Resenha: Hunter Hayes – Storyline

Lançamento: 06/05/2014
Gênero: Country
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Dann Huff e Hunter Hayes.

O jovem cantor, compositor e multi-instrumentista Hunter Hayes, lançou recentemente o seu segundo álbum, sob o título “Storyline”. A escolhida como primeiro single foi “Invisible”, canção apresentada no 56th Grammy Award. Até o momento, sua música mais famosa é “Wanted”, do seu primeiro auto-intitulado álbum, que já ultrapassou a marca de 3,5 milhões de cópias digitais vendidas apenas nos Estados Unidos. O disco estreou em #3 na Billboard 200 vendendo 69 mil cópias na primeira semana e assim como no seu debut álbum, Hayes co-escreveu e co-produziu todas as canções com apoio da sua banda de turnê e do guitarrista Paul Franklin. Depois de escrever mais de 60 músicas, Hayes escolheu 14 faixas para formar o álbum, optando pelas que melhor representavam o que ele queria dizer para o seu público. Dessa forma, com o “Storyline”, ele provou não apenas com o conteúdo, mas também com a confiança vocal que é muito experiente e maduro musicalmente para a sua idade. As quatro primeiras faixas, por exemplo, são belas canções de amor repletas de emoções e letras apaixonadas.

A primeira delas é “Wild Card”, faixa que abre energicamente com guitarras agressivas, boas harmonias e muito otimismo. Essa canção demonstra um bom compromisso do cantor perante a composição, que fala sobre encontrar alguém pela primeira vez e sentir como se o encontro de ambos fossem a melhor coisa que já aconteceu. “Baby you’re my wild card / My perfect little twist of fate / “You’re my first spark, shot in the dark / Favorite part of everything”, canta ele no entusiasmado e ótimo refrão. “Wild Card” é realmente uma música bem alegre e acelerada, que deixa claro a grande energia que Hayes transmite na interpretação das suas músicas. Na faixa-título, “Storyline”, ele anseia estabelecendo uma ideia profundamente inocente de jovens apaixonados. Mantém o bom ritmo durante toda a execução, permanecendo rápida todo o tempo e revelando uma importante influência musical, o igualmente talentoso Keith Urban. Aqui, o cantor também demonstra sua potência vocal e utiliza um bandolim que dá um toque bem agradável à música.

“Still Fallin” é enfatizada como um compromisso à moda antiga e previsivelmente diminui um pouco o ritmo agitado do disco. Hayes ostenta o seu radiante vocal, e mesmo que não seja tão memorável, demonstra bastante potencial nessa doce balada. Com toque de maturidade e uma letra poética, fala sobre como uma relação continua forte mesmo depois de muito tempo. A faixa seguinte é “Tattoo”, uma canção que explode com uma série de toques de bandolim, muito semelhantes à sua canção “I Want Crazy”. É uma das melhores canções do álbum, que soa bem pessoal e uma forte candidata para tocar nas rádios. O primeiro single, “Invisible”, possui uma abordagem muito simpática e atraente. Sua estrutura é construída com guitarras, piano e uma mensagem de capacitação extremamente significativa. Sua letra é vulnerável e carrega uma emoção muito poderosa por trás, uma excelente balada para aqueles que estão se sentindo perdidos e sem uma esperança de futuro. Logo depois, temos uma “Interlude” que prossegue com um conjunto de cordas típicas de música country.

Hunter Hayes

Não é de vital importância a colocação dela no repertório, entretanto, é uma boa pausa para prosseguir depois da pesada e inspiradora “Invisible”. Em seguida, temos a faixa “You Think You Know Somebody”, uma canção maravilhosamente ambiciosa no sentido do cantor tentar invocar o rock. Talvez pode transmitir uma pequena crise de identidade, porque vem logo depois de várias faixas doces de pop e country. De qualquer forma, foi uma música bem-vinda ao disco, porque é bem interpretada e provavelmente a coisa mais pesada que Hayes já fez. “Flashlight” é outro desempenho forte do jovem cantor, que fornece uma bela sonoridade construída gradualmente através de um ritmo cativante e sólido. “When Did You Stop Loving Me” tem uma pequena influência de John Mayer, elementos de blues e toques sutis de country. Apesar de não ser infantil, há uma inocência inegável na letra e uma linda simplicidade nos vocais.

Depois do segundo interlúdio intitulado, “…like I was saying (Jam)”, temos a faixa “Secret Love”. Uma música que não possui nenhuma reinvenção ou algo de novo, porém, impressiona pela composição simplista e o viciante refrão country-pop: “Secret love, all the things we do / For secret love, baby me and you…”. Hayes também teve a oportunidade de demonstrar suas habilidades na guitarra, em uma música perfeita para terminar um set ao vivo. Em “Nothing Like Starting Over” ele definitivamente abraça o mundo pop com um refrão pegajoso, no entanto, em comparação com as melhores músicas do álbum, essa fica um pouco abaixo. Uma mid-tempo onde Hayes conta que não há nada melhor do que escrever uma nova página em sua vida. “If It’s Just Me”, por sua vez, possui uma abordagem mais leve, entretanto, ao mesmo tempo é bem elétrica e construída a partir de guitarras. Em seguida, “Love Too Much” fecha o álbum lentamente e em um tom mais reflexivo. O suave piano e a valsa docemente triste mostra que o objetivo do cantor não é apenas produzir hits, mas também músicas que inspiram quem as ouve.

Deste “Wild Card” até a triste “Love Too Much”, Hunter Hayes revela uma sofisticada diversidade, principalmente em suas letras. Ele acrescentou uma textura interessante para este álbum, adicionando dois interlúdios (uma instrumental e “Jam”), que servem para preparar o ouvinte para as próximas faixas. Também colocou espertamente muitos arranjos limpos nas músicas, que com uma boa dose de otimismo nas letras, fez o “Storyline” se distinguir um pouco do seu álbum de estreia. É um registro sólido que visa não só alcançar os jovens fãs da música country, mas também agradar os fãs mais maduros do gênero. As canções emocionantes e inspiradoras, que ele nos ofereceu neste trabalho, são realmente muito interessantes e criativas. É absolutamente um álbum completo para quem procura canções bem escritas acompanhadas de ritmos cativantes. Os fãs mais tradicionais de country podem lamentar por causa da sua sensibilidade e apelo pop, mas para quem não se importa, é um material que proporciona momentos bem agradáveis.

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Favorite Tracks: “Wild Card”, “Invisible”, “You Think You Know Somebody”, “Secret Love” e “Nothing Like Starting Over”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.