Resenha: Hardwell – United We Are

Lançamento: 23/01/2015
Gênero: Eletrohouse, House Progressivo
Gravadora: Revealed Recordings
Produtores: Hardwell, Anakyn, Tiësto, Funkerman, W&W, The Disco Fries, Bakker, Joey Dale, DallasK e Headhunterz.

Robbert Van de Corput, de 27 anos, mais conhecido por Hardwell, é um famoso DJ e produtor holandês de música house. Em 2013 e 2014, ele foi eleito o DJ número #1, entre 100 concorrentes, através da enquete anual da revista DJ Magazine’s. Tornou-se dessa forma, o DJ mais jovem (com 25 anos) de todos os tempos a assumir o topo da lista. Hardwell é amplamente conhecido por seus sets ao vivo em grande festivais de música, como Tomorrowland e Ultra. Os fluxos dos vídeos de suas performances em seu canal pessoal no YouTube, têm coletivamente mais de 100 milhões de visualizações. Robbert Van de Corput nasceu e cresceu em Breda, Holanda, e começou a aprender piano clássico quando tinha apenas seis anos de idade. Após ver um documentário sobre DJs na MTV holandesa, ele se inspirou e quis se tornar um DJ profissional. Quando completou 13 anos, assinou contrato com a sua primeira gravadora e, com 14 anos, começou a tocar em clubes de renome em toda a Holanda.

Hardwell é frequentemente citado por seu companheiro nativo, Tiësto, DJ do qual é sua maior inspiração e mentor. Ganhou reconhecimento e notoriedade em 2009 por seu mashup de “Show Me Love” (Robin S.) e a faixa instrumental “By”, de Steve Angello e Laidback Luke. Em 2010, Hardwell fundou sua própria gravadora, a Revealed Recordings, do qual começou a liberar, anualmente, álbuns de compilação com alguns de suas maiores faixas. Após encerrar a etapa norte-americana de sua turnê “I AM Hardwell” no Madison Square Garden, ele preparou-se para o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “United We Are”. Depois de toda espera dos fãs e da crescente necessidade do público em querer ouvir suas ideias em um projeto, Hardwell lançou o seu primeiro álbum de estúdio. O disco traz em seu repertório 14 faixas e colaborações com Tiësto, Fatman Scoop, Headhunterz, Matthew Koma, W&W, Amba Shepherd, Mr. Probz e Jason Derülo.

Com esse trabalho, ele tenta provar e demonstrar porque liderou um ranking de DJs, à frente de nomes como Armin Van Buuren e Tiësto. O registro é uma combinação de toda sua carreira musical, retratando sua exclusividade com novos sons e experimento com as vozes que compõem a maioria das faixas. O lançamento do “United We Are”, portanto, causou um burburinho no cenário EDM, que acabou por se tornar um dos principais destaques do mês de janeiro. “United We Are”, em vários momentos, é indistinguível do som EDM radiofônico, que há muito tempo já atingiu um ponto de saturação. Hardwell, como mencionado, tentou experimentar uma variedade de diferentes gêneros e estilos e, nesse ponto, o álbum cumpre a missão. Ele comentou como o álbum refletiu sobre quem ele é como artista, em um comunicado à imprensa: “Eu queria criar algo que me reflete como um artista, que mostra minhas habilidades como produtor, mantendo o pé no meu mundo como DJ“.

Hardwell

A primeira coisa que chama atenção, quando ouvimos um disco lançado por um DJ elogiado pela crítica é, obviamente, sua produção. O cara decidiu manter sua assinatura, em vez de partir para algo totalmente comercial, como David Guetta. O álbum começa com uma abertura sinfônica dramática, chamada “Eclipse”. Na marca de 1 minuto, somos atingidos com uma pancada de sintetizadores, cordas escuras e uma linha de baixo, que dão um dinamismo e uma base sólida para esse começo de repertório. “Follow Me”, com Jason Derülo, foi provavelmente criada para ser um hit nas rádios. Uma música de house progressivo, que fornece uma boa dose de energia e incita todos a dançarem. É uma das melhores faixas, mas talvez um pouco arejada demais para os fãs mais veteranos de Hardwell. Os vocais de Derülo ficaram agradáveis, uma vez que possui menos auto-tune do de costume.

“Sally”, colaboração com o cantor Harrison, é grudenta e possui incessantes acordes de guitarra. Podemos dizer que é uma boa influência rock, com as guitarras mesclando bem com a batida e os vocais pop-punk. A letra é ruim, um dos principais pontos que fizeram a música receber duras críticas quando foi lançada como single. De qualquer forma, eu admito que curti a música como um todo. “Let Me Be Your Home”, em colaboração com Bright Lights, é outra faixa musicalmente interessante. Uma bela canção, com vocais espetaculares de Heather Bright, que decola para um nível ainda mais alto em sua segunda queda. Hardwell forneceu uma liderança que merece um bom acompanhamento musical e Heather Bright colaborou de forma significativa. Tiësto e seu aprendiz sempre funcionam bem em conjunto, “Zero 76” e “Written in Reverse” são provas disso, assim como a terceira colaboração entre ambos, intitulada “Colors”.

O cantor sueco, Andreas Moe, também fez um bom trabalho vocal e a melodia criada pelo duo Breda é muito atraente. Acompanhado de Funkerman, Hardwell mostrou mais de suas habilidades musicais em “Where Is Here Now”, ao fazer uma pista aparentemente difícil soar bem agradável e profunda. É um deep-house com uma ótima produção e bons vocais de I-Fan, que moldou pesadamente a batida. “Where Is Here Now” conseguiu manter as coisas interessantes, abrindo caminho para a faixa-título. Nessa canção, ele toma um rumo diferente ao acenar totalmente para o som do seu mentor Tiësto, graças às batidas trance. “United We Are” apresenta Amba Shepherd, que foi brilhante na faixa “Apollo” de 2012. No entanto, faltou um maior dinamismo nessa canção, pois os vocais de Shepherd ficaram esquecíveis e a produção não demonstrou sinais promissores.

Hardwell

Na faixa “Don’t Stop the Madness”, que apresenta W&W e a lenda do hip-hop Fatman Scoop, Hardwell caiu em um território familiar, mas entregou uma música bastante contagiante. É o tipo de canção que leva o público à loucura nos festivais EDM, um grande banger e certamente a faixa mais pesada do disco. O primeiro single do álbum é um número melancólico e emocional chamado “Young Again”. Uma trilha maravilhosa, com uma boa letra e excelentes vocais do escocês Chris Jones. Possui um ritmo que ecoa em sua cabeça, graças à sua cativante melodia. É bem mais calma do que a maioria das faixas de Hardwell, uma mistura de riffs de guitarra eletro-acústica e acordes que destacam a melodia encantadora e os poderosos vocais de Chris Jones. “Echo” também é um número lento e tranquilo, que começa com um riff de piano melancólico e possui um dos instrumentais mais atraentes do registro.

A harmonia criada entre a voz de Jonathan Mendelsohn e a melodia valem a pena ouvir de novo e de novo. Particularmente, essa canção está entre minhas favoritas do álbum. A essência que Hardwell construiu ao longo dos últimos anos resultou na canção “Arcadia”. Joey Dale é incrível e a voz de Luciana é impressionante, portanto, temos outra faixa magnífica. “Area51” retrata o trabalho de DallasK ao lado de Hardwell. É uma grande pista, que possui uma visão mais festiva e soa melhor a cada escuta. Robbert explora sua ambições cinematográficas através de percussões mantidas do início ao fim. Embora a melodia permaneça constante, a faixa não deixa de ser eletrizante. “Nothing Can Hold Us Down”, por sua vez, é mais agressiva e chega com uma produção progressiva e ligeiras tonalidades hardstyle (ritmo entre 140 e 160 batida por minutos, quase iguais ao hard-trance). É apresentada com os doces vocais de Haris e o estilo único de Headhunterz, uma música perfeita para começar a noite.

O álbum termina com uma nota diferente, na promissora balada “Birds Fly” com Mr. Probz. Depois do sucesso de “Waves”, é difícil não pensar em algo semelhante vindo de Mr. Probz, entretanto, eles conseguiram criar uma faixa singular. A melodia de piano subjacente, junto com o elemento EDM minimalista, se encaixou bem aos incríveis vocais de Mr. Probz. É realmente uma refrescante mudança na assinatura e estilo house progressivo de Hardwell. Após ouvir o álbum três vezes, eu definitivamente achei que o disco atendeu as minhas expectativas. Mesmo com uma ou outra faixa sendo um pouco demasiadamente previsível, aqui há várias canções realmente dignas e edificantes. Igualmente ao “TRUE” para o Avicii, este é um álbum que prova que além de um produtor muito forte, Hardwell é um grande DJ. Ele demonstrou ser um bom músico, com a maioria das faixas definindo completamente a sua versatilidade. Em especial, o “United We Are” é agradável de ouvir por causa da boa mistura de gêneros, uma variedade que, mesmo não sendo perfeita, vai encantar os principais amantes da música EDM.

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Favorite Tracks: “Sally (feat. Harrison)”, “Where Is Here Now (with Funkerman feat. I-Fan)”, “Don’t Stop the Madness (with W&W feat. Fatman Scoop)”, “Young Again (feat. Chris Jones)” e “Echo (feat. Jonathan Mendelsohn)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.