Resenha: Halsey – hopeless fountain kingdom

Lançamento: 02/06/2017
Gênero: Pop, Synthpop
Gravadora: Astralwerks / Virgin EMI
Produtores: Benny Blanco, Cashmere Cat, Happy Perez, Greg Kurstin, Ricky Reed, Lido e Rogét Chahayed.

Ashley Nicolette Frangipane é uma cantora americana que inicialmente obteve atenção em plataformas de redes sociais. Ela é mais conhecida por Halsey, um nome inspirado pela estação Halsey Street de Nova York. Após sair dos comentários do Tumblr e YouTube, ela lançou o seu primeiro álbum em 2015. Após assinar com a gravadora Astralwerks, Halsey foi bem sucedida com o álbum “Badlands” (2015). Um disco synthpop com instrumentação infundida por sintetizadores, que a empurrou para o centro das atenções. Em 2016, Halsey alcançou um sucesso ainda maior com o lançamento de “Closer”, uma colaboração com The Chainsmokers. A música encabeçou os charts mundo à fora, inclusive permanecendo 12 semanas em #1 na Billboard Hot 100. Mais tarde, em 02 de junho de 2017, Halsey lançou o seu segundo álbum, intitulado “Hopeless Fountain Kingdom”. Mostrando o seu crescimento, esse LP incorpora um som baseado em sintetizadores mais escuros. Cada uma das treze faixas exibe um novo conceito baseado no universo de Halsey. Em uma entrevista para a iHeartMedia, ela revelou que o álbum é “uma história de duas pessoas que queriam estar apaixonadas, por isso estão dispostas a mudar por amor”. Dito isto, o repertório começa com uma introdução chamada “The Prologue”, que floresce em uma harmonização em camadas e um lirismo obscuro, que incluiu uma citação de “Romeu e Julieta” de Shakespeare.

“100 Letters”, escrita com o produtor Ricky Reed, é uma música bem-aventurada e animada. Isto é tecnicamente surpreendente, já que os singles lançados antes do álbum possuem uma vibração mais escura. A voz de Halsey é acompanhada por uma simples batida de bateria e alguns sintetizadores. No refrão, os seu vocal é muito forte, mas sem ser demasiadamente dramático. “100 Letters” foi uma boa maneira de começar o registro, pois não afasta-se muito do som apresentado no “Badlands”. A terceira faixa, “Eyes Closed”, lançada em 04 de maio de 2017, é ainda melhor. Co-escrita por The Weeknd, é uma faixa eletrônica com riffs de guitarra, linha de baixo e uma batida sinistra. Liricamente, é sobre estar com alguém quando você sente que deveria estar com outra pessoa. “Se eu ficar de olhos fechados, ele parece com você”, ela canta no refrão. A próxima faixa, “Alone”, é uma canção otimista, auto-ajustada e com um refrão poderoso. As letras são auto-conscientes, conforme Halsey canta: “Meu bem, assim que você me conhecer / Você vai querer nunca ter conhecido”. Produzida por Benny Blanco, “Now or Never” foi lançada como primeiro single oficial. Uma canção de R&B que mantém uma vibração escura cheia de profundidade. Inicialmente, eu não gostei muito dessa canção, mas com o tempo ela cresceu em mim.

O refrão é simples e repetitivo, mas sonoramente atraente: “Querido, vem me amar agora, agora, agora / Agora, agora, agora / Agora ou nunca”. A faixa seguinte, “Sorry”, é a única balada emotiva do álbum. Suas letras são dolorosas e tristes, baseadas em uma perspectiva da cantora. Musicalmente, é guiada inteiramente pelo canto de Halsey e um piano. Ela aborda sua tristeza sobre uma ruptura amorosa e as lutas que ela enfrenta. “Desculpe meu amante desconhecido, desculpe por não acreditar que alguém realmente comece a se apaixonar por mim”, ela canta de forma desolada. Após o breve interlúdio “Good Mourning”, que aparece na metade do álbum, “Lie” apresenta o rapper Quavo. As letras são mais sexuais e, embora represente ambos os lados de um relacionamento, não se encaixam tanto no conceito que Halsey tenta passar. Outro interlúdio aparece na sequência, intitulado de “Walls Could Talk”. É um número mais cativante e satisfatório, apesar de ser tão curto. Ele começa de repente e apresenta cordas bem rápidas. No refrão, a melodia e as cordas são colocadas ao lado de sintetizadores dramáticos. A décima faixa, “Bad At Love”, faz referências à sua bissexualidade e seus relacionamentos fracassados com homens e mulheres. Essa é uma das primeiras músicas onde Halsey fala tão abertamente sobre a sua sexualidade.

As letras são bastante incomuns, mas também dolorosamente honestas. Da mesma forma, “Strangers”, com Lauren Jauregui do grupo Fifth Harmony, também detalha a bissexualidade de Halsey e seus relacionamentos fracassados com mulheres. Musicalmente, é uma canção synthpop com uma produção inspirada nos anos 80, sintetizadores e uma boa linha de bateria. Em seguida, temos a faixa “Devil in Me”, outra música pessoal sobre os demônios internos de Halsey. O seu refrão, “Eu não quero acordar, o diabo em mim”, é bastante auto-explicativo. As letras são completamente desesperadoras, enquanto a canção como um todo é poderosa e realmente cativante. Por fim, “Hopeless” é uma sólida colaboração com Cashemre Cat. É uma música bastante simples, com uma batida despreocupada e vocais obscuros. Há uma mistura eletrônica em torno da voz de Halsey que se prolonga por um determinado tempo. É um número de encerramento dramático, mas que serve como um bom final para o álbum. A maioria das músicas em “Hopeless Fountain Kingdom” são sobre relacionamentos tóxicos. Halsey consegue se distinguir com os temas e entrega vocal. Suas letras são sinistras e escuras, e o repertório é bastante sólido. Certamente, Halsey deu um grande passo se comparado com o seu álbum de estreia. Entretanto, ela ainda tem alguns obstáculos a superar, mesmo considerando todo o seu potencial como artista.

Favorite Tracks: “Eyes Closed”, “Bad At Love” e “Strangers (feat. Lauren Jauregui)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.