Resenha: Guy Sebastian – Madness

Lançamento: 21/11/2014
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Sony Music
Produtores: Mdl, Tom Meredith, Twice as Nice, Shuko & Freedo, Khris Lorenz, Guy Sebastian, ProJay, M-Phazes, Matt Rad, Boots Ottestad e Mario Marchetti.

Guy Sebastian, primeiro vencedor do Australian Idol, lançou em novembro de 2014, sob o título “Madness”, o seu oitavo álbum de estúdio. Até a presente data, ele é o único artista masculino australiano na história a colocar 6 singles em #1 no país. Da mesma forma, todos os seus sete primeiros discos receberam certificado de platina ou multi-platina, algo que faz dele o winner-idol mais bem sucedido da Austrália. Sebastian já trabalhou com vários músicos americanos, como Brian McKnight, Lupe Fiasco, Robin Thicke, John Mayer, Jordin Sparks e Eve. Ele também é bastante compromissado com a caridade, sendo atualmente, um dos embaixadores da World Vision Australia e da Cruz Vermelha Australiana. O álbum “Madness” possui 13 faixas, das quais três ele escreveu inteiramente sozinho. É um álbum eclético, com mistura de R&B, soul e música pop.

Ele acredita que é o seu trabalho mais soulful, e que está mais parecido com às suas raízes musicais. Enquanto três dos quatro singles lançados são faixas otimistas, o álbum possui outras músicas com temas mais obscuros, como problemas de relacionamento. Guy Sebastian conseguiu evoluir durante todos esses anos, tanto que nesse álbum ele consegue mostrar isso com clareza. Algumas canções, com sua mistura de pop, soul e pitada de hip hop, foram uma surpresa agradável. Embora seja um álbum bem comercial, graças aos ganchos cativantes, vocais e os eventuais dubstep, ele também possui algumas melodias fascinantes e boas letras. “Madness” é certamente um título interessante para batizar o atual período da carreira do cantor. Porque, no ano passado, ele lançou alguns singles muito polarizadores.

“Like a Drum”, por exemplo, fez muito sucesso em sua terra natal, mas foi criticado por soar muito parecido com “Wake Me Up” de Avicii. Felizmente, o restante do disco é um pouco melhor do que seus singles pareciam indicar. A primeira canção é a faixa-título, “Madness”, uma música impulsionada por uma forte percussão e boas harmonias. Podemos considerá-la uma reminiscência de seu último álbum, “Armageddon” de 2012. No refrão, ele pergunta se lutar pelo amor é um ato de loucura: “Is it madness to give it all you got, even though you get nothing back?”. O single mais recente, “Mama Ain’t Proud”, é uma colaboração com o rapper americano 2 Chainz. Há fortes elementos de hip hop nesta faixa, mas, no geral, é uma música um pouco maçante. Em seguida, temos o primeiro single “Like a Drum”, uma música divertida e cativante, que tornou-se a mais tocada nas rádios australianas em dezembro de 2013.

Guy Sebastian

Particularmente, a canção que mais me chamou atenção foi a poderosa “Elephant”, quarta faixa do repertório. A letra utiliza uma metáfora com elefante para falar sobre um relacionamento que acabou. É a pista mais aberta liricamente, com letras como: “Ther’’s a grey big elephant up in this room / I know we both refuse to face / We know it’s true”. Sonoramente, começa com um piano acústico, possui cordas dramáticas e um vocal bem emotivo. “Alive” possui uma leveza criada pelos dedilhados refrescantes de uma guitarra acústica e uma batida ainda mais sutil. Em seguida, a intensidade da voz de Guy Sebastian introduz a faixa “Light and Shade”, uma colaboração com o rapper Sage the Gemini. Certamente, não é uma canção religiosa, mas, por outro lado, não deixa de ser um círculo de reflexão das crenças religiosas do cantor. É mais uma boa colaboração de Sebastian com um rapper que funcionou muito bem.

A parceria com seu amigo Lupe Fiasco aparece na faixa “Linger”, um passo na direção certa. É embalada por uma dosagem suave de R&B, soul, falsetes e um refrão com sintetizadores. “One of Us” contém uma tomada dramática sobre o desgosto que uma pessoa experimenta na ruptura de um relacionamento. Possui uma melodia interessante e um ambiente de profundidade que nos permite focar nas letras emotivas e entrega vocal de Guy. “Imagine the Sunrise”, por sua vez, nos entrega uma boa sincronia do violão com letras sobre sonhos e esperanças. É praticamente uma reminiscência da canção “Big Bad World”, do disco “Armageddon”, que Sebastian escreveu para o seu primeiro filho. Juntando-se com Fatai, competidora do The Voice Austrália, em “Lightning”, Sebastian nos fornece uma música influenciada por ritmos latinos.

Tem uma melodia que se constrói com intensidade, enquanto os tons adequados de ambos os cantores se complementam de forma eficiente. O segundo single, “Come Home with Me”, é a faixa mais radiofônica e divertida do repertório, entretanto, o seu conteúdo lírico é bem preguiçoso. Em seguida, a faixa mais curta do registro, “Animal in Me”, aparece com um som bem insolente e peculiar. Finalizando, temos a balada “The Pause”, canção que se destaca pela performance vocal de Guy Sebastian. Sua batida é sutil, mas nos mostra que o seu vocal amadureceu. Tudo somado, “Madness” é um material bastante variado, que muda de gêneros com frequência. Também conseguiu mostrar a diversidade na sua entrega vocal, composição e temas. Não é um álbum marcante, inovador ou algo parecido, mas é um bom disco fornecido por um dos cantores mais amados da Austrália.

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Favorite Tracks: “Madness”, “Elephant”, “Linger (feat. Lupe Fiasco)”, “Imagine the Sunrise” e “Lightning (feat. Fatai)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.