Resenha: Guy Sebastian – Conscious

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Sony Music Australia
Produtores: M-Phazes, Stuart Crichton e Sam Sakr.

Para quem não é familiarizado com Guy Sebastian, ele é um cantor australiano que tornou-se famoso após vencer a primeira temporada do Australian Idol. Desde a sua vitória em 2003, ele já conseguiu seis singles número #1 e alguns discos de platina. Mais tarde, também tornou-se jurado no The X Factor da Austrália, além de colaborar com diversos artistas, incluindo Lionel Richie, 2 Chainz, Jordin Sparks e Lupe Fiasco. Guy Sebastian já liberou muito singles e álbuns ao longo de sua carreira, algo que ajudou a capitalizar o seu sucesso na Austrália. Em 27 de outubro de 2017, o cantor de 36 anos lançou o seu sétimo álbum, intitulado “Conscious”. Com esse registro, Sebastian tentou afastar-se de suas tendências em busca de algo mais experimental. Geralmente, ele costuma explorar melodias bastante emotivas, algo que continuou intacto no “Conscious”. Nos últimos anos, ele amadureceu e evoluiu como artista. No decorrer de quatorze anos ele explorou o pop, R&B, soul e gospel, ao mesmo tempo que flertava com o hip-hop e sintetizadores eletrônicos. O seu décimo álbum, por outro lado, o vê pisando num território um pouco diferente. Para um artista que cresceu de forma constante em sua carreira, “Conscious” felizmente não representa um passo para trás. Entretanto, não é um LP que vai atrair a todos, porque é musicalmente diferente de seus discos anteriores.

Apesar de auto-consciente, incluindo algumas músicas interessantes, como “Sober” e “Chasing Lights”, o repertório não é perfeito. Faixas como a eletrônica “Vesuvius”, enraizada por sintetizadores, e a dance-pop “Keep Me Coming Back” não se misturam tão bem com a parte experimental e soam bem parecidas com o resto do mainstream atual. “Conscious” começa com a faixa “High On Me”, o primeiro single retirado do álbum. O ritmo é bastante simpático e dançante, enquanto fornece guitarras funky, vários falsetes e batidas de R&B. É uma música com um som pop infeccioso, infundido e bem executado. O segundo e terceiro singles, “Bloodstone” e “Set In Stone”, respectivamente, mudam o tom imediatamente quando Guy Sebastian coloca suas emoções a frente. Recentemente, ele se separou de sua esposa que, de acordo com o próprio, o inspirou a escrever canções como essas. As letras emocionalmente carregadas, certamente, conseguem adicionar uma sensação pessoal ao álbum. Além de fresca e cativante, “Bloodstone” é uma faixa com muitos elementos de gospel. “É uma espécie de música desesperada”, ele disse a respeito de “Bloodstone”. “Você está em um relacionamento onde você sente que tudo está chegando ao fim, e você está apenas implorando por sua outra metade”. Esta canção possui tons escuros e um humor mais pesado do que o restante do repertório.

No entanto, sua linha de baixo e piano mantém algumas das vibrações da faixa anterior. Lançada há ano, “Set in Stone” é um favorito instantâneo dos seus fãs, enquanto “Exclusive” o leva de volta para os seus dias no R&B. “Chasing Light” contém alguns sintetizadores pesados, ao passo que “Sober” é um momento mais emocional e cru. Nesta música, ele fala sobre um amigo íntimo que, por algum motivo, é fraco quando trata-se de sua ex-namorada. É uma canção que impressiona por sua vulnerabilidade e produção. Ela começa suavemente e intimista, porém, em seguida, fornece grandes batidas experimentais. “Conscious” é um disco consistente, porém, sua experimentação nem sempre funciona. “Drink Driving” e “Something” são duas vítimas disto e acabam tornando-se ligeiramente esquecíveis. Por fim, Guy Sebastian nos apresenta a faixa “Reprise”, onde ele é auxiliado por um bonito piano. Essa música é uma das peças centrais do repertório, pois captura perfeitamente a nova direção que ele está tentando tomar. No geral, “Conscious” possui uma composição coesa, mas nem sempre tem um fator projetado para impressionar. Suas habilidades vocais continuam no ponto e o registro como um todo é versátil. Mesmo com alguns brilhantes momentos, “Conscious” peca pelo excesso de faixas fillers.

Favorite Tracks: “Bloodstone”, “Set in Stone” e “Sober”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.