Resenha: Gucci Mane – Everybody Looking

Lançamento: 22/07/2016
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Guwop Enterprises / Atlantic Records
Produtores: A+, Mike Will Made It, Drumma Boy, Marz, Murda Beatz, Myles Harris, Southside, Swae Lee, Will-A-Fool e Zaytoven.

Radric Delantic Davis, conhecido profissionalmente como Gucci Mane, é um rapper americano de Atlanta, Georgia. Ele começou sua carreira em 2005, com o lançamento do álbum “Trap House”. Lançado em 22 de julho de 2016, “Everybody Looking” é o seu nono álbum de estúdio. O disco conta com participações especiais de Drake, Kanye West e Young Thug, com a maioria da produção sendo realizada por Mike Will Made It e Zaytoven. “Everybody Looking” estreou no número #2 da Billboard 200 dos Estados Unidos, tornando-se o álbum mais bem sucedido de sua carreira. É inegável que Gucci Mane conseguiu um hype em torno desse álbum, após sair da prisão em maio. Ele ficou preso por três anos, por posse de armas, e mudou sua perspectiva de vida.

O álbum não é particularmente variado e Gucci não possui o melhor lirismo, mas é um trabalho inegavelmente coeso e cativante. Suas batidas, combinadas com o fluxo de Gucci, proporcionam um som realmente agradável. Quando trata-se de fazer música para as ruas, ele dificilmente decepciona. Mane fez um grande retorno com esse álbum e não desapontou. Depois de lançar inúmeras mixtapes, enquanto estava na prisão, ele voltou ainda mais sóbrio e com uma profundidade afiada. Ainda em prisão domiciliar, suas aparições públicas são, em grande parte, limitadas a gravações no Snapchat e vídeos musicais. Gucci Mane já fez grandes músicas, portanto, é bom rever o cara tentando algo após uma década. Ele ainda tem chances de dominar a trap music como antigamente e bater de frente com seus rivais T.I. e Young Jeezy.

Gucci Mane

“Everybody Looking” começa forte com “No Sleep (Intro)”, uma faixa onde Gucci Mane vai direto ao ponto. Ele fornece um refrão cativante e versos que definem o tom para o resto do álbum. Aqui, ele detalha seus vícios do passado e como ele se recuperou desde então. Mesmo que ele seja um viciado em drogas em recuperação, não significa que perdeu o senso trap que o tornou um nome familiar. Ele também aproveita para mostrar o seu desprezo pela polícia: “Eu não consigo nem dormir, eu tenho muito a dizer / Foda-se os federais, foda-se a polícia, foda-se o DEA”. O álbum é muito sobre si mesmo e sua volta ao rap, como podemos ver ele rindo dos rumores de sua saída da gravadora em “Pop Music”, e zombando de outros rappers que foram superados por ele em “Out Do Ya”.

“Pop Music” é uma representação moderna de como o trap soa em pleno 2016. É um dos maiores bangers de todo o álbum, pois possui uma batida ameaçadora e letras implacáveis. Na terceira faixa, “Back on Road”, Gucci Mane pede a Drake que anuncie seu retorno para a indústria. Mais uma vez, o trap god ostenta através de toda a música. Drake é mantido em um simples verso, no entanto, “Back on Road” é uma das faixas mais cativantes encontradas aqui. Possui um refrão convincente e um tema muito propício para o atual momento do rapper. Faixas como as infláveis “Waybach” e “Gucci Please” apresentam o clássico som de Gucci. Ambas canções exploram o autêntico trap que os fãs de Gucci já conhecem e amam. Produzida por Mike Will Made It e Swae Lee, a narcótica “Pussy Print” possui a participação especial de Kanye West.

Gucci Mane adere ao estilo rap e felizmente não tenta qualquer outro estilo de entrega vocal. No entanto, o verso de Kanye West é um pouco decepcionante. Mais tarde, Young Thug adiciona seus loucos vocais e um verso divertido na infecciosa “Guwop Home”. É uma faixa simples e auto-sintonizada, mas a colaboração entre um rapper sulista old-school e um da nova onda é apreciável. E, apesar de seus problemas legais, Gucci Mane parece não ter medo de letras como essa. Entre os convidados do álbum, Young Thug é o que mais se destaca. Gucci Mane mostra um senso de humor questionável sobre sua vida sórdida durante o refrão de “Robbed”: “Eu falo sobre o dia em que fui roubado / Eu não tenho vergonha de dizer que fui roubado / É um belo dia, alguém vai ser assaltado”. É uma música genérica sem qualquer tipo de significado por trás.

Gucci Mane

“Richest Nigga in the Room” possui um título auto-explicativo e, apesar de ser uma música básica, destaca-se facilmente pela boa batida. “1st Day Out tha Feds” possui uma das melhores batidas fornecidas por Mike Will Made It. Foi lançada um dia depois que Gucci Mane chegou em casa e acabou sendo uma boa introdução para o disco. É provavelmente a melhor faixa, liricamente falando. Aqui, Mane documenta seu passado nas ruas e suas constantes paranoias. Ele compara o seu passado com as situações vividas na prisão, e como ele sempre se preparava para o pior. A narrativa da canção é cheia de tensão, algo catapultado pelo instrumental inebriante. A hipnótica “At Least a M” também possui algumas linhas de destaque, apesar de conter um gancho repetitivo.

Em seguida, Mane se gaba e diz ser o melhor rapper de Atlanta durante a poderosa “All My Children”. Essa canção foi produzida por Drumma Boy e lançada antes do álbum. Gucci Mane fala sobre sua influência na música trap e inspiração para outros rappers de Atlanta. “All My Children” é quase uma diss-track, embora não tenha qualquer referência direta para alguém. “Com medo de mim, é melhor você estar / Me diga que não ouviu falar de mim”, Gucci rima na faixa “Pick Up the Pieces (Outro)”. Nesta canção ele tenta lembrar a todos que está livre e agora poderá se reafirmar como o trap god. Dessa forma, o LP acabou com letras introspectivas, da mesma forma que começou. Pode ter demorado cinco anos desde o seu último álbum, mas “Everybody Looking” fez jus ao seu potencial. Não é uma obra-prima, longe disso, mas para alguém como Gucci Mane, que costuma gravar inúmeras canções, é um álbum interessante de se ouvir.

Ele sempre foi muito produtivo e ajudou a definir o precedente para mixtapes entre os rappers da atualidade. E para um álbum gravado em seis dias depois de dois anos longe do estúdio, “Everybody Looking” é muito bom. Mesmo em meio a rumores de sua saída da Atlantic Records, Gucci Mane ainda conseguiu trazer um dos melhores trabalhos de sua carreira. Sua vida já teve altos e baixos dramáticos, mas parece que ele está preste a atingir novos patamares. Do ponto de vista crítico, esse álbum baseia-se exclusivamente nas ótimas batidas fornecidas por Mike Will Made It e Zaytoven. Entretanto, é Gucci Mane que realmente tornou este projeto no que ele é. Ele não é o maior rapper vivo por qualquer meio, muito menos o melhor letrista. Além disso, esse LP tem algumas rimas questionáveis e descartáveis. Mas, mesmo assim, Gucci Mane ainda continua influenciando e agradando com sua música trap.

Favorite Tracks: “Back on Road (feat. Drake)”, “Pop Music”, “Richest Nigga in the Room”, “1st Day Out tha Feds” e “All My Children”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Jefferson Vinicius

    faz review da soundtrack de suicide squad, tem umas musicas mt boas