos joviais. Embora não seja um álbum excelente ou inovador, é um material mainstream executado de forma convincente.

Favorite Tracks: “Beautiful Ones”, “Something I Need to Know” e “Thinking of You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.