Resenha: Hunter Hayes – Storyline

Lançamento: 06/05/2014
Gênero: Country
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Dann Huff e Hunter Hayes.

O jovem cantor, compositor e multi-instrumentista Hunter Hayes lançou recentemente o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Storyline”. Até o momento, sua música mais conhecida é “Wanted”, faixa do seu primeiro auto-intitulado álbum, que já ultrapassou a marca de 3,5 milhões de cópias digitais vendidas apenas nos Estados Unidos. Assim como no seu debut álbum, Hayes co-escreveu e co-produziu todas as faixas do repertório com apoio da sua banda de turnê, do guitarrista Paul Franklin e do produtor Dann Huff. Depois de escrever mais de sessenta músicas, Hayes escolheu quatorze para formar o álbum, optando por aquelas que melhor representavam o que ele queria dizer para o público. Dessa forma, com este registro ele provou, não apenas com o conteúdo, mas também com a confiança vocal, que é muito experiente e maduro musicalmente para a sua idade. As quatro primeiras faixas, por exemplo, são belas canções de amor repletas de emoções e letras apaixonadas. A primeira delas, “Wild Card”, abre energicamente com agressivas guitarras, boas harmonias e muito otimismo. Essa canção demonstra o bom compromisso do cantor perante a composição, que fala sobre encontrar alguém pela primeira vez e sentir como se o encontro de ambos fossem a melhor coisa que já aconteceu. “E baby, você é o meu coringa / Minhas lágrimas pequenas e perfeitas para se desvanecer / Você é o meu primeiro fogo que eu tiro no escuro / Febre parte do meu tudo”, ele canta no entusiasmado refrão.

“Wild Card” é realmente uma música muito gostosa e acelerada, que deixa claro a grande energia que Hayes transmite na interpretação de suas músicas. Na faixa-título, “Storyline”, ele anseia estabelecendo uma ideia profundamente inocente sobre jovens apaixonados. Ela permanece rápida durante toda a execução e revela uma importante influência musical do cantor, o igualmente talentoso Keith Urban. Aqui, além de mostrar sua potência vocal, Hayes utiliza um bandolim que dá um toque bem agradável à música. “Still Fallin” é enfatizada como um compromisso à moda antiga e previsivelmente diminui um pouco o ritmo agitado do registro. Hayes ostenta um radiante vocal e, mesmo que não seja tão memorável, demonstra bastante potencial nessa doce balada. Com um toque de maturidade e letra poética, ele explora uma relação que continua forte mesmo depois de muito tempo. A faixa seguinte, “Tattoo”, é uma canção que explode com uma série de toques de bandolim muito semelhantes à canção “I Want Crazy”. O primeiro single, “Invisible”, por sua vez, possui uma abordagem mais simpática e atraente. Sua estrutura é construída por guitarras, piano e uma mensagem de capacitação extremamente significativa. Liricamente, é um número vulnerável que carrega poderosas emoções para aqueles que estão sentindo-se perdidos e sem uma esperança de futuro. Logo depois, temos um curto interlúdio que apresenta um conjunto de cordas típicas da música country.

Aparentemente, sua inclusão não é de vital importância, embora seja uma boa pausa para prosseguir depois de uma balada pesada e inspiradora como “Invisible”. Em seguida, temos uma canção maravilhosamente ambiciosa chamada “You Think You Know Somebody”. Inspirada pelo rock, ela transmite uma pequena crise de identidade, principalmente por vir logo depois de várias doces faixas de country e pop. De qualquer forma, é uma faixa muito bem-vinda ao álbum, pois é bem interpretada e provavelmente a coisa mais pesada que Hunter Hayes já criou. “Flashlight”, outro forte desempenho do jovem cantor, fornece uma bela sonoridade construída gradualmente através de um ritmo cativante e sólido. Com uma pequena influência de John Mayer, “When Did You Stop Loving Me” fornece contagiosos elementos de blues e sutis toques de country. Apesar de não ser infantil e conter uma linda simplicidade nos vocais, há uma inocência inegável em seu conteúdo lírico. Após um segundo interlúdio, intitulado “…like I was saying (Jam)”, temos a cativante faixa “Secret Love”. Não é uma canção inovadora por qualquer meio, entretanto, impressiona pela composição simplista e o viciante refrão country-pop. “Um amor secreto, todas as coisas que fazemos / Por um amor secreto, baby eu e você / Temos um amor secreto”, ele canta aqui. Ademais, Hunter Hayes também teve a oportunidade de demonstrar suas habilidades na guitarra nessa música perfeita para terminar um set ao vivo.

Em “Nothing Like Starting Over”, ele definitivamente abraça o mundo pop ao apresentar um maravilhoso e pegajoso refrão. É um número mid-tempo onde Hayes conta que não há nada melhor do que escrever uma nova página em sua vida. A penúltima faixa, “If It’s Just Me”, possui uma abordagem mais leve, embora seja bem elétrica e construída a partir de fortes guitarras. Encerrando o repertório, “Love Too Much” apresenta-se como uma faixa mais lenta e reflexiva. O suave piano e a valsa docemente triste mostram que o objetivo do cantor não é apenas produzir hits, mas também emocionar quem o ouve. Deste “Wild Card” até a triste “Love Too Much”, Hunter Hayes fornece uma diversidade musical sofisticada, principalmente em suas letras. Ele acrescentou uma textura interessante neste álbum ao adicionar dois interlúdios que servem para preparar o ouvinte para as próximas faixas. Também colocou, espertamente, muitos arranjos limpos nas composições que, juntamente com uma boa dose de otimismo, fez o registro distinguir-se um pouco do seu álbum de estreia. É um registro sólido que visa não só alcançar os jovens fãs da música country, mas também agradar o público mais maduro do gênero. As emocionantes e inspiradoras canções que ele nos ofereceu neste trabalho são realmente interessantes e criativas. Dito isto, “Storyline” é um álbum absolutamente completo para quem procura canções bem escritas acompanhadas de ritmos cativantes. Os fãs mais tradicionais do country podem lamentar por causa de sua sensibilidade e apelo pop, mas para quem não se importa com isto, é um material que proporciona momentos incrivelmente agradáveis.

Favorite Tracks: “Wild Card”, “Invisible” e “Nothing Like Starting Over”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.