Resenha: Green Day – Revolution Radio

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Punk Rock, Pop Punk, Rock Alternativo
Gravadora: Reprise Records
Produtor: Green Day.

Green Day iniciou um hiato não planejado de quatro anos, após a batalha de Billie Joe Armstrong contra o vício em álcool. Depois que a banda resolveu reunir-se novamente, um novo álbum do Green Day surgiu. “Revolution Radio” é o primeiro material de estúdio da banda, desde a trilogia “¡Uno!”, “¡Dos!” e “¡Tré!”. O disco foi inesperadamente anunciado junto do primeiro single “Bang Bang” em agosto de 2016. Em seu currículo, o Green Day possui registros que redefiniram o punk-rock, como o “Dookie” (1994) e “Warning” (2000), além do popular “American Idiot” (2004). “Revolution Radio”, o seu décimo segundo álbum, vê a banda abandonando o estilo incoerente de sua última trilogia, em favor de um punk-rock e pop-punk de assinatura. O grupo assumiu um grande risco quando lançou “¡Uno!”, “¡Dos!” e “¡Tré!”, pois essa trilogia quase manchou o seu legado.

“Revolution Radio” não é exatamente um retorno à forma, mas, sem dúvida, ele possui um som punk-rock angustiado e clássico do Green Day. No geral, o registro não faz muito para uma banda com quase 30 anos de carreira, mas é o seu material mais pessoal desde o “American Idiot”. A maioria das faixas contém uma introdução curta e enigmática que transita por pesadas e rápidas cordas de guitarra. Um refrão cativante geralmente surge e as faixas terminam com algum solo instrumental. Letras focam principalmente sobre as frustrações dos jovens, o impacto das redes sociais e problemas que assombram os Estados Unidos. Green Day sempre foi bom em contar histórias através de sua músicas e, semanas que antecederam o lançamento do álbum, os ouvintes tiveram um gostinho do que esperar sob a forma de alguns singles lançados.

“Bang Bang”, o primeiro deles, é uma canção punk-rock exuberante e energética que fala sobre a violência armada americana e a obsessão dos meios de comunicação. Sua introdução mostra âncoras de noticiários de televisão discutindo sobre tiroteios nos Estados Unidos. Uma guitarra alta e rápida, além de uma potente bateria, conduzem a canção. O conteúdo lírico delicado mostra um pouco da personalidade natural do Green Day. Antes disso, “Somewhere Now” apresenta o álbum com uma mistura de acordes de alta energia e letras mais suaves sobre envelhecer. É uma faixa que dá o tom para o resto do álbum, com uma introdução na guitarra acústica que, mais tarde, dá lugar a um pesado jogo de guitarra elétrica. Certamente uma das faixas mais pesadas do álbum, “Somewhere Now” possui mais de uma vibração do punk-rock tradicional. Enquanto isso, a faixa-título, “Revolution Radio”, destaca-se principalmente pelas declarações políticas contra a censura.

“Say Goodbye”, “Outlaws” e “Still Breathing” servem diferentes propósitos se comparadas com as canções anteriores. “Say Goodbye”, por exemplo, oferece um comentário sobre o estado do mundo como um todo. Por outro lado, “Outlaws” é uma música sobre olhar para trás, em direção a vida de adolescentes rebeldes que conseguiram amadurecer. É uma faixa que consegue soar diferente em comparação ao reconhecido som da banda. “Still Breathing” serve como uma canção favorável para aqueles que precisam de alguma motivação. É uma das faixas mais memoráveis do álbum, especialmente por causa do refrão cativante. Sua melodia, por exemplo, poderia até ser confundida com alguma música do OneRepublic ou Coldplay. Infelizmente, o álbum também tem alguns números que pouco se destacam. “Bouncing Off the Wall”, “Youngblood” e “Too Dumb to Die” são alguns exemplos. São trilhas pop-punk de ritmo alto e desinteressante.

Nenhuma delas poderiam chegar próximo do encanto de canções como “Boulevard of Broken Dreams” e “Wake Me Up When September Ends”. “Youngblood” só surpreende liricamente por ser um tributo sincero à relação entre Billie Joe Armstrong e sua esposa. “Troubled Times” é uma boa adição que contribui para a criatividade do disco, pois muda o estilo do álbum sem renunciar ao charme do próprio Green Day. “Se isso é o que você chama de boa vida / Eu quero uma maneira melhor de morrer”, Armstrong canta sem rodeios na faixa “Forever Now”. Uma faixa que destaca a diversidade do álbum e funciona como uma continuação de músicas anteriores da banda, como “Jesus of Suburbia” e “21st Century Breakdown”. Igualmente as citadas, “Forever Now” possui três estilos diferentes, todos apoiados por letras rebeldes. Durante quase sete minutos de duração, ela transita por seções de guitarra e versos com longo final instrumental.

“Revolution Radio” termina com “Ordinary World”, uma faixa acústica relaxante e simplista, que consiste apenas na voz de Armstrong e uma guitarra. A sua voz calmante serve como um final satisfatório para um álbum de ritmo acelerado. “Revolution Radio” não é nem de longe um dos melhores álbuns do Green Day e, muito menos, soa tão clássico quanto “Dookie” ou “American Idiot”. Além disso, nenhuma de suas canções possui a inteligência lírica de singles como “Basket Case” ou “Boulevard of Broken Dreams”. Ademais, o seu repertório não é tão ambicioso quanto o de “21st Century Breakdown”, além de não possuir riffs poderosos como os de “American Idiot”, “Holiday” ou “When I Come Around”. No entanto, é um registro muito mais consistente do que a trilogia “¡Uno!”, “¡Dos!” e “¡Tré!”. Dito isto, apesar de suas inúmeras deficiências, “Revolution Radio” não é um álbum ruim.

Favorite Tracks: “Bang Bang”, “Outlaws” e “Still Breathing”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.