Resenha: Gorillaz – Humanz

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Eletrônica, R&B, Hip-Hop
Gravadora: Parlophone / Warner Bros.
Produtores: Gorillaz, The Twilite Tone, Remi Kabaka Jr. e Fraser T Smith.

Apesar do Gorillaz existir apenas nas mentes de Damon Albarn e Jamie Hewlett, a banda muitas vezes parece real. Um grupo virtual, peculiar e enigmático composto inteiramente por personagens de desenho animado. Essa seria a maneira mais fácil e rápida para descrever o Gorillaz. Esse grupo virtual conseguiu um sucesso fenomenal e completamente inesperado, após o lançamento do seu primeiro álbum em 2001. Gorillaz, uma banda falsa criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett, começou como uma paródia e transformou-se num ícone pop com hits incríveis, como “Clint Eastwood” e “Feel Good Inc”. O sucesso do Gorillaz fez, praticamente, os personagens fictícios assumirem vida própria. Em 28 de abril de 2017, Gorillaz lançou o “Humanz”, seu quinto álbum de estúdio.

Um disco que preserva os tons alegres dos seus três primeiros projetos, embora com alguns tons notavelmente mais sombrios. Depois de um hiato de sete anos, Gorillaz tentou criar algo conceitual sobre o mundo atual. Porém, como sempre, a banda não está tão interessada em refletir sobre questões existenciais. Consequentemente, “Humanz” é um material festivo e ao mesmo tempo sombrio. No seu interior, temos vocais murmurados, uma natureza cósmica, sintetizadores profundos e pesados tambores fazendo o trabalho. “Humanz” também é muitas vezes interrompido por interlúdios curtos e na maior parte sem inspiração. Além disso, o álbum apresenta um número impressionante de colaboradores conhecidos. Grace Jones, Vince Staples, D.R.A.M., De La Soul, Danny Brown, Kelela e Pusha T são alguns deles.

Infelizmente, muitos desses contribuintes são desperdiçados e submissos a uma produção excessiva e sem objetivo. Em 50 minutos de duração e 20 faixas, “Humanz” é o álbum mais óbvio que o Gorillaz já fez. Sua consistente e sombria atmosfera musical é composta, em sua maioria, por sintetizadores espaciais, linhas cintilantes, modulações sonoras e vocais de Damon escondidos por trás de efeitos. Dito isto, musicalmente, quase todas as faixas são construídas em torno de elementos percussivos variados e efeitos sonoros. Não há muitas guitarras ou músicas completas. Porém, as letras podem ser as mais escuras e sombrias que o Gorillaz já apresentou. “Ascension”, com vozes do rapper californiano Vince Staples, abre o registro focando em temas como racismo e estado do mundo.

É uma abertura sólida e de alta energia, com ritmos dispersos, excelente fluxo de Staples e fragmentos fantasmagóricos de Albarn. Enquanto isso, “Andromeda” e o single “Saturn Barz” são destaques particulares, principalmente porque soam como músicas do Gorillaz. Essas faixas são exemplos da banda no seu melhor, uma vez que sentem-se inesperadas, bizarras e completamente naturais. “Saturn Barz” apresenta o jamaicano Popcaan, e oferece um som dancehall muito diferente e diversificado. A canção possui notas de órgão como base, sintetizadores reluzentes e tambores trap em segundo plano. Uma das faixas mais descontraídas e groovy do disco é “Strobelite” com Peven Everett. A batida, os sintetizadores agudos e o vocal magistral de Everett resultaram numa excelente combinação.

Mais tarde, o fluxo hiperativo e agressivo de Danny Brown serve como a base ideal para o vocal apaixonado de Kelela no eletropop “Submission”. Por outro lado, o talento de Grace Jones é completamente desperdiçado em “Charger”. Uma faixa de rock-eletrônico agressiva cheia de linhas silenciosas e baixa energia. No álbum, temos apenas uma música solo do Gorillaz, intitulada “Buested and Blue”. Uma triste balada com vocais de Damon Albarn na pele do personagem 2-D. Na maior parte, “Humanz” permanece em seu estado sombrio. “Hallelujah Money”, por exemplo, fornece vocais quase fantasmagóricos de Benjamin Clementine e órgãos industriais em segundo plano. A coisa toda termina, entretanto, com a vibração esperançosa e positiva de “We Got the Power” com Jehnny Beth e Noel Gallagher.

Considerando que Albarn e Gallagher eram rivais no passado, é bom vê-los trabalhando juntos. “We Got the Power” fornece um som post-punk revival e acaba tornando-se uma das músicas mais fáceis de se digerir. Como sempre, a criatividade e talento de Damon Albarn projeta através de cada faixa do álbum. Ao todo, “Humanz” é um registro que prova que Gorillaz sempre foi muito forte, mesmo com uma longa ausência no mundo da música. É um LP um pouco estranho, mas acho que a intenção era exatamente soar assim. Existe uma falta de foco, além de uma aparente falta de ambição ou visão por trás do “Humanz”. Acredito que essas foram as maiores falhas do álbum. Mas, seja como for, é um disco apoiado por pessoas incrivelmente talentosas e contém momentos interessantes o suficiente para prender a sua atenção.

Favorite Tracks: “Ascension (feat. Vince Staples)”, “Submission (feat. Danny Brown & Kelela)” e “Andromeda (feat. D.R.A.M.)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.