Resenha: Harry Styles – Harry Styles

Lançamento: 12/05/2017
Gênero: Soft Rock, Rock, Pop
Gravadora: Erskine Records Limited / Columbia Records
Produtores: Jeff Bhasker, Alex Salibian, Tyler Johnson e Kid Harpoon.

Desde a formação do One Direction, ficou evidente que Harry Styles se tornaria uma estrela. Por isso que, quando o grupo decidiu fazer uma pausa, todos estavam ansiosos por seu trabalho solo. Muitos se perguntavam: “qual seria o som de Harry Styles?”. Zayn Malik seguiu pelo R&B alternativo, Niall Horan está explorando um som folk-pop, Louis Tomlinson se juntou com Steve Aoki num som EDM e, dado o seu primeiro single, Liam Payne pretende usar influências do hip-hop. Mas e o Harry Styles? O cantor de 23 anos resolveu seguir por um som rock, com grandes influências dos anos 70. Pouco mais de 1 ano depois de se separar do One Direction, ele lançou o seu auto-intitulado álbum, “Harry Styles”. O disco foi lançado em 12 de maio de 2017 através de sua própria gravadora, Eskine Records, sob licença exclusiva da Columbia (uma divisão da Sony Music Entertainment). Os fãs do One Direction devem ter se surpreendido com “Harry Styles”, pois ele possui um conteúdo mais grave e profundo do que o esperado. O cantor emerge num som mais melancólico, proporcionando um olhar muito mais íntimo de si mesmo. Seus vocais barítono e em falsetes permanecem intactos e amadurecidos. Sons semelhantes e letras emocionais foram unidos a fim de criar um projeto coeso. Você consegue viajar no tempo através de faixas levemente inspiradas por artistas como Beatles, Rolling Stones, David Bowie e Oasis. Ao longo do álbum, encontramos uma escrita envolvente e produção graciosa.

Styles conseguiu criar um repertório bonito, exuberante e divertido. Não é um álbum inovador por qualquer meio e muito menso perfeito, entretanto, é um empreendimento muito interessante. Semelhante a Justin Timberlake, que abraçou o R&B após sair do *NSYNC, o seu LP de estreia parece autêntico e credível. No passado vimos grandes grupos ser divididos e seus membros prosseguindo em carreira solo. Alguns foram bem, como Geri Halliwell e Melanie C, e outros extremamente bem-sucedidos, como Robbie Williams e Timberlake. Gary Barlow conseguiu, inesperadamente, se sair melhor do que o esperado, porém, outros, como Victoria Beckham, não se saíram muito bem. Felizmente, Harry tem tudo para ser bem-sucedido em carreira solo. Entre as falhas do álbum, podemos destacar o fato de Styles não ser um escritor experiente, mesmo que ele mostre um talento considerável para tal função. Suas letras são susceptíveis a cair em clichês, especialmente quando ele está cantando sobre alguma relação amorosa. Ainda bem que ele colaborou com alguns produtores e escritores habilitados que puderam o auxiliar. “Harry Styles” não adere a nenhum gênero específico, mas no geral, explora um interessante soft-rock e brit-pop. O primeiro single, “Sign of the Times”, é uma canção pop-rock e soft-rock onde encontramos Harry Styles em sua zona de conforto. O som genuíno e a entrega sincera do cantor soam bastante naturais. A envolvente produção, orientada pela guitarra, leva os seus vocais a novas alturas.

No decorrer de 5 minutos de duração, Styles reflete sobre a vida e um relacionamento que pode chegar ao fim. “Atravessando pela atmosfera / E as coisas estão bem legais daqui / Lembre-se que tudo ficará bem / Podemos nos encontrar de novo em algum lugar / Em algum lugar longe daqui”, ele canta de forma otimista no segundo verso. Oferecendo um desempenho vocal convincente e emocionalmente excitante, “Sign of the Times” é uma balada muito complexa e madura. A intensidade dessa música, com o seu piano deliberadamente lento, emite uma tristeza eminente. As notas altas e a emoção vocal pura são muito eficazes. Uma balada de piano emocional que gera um clímax espetacular e faz Harry Styles assumir suas influências rock dos anos 70. A faixa de abertura, “Meet Me in the Hallway”, sugere um relacionamento difícil, mas com esperanças otimistas. Uma canção baseada na guitarra que fala sobre lidar com a rejeição. A guitarra acústica e os ecos vocais dessa música preparam uma introdução poderosa para o registro. Diferente das faixas que tornou Harry famoso, como parte do One Direction, as letras e a instrumentação nos transmitem uma melancolia inegável. A diversão começa com “Carolina”, um sulco tropical com boas batidas e algumas frases poéticas. É uma canção otimista, que fornece uma melodia agradável e refrão cativante. Como o título sugere, ela foi provavelmente escrita para a sua ex-affair Caroline Flack. O segundo single, “Two Ghosts”, é um reflexivo e sensível folk-rock com algumas influências de country.

Possui uma vibração descontraída e um refrão instantâneo. Sua atmosfera levemente ensolarada desliza sobre licks de guitarra e doces vocais. É uma canção incontestavelmente elegante. “Sweet Creature” é uma canção folk acústica igualmente adorável. Ela possui um som semelhante ao de “Two Ghosts”, e mostra adequadamente os amadurecidos vocais de Harry. Embora tematicamente parecida com algumas músicas de One Direction, ela possui um riff de guitarra dobrável que me lembrou a linda “Blackbird” dos Beatles. Em seguida, “Only Angel” surge com um sulco arrogante muito reminiscente dos Rolling Stones. O seu riff crocante de guitarra nos faz lembrar de algumas músicas dos Stone e o estilo de Mick Jagger. Sem dúvida, a obsessão de Styles pelo líder dos Stones está em plena exibição aqui. A angustiante “Kiwi” possui um espírito e atitude punk, acompanhada de uma pegada hard-rock. O seu trabalho na guitarra realmente exala um som punk, assim como os gemidos vocais de Styles. “Ever Since New York”, por sua vez, pode ser considerada um dos destaques do registro. A repetição da frase, “Oh, tell me something I don’t already know”, é muito cativante e bonita. É uma canção provocativa, sombria, cheia de melancolia e profundidade lírica. Tanto vocalmente como liricamente, é uma música muito convincente. A próxima faixa, “Woman”, abre com uma discussão pré-gravada que diz: “Devíamos apenas procurar comédias românticas no Netflix e ver o que encontramos?”.

Essa balada adota um piano, guitarras e vocais mais acentuados. Já a última faixa, “From the Dining Table”, é uma música dolorosamente triste e outro exemplo da mudança estilística dentro do álbum. Com seus vocais em camadas, guitarra levemente rasgada e linda seção de cordas, Styles se mostra muito romântico. Por fim, ele termina o registro com a linha: “A propósito, até mesmo meu telefone sente falta das suas ligações”. No geral, “Harry Styles” é um álbum de estreia diversificado com sons modernos e ótimas influências de rock clássico. É um disco que mostra como um álbum de rock dos anos 70 soaria se fosse lançado nos anos 2010. É difícil ignorar as influências dos Rolling Stones e David Bowie sobre esse álbum. Mas, enquanto qualquer esforço para se tornar o próximo Bowie ou Mick Jagger está longe do alcance de qualquer artista, Harry merece aplausos pelo trabalho apresentado. Ele conseguiu fazer uma rápida mudança de som, ao sair de uma boy-band pop e transformar-se num cantor e compositor maduro. Styles nos mostrou neste disco que ele é capaz de fazer um trabalho solo muito interessante. Ele está um pouco mais velho e certamente mais experiente. Acima de tudo, ele é um artista em plena evolução. “Harry Styles” não é de forma alguma inovador, mas é um material adorável de um artista que tem tudo para ser ainda mais promissor no futuro. Ele só precisa de mais experiência e tempo para crescer.

Favorite Tracks: “Sign of the Times”, “Two Ghosts” e “Ever Since New York”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.