Resenha: Good Charlotte – Youth Authority

Lançamento: 15/07/2016
Gênero: Pop Punk
Gravadora: Kobalt Music Group
Produtor: John Feldmann.

Para aqueles que perderam a noção do tempo, já fazem seis anos desde que a banda Good Charlotte lançou um álbum. Em 15 de julho de 2016 o grupo, formado por Joel Madden, Benji Madden, Paul Thomas, Billy Martin e Dean Butterworth, lançou o disco “Youth Authority”. Formada há duas décadas, Good Charlotte subiu ao estrelato após o lançamento do auto-intitulado disco de estreia e o “The Young and the Hopeless”. É um registro com doze faixas emocionantes que apresentam 42 minutos de um pop-punk refinado. Esse álbum mostra o quão longe Good Charlotte chegou, uma vez que estão cantando sobre ser jovem e sem esperança. O quinteto americano conseguiu criar um álbum que exibe uma visão madura, enquanto honra a essência do pop-punk que fez deles famosos. Esse registro com certeza satisfez os fãs de longa data do grupo.

“Youth Authority” compartilha semelhanças com o recente retorno do Blink-182, na medida que não foge do molde já conhecido do Good Charlotte. Em vez de ser um álbum que luta para ser bem sucedido nas paradas musicais, é de fato um material que abrange o melhor da banda. Outra grande coisa no disco é o lirismo honesto, juntamente com o bom trabalho nas guitarras e os refrões pegajosos. As letras giram em torno de uma reflexão quase autobiográfica, sobre a forma como a indústria trata a banda e o que eles representam. A partir da introspectiva faixa de abertura, “Life Changes”, onde a banda aborda as mudanças que já sofreram ao longo dos anos, e “Makeshift Love”, que narra o desejo de fazer o que amam, “Youth Authority” torna-se um pouco mais sério liricamente. Por outro lado, os pontos mais fracos aparecem quando a banda tenta modernizar o seu som. Mas, no geral, dentre os muitos lançamentos do gênero, “Youth Authority” vale a pena ouvir.

O álbum abre de forma promissora com “Life Changes”, um hino pop-punk que fala sobre o quão longe os irmãos Madden chegaram, enquanto seu pai os abandonou e sua mãe lutou contra o lúpus. Sonoramente, essa faixa abre com floreios na guitarra antes de cair de cabeça no típico som pop-punk da banda. O refrão é robusto e os riffs cheios de energia. O primeiro single, “Makeshift Love”, começa acusticamente antes de mergulhar com alguns acordes agitados. Good Charlotte faz bem em descartar toda a sensibilidade pop que adquiriram em sua carreira. A estrutura de “Makeshift Love”, por exemplo, brinca com a instrumentação, através de uma máquina de tambor e alguns violões delicados na introdução. Inegavelmente, esses elementos e o refrão descontraído elevam a música e dão-lhe alguma substância. A terceira faixa, “40 oz. Dream”, é uma canção otimista que cria uma sátira sobre a forma como a cena punk mudou desde que eles começaram.

Good Charlote

Essa faixa é uma tentativa de criar uma nostalgia direcionada à década de 90. Entretanto, ela não se sobressai, uma vez que possui rimas fracas e um cinismo sem graça. Eles tentam pintar as músicas pós década de 90 como ruins, porém, esqueceram que “Youth Authority” é completamente baseado no pop-punk dos anos 2000. O nostálgico conceito tem seus méritos, mas é uma canção muito simples com versos fora do contexto, em vez de engraçados ou sentimentais. Assim como a faixa anterior, ela é introduzida acusticamente, à medida que o ritmo pega força. Eazy-E, Snoop Dogg e Dr. Dre são inclusive mencionados no refrão: “Cresci com a MTV / Quando passava Eazy-E / Na Califórnia / Eles ainda sabiam dar uma festa / Na época de Gin & Juice / Quando tínhamos Dre e Snoop / Na Califórnia / Eles ainda sabiam dar uma festa”. Os momentos mais lentos do álbum nem sempre funcionam, mas os irmãos Madden tem um bom ouvido para melodias.

As baladas “Life Can’t Get Much Better” e “Cars Full of People”, por exemplo, são destaques por causa das performances vocais. “Life Can’t Get Much Better” é sustentada por uma base acústica, enquanto os tambores são grandes e as guitarras poderosas. Além disso, ela também constrói um clímax satisfatório. Sua letra espalha vibrações positivas e apresenta palavras de esperança. A melancólica “Cars Full of People” tem uma percussão simples, predominantemente no bumbo. Sua guitarra acústica cria uma melodia sonhadora ao longo da primeira metade. Até o momento do segundo refrão, as guitarras elétricas surgem e injeta o punk na música. É algo muito diferente do que os fãs estão acostumados a ouvir, no entanto, é uma canção muito graciosa. O álbum tem dois convidados especiais, e eles aparecem um após o outro na tracklist.

Good Charlote

“Keep Swingin” tem a participação de Kellin Quinn da banda Sleeping with Sirens, enquanto Simon Neil das bandas Biffy Clyro e Marmaduke Duke empresta sua voz para “Reason to Stay”. Apesar de nenhum dos dois conter créditos na escrita, as músicas inclinam-se mais para eles do que para os irmãos Madden. “Keep Swingin” possui um ritmo rápido e momentos orquestrais, enquanto “Reason to Stay” inclina-se para o estilo musical da banda Biffy Clyro. Essa última faixa possui algumas mudanças de tempo interessantes e uma boa dinâmica vocal. Simon Neil foi um bom apoio nos vocais, pois trouxe uma borda mais áspera para o refrão. Introduções acústicas parecem dominar o álbum e, com “Stray Dogs”, não foi diferente. É uma canção profunda que fornece um tema mais sério e emocional. É uma música realmente satisfatória, pois possui uma borda sentimental, vulnerável e é reforçada por bons elementos líricos.

“Stick to Your Guns (Interlude)” surge com cordas e serve como uma introdução para a faixa “The Outfield”. Nesse número apropriadamente intitulado, Joel Madden canta: “Fomos jovens e sem esperança / Fomos a juventude quebrada / Você não é o único que eles usaram / Eu estava no campo externo também”. Essa música acena para o “The Young and the Hopeless”, disco que lhe trouxe a maior quantidade de fãs. Good Charlotte reflete e diz aos ouvintes que não se esqueceu de onde vieram. É uma canção cativante e próspera que resume o passado da banda. Os riffs de quatro acordes prestam uma verdadeira homenagem ao seu passado. O álbum se inclina fortemente para temas de memórias e nostalgia. “The Outfield” faz isso de forma energética, com riffs pesados, poderosos tons na guitarra e uma percussão saltitante.

“WAR” é uma canção que fecha com uma nota alta e exibe fortes gritos no refrão. Ela tem uma batida tribal satisfatória, mas o que a impulsiona são os poderosos riffs de guitarra acústica e elétrica. O baixo mais sujo também revela sua força em alguns momentos. Os instantes finais viram um verdadeiro caos e se mostra bem progressivo. A última faixa, “Moving On”, é um número apaixonado com alguns tambores brilhantes na mistura. Além disso, um piano é colocado à frente e adiciona uma boa dinâmica. Os vocais estão no ponto, uma vez que Joel Madden mostra todo o seu charme. Seis anos entre um álbum e outro é um longo tempo, mas felizmente o hiato não deixou o Good Charlotte enferrujado. Eles conseguiram produzir um conjunto sólido de músicas que exploram temas como esperança, auto-consciência e conforto. Resumidamente, “Youth Authority” é um álbum que vagueia entre o jovem e o crescido som da banda.

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Favorite Tracks: “Life Changes”, “Makeshift Love”, “Reason to Stay (feat. Simon Neil)”, “The Outfield” e “Cars Full of People”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.