Resenha: Goldfrapp – Silver Eye

Lançamento: 31/03/2017
Gênero: Eletroclash, Synthpop
Gravadora: Mute Records
Produtores: Leo Abrahams, John Congleton, Goldfrapp e The Haxan Cloak.

Para o sétimo álbum do Goldfrapp, a dupla Alison Goldfrapp e Will Gregory juntaram-se aos produtores Leo Abrahams, John Congleton e Bobbu Krlic (The Haxon Cloak). Intitulado “Silver Eye”, é um divertido disco synthpop que dá continuidade a brilhante escrita poética do seu antecessor, “Tales of Us” (2013). Apesar de ser um álbum puramente eletrônico, é criativo, denso e bem detalhado. Os deveres de produção de Congleton, que já trabalhou com St. Vincent, e o especialista em eletro-drone e música experimental, The Haxon Cloak, resultou em uma paisagem sonora pretensiosa, intricada e tensa. “Silver Eye” é inteiramente eletrônico, na medida que quase não possui instrumentos de cordas. O videoclipe do single “Anymore”, filmado nas Ilhas Canárias, apresenta a mentalidade do Goldfrapp por trás do álbum. É uma canção dance-pop que inicia o repertório com sintetizadores e um baixo elétrico carregado. Os vocais de Alison estão sensuais e inquietantes, conforme ela canta repetidamente: “Eu não posso esperar mais / Não posso esperar mais”. Sua varredura pop e sintetizadores elegantes são muito refrescantes, e não soariam fora do lugar se estivessem presentes no “Supernature” (2005).

Uma das melhores faixas encontradas nesse álbum é o segundo single, “Systemagic”. Uma canção mais recheada e espessa que também lembra a era “Supernature”. Aqui, a voz de Alison está mais cativante e distingue-se do restante do repertório. A terceira faixa, “Tigerman”, oferece um som encharcado de influências dos anos 80. Seus sintetizadores e baixo bombeiam durante a música, enquanto Goldfrapp romantiza na letra. Outras faixas do registro, como “Become the One” e “Everything Is Never Enough” apresentam o mesmo espaço eletrônico e mostram a impressionante versatilidade da dupla. “Become the One” mostra uma Alison Goldfrapp revigorante, ao mesmo tempo que trabalha o título da música. “Zodiac Black”, por sua vez, é provavelmente uma das canções mais lindas do álbum. Ela possui um espaço abstrato encantador e uma beleza etérea equilibrada e escura. A penúltima faixa, “Moon in Your Mouth”, é uma das músicas mais líricas do registro. Uma entrelaçada e bela balada synthpop com vocais brilhantes e surpreendentes. Ela concentra-se num amor de tirar o fôlego, conforme Alison canta: “Eu estou viva / Eu sinto o sangue / Vejo estrelas em seus olhos / Cada célula nesta concha / Acende uma luz”.

Nessa música, sua voz praticamente se dissolve na forma de um sussurro. Igualmente a “Moon In Your Mouth”, a última faixa, “Ocean”, impulsiona o disco para novas alturas. Essas duas músicas conseguem fechar o repertório com chave de ouro. Enquanto “Moon In Your Mouth” é incrivelmente suave, “Ocean” é mais pesada e obscura. Ela possui um peso industrial e synth-rock, e uma gravidade inesperadamente ameaçadora e poderosa. Ambas faixas possuem temas mais espirituais e são fortemente concentradas no lirismo. Enquanto o álbum é coeso e bem trabalhado, também contém uma sensação experimental em torno dele. Um bom exemplo disso é a fascinante “Faux Suede Drifter”, que adiciona uma sensação adicional aos seus componentes musicais. Em vez de se reinventar, Goldfrapp reafirmou sua contribuição única para a música britânica. Uma dupla que continua transformando seu estilo em algo crescente, artístico e teatral. Eles já fizeram isso em discos anteriores, e fazem novamente neste álbum. São essas qualidades, misturadas com singles cativantes, que fazem do “Silver Eye” um disco de qualidade.

Favorite Tracks: “Anymore”, “Systemagic” e “Moon in Your Mouth”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.