Resenha: Gucci Mane – The Return of East Atlanta Santa

Lançamento: 16/12/2016
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Bangladesh, Cubeatz, Honorable C.N.O.T.E., Marz, Mike Will Made It, Metro Boomin, Murda Beatz, Noor Shabazz, OZ, Ricky Racks, Southside, Tony Trouble, TM88, Trabeats e Zaytoven.

Antes que 2016 terminasse, Gucci Mane lançou um outro álbum, intitulado “The Return of East Atlanta Santa”. Esse é o terceiro projeto do rapper desde que ele foi libertado da prisão em maio de 2016. Partindo da qualidade de “Everybody Looking” e “Woptober”, seu mais recente álbum também é muito bom. Não há dúvidas de que Gucci Mane é, atualmente, um dos rappers mais talentosos e influentes de Atlanta. Gucci não é um grande mestre lírico, mas é um rapper muito literal que mistura gírias do sul dos Estados Unidos com linhas bem simples. Seu fluxo cheio de confiança é um dos pontos que trabalham ao seu favor. Ele faz rap por mais de dez anos e nunca teve dúvida de sua capacidade artística. Ele realmente acredita em si mesmo, e isso é algo bem positivo. A sintonia entre Gucci Mane e o colaborador de longa data Zaytoven é percebida desde o início com “St. Brick Intro”.

É uma abertura criativa, para se dizer o mínimo, pois incorpora um tom escuro, piano dramático e jingles bells tocados como pano de fundo. Liricamente, é uma música que carece de alguma substância, pois apenas possui amplas referências a sexo, drogas e dinheiro. “Walk on Water” continua na mesma tendência de “St. Brick Intro” e “I Can’t”, apresentando alguns tons cativantes intercalados ao fluxo de Mane. “Both”, com Drake, foi lançada como terceiro single em janeiro de 2017. É a primeira vez que Gucci Mane e Drake colaboram desde Back on Road” do disco “Everybody Looking”. É uma canção trap, pesada e escura, com um instrumental pulsante produzido por Metro Boomin e Southside. Como de costume, nessa faixa Gucci referencia seus crimes e conquistas. Drake, por sua vez, apresenta rimas familiares enquanto transita por um fluxo preguiçoso e descontraído.

O tom ameaçador do álbum é interrompido por momentos mais leves, como a flauta irritante de “Stutter”. É uma faixa com pouca inspiração e nada de especial acontecendo. Em seguida, Bryson Tiller fornece sua voz única para a faixa “Drove U Crazy”. Gucci Mane tem um bom ouvido para o espectro R&B das coisas. Consequentemente, “Drove U Crazy” mostra esse seu talento especial ao criar um som diferente e agradável. É uma canção que mantém as coisas lisas e atraentes, apesar de ser desprovida de profundidade. Após a colaboração com Bryson Tiller, temos uma sequência de três faixas trap muito consistentes: “Crash”, “Yet” e “Nonchalant”. Outra faixa produzida por Zaytoven é “Last Time”, com Travi$ Scott. Ele foi o responsável por fornecer sons de teclados e órgãos de igreja para a música. Ademais, a faixa tem um coro auto-sintonizado e hipnotizante de Scott, e um ótimo fluxo de Gucci.

“Last Time” é uma boa música, embora não tenha o mesmo poder duradouro de “Both” com Drake. “Bales”, produzida por Bangladesh (famoso produtor Grammy-Winner), é uma canção dramática e bastante simples, que flui realmente bem. Finalizando o álbum, temos duas faixas insatisfatórias e pretensiosas: “No Smoke” e “Greatest Show on Earth”. Felizmente, ambas canções não apagam o brilho das melhores faixas do repertório. Em suma, este álbum é ótimo. Ele possui bons fluxos e uma grande produção. Tudo em torno desse projeto faz dele uma oferta decente. Mesmo que as letras não sejam tão líricas quanto as dos álbuns de Kendrick Lamar e J. Cole, você ainda pode desfrutar da vibração que elas proporcionam. Se este álbum é um sinal de que Gucci Mane está retornando ao seu estado mais produtivo, podemos esperar projetos ainda melhores no futuro.

Favorite Tracks: “Both (feat. Drake)”, “Last Time (feat. Travi$ Scott)” e “Bales”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.