Resenha: Gojira – Magma

Lançamento: 17/06/2016
Gênero: Metal Progressivo, Groove Metal
Gravadora: Roadrunner Records
Produtor: Joe Duplantier.

Gojira, os gigantes do metal progressivo francês, lançaram em junho de 2016 o seu sexto álbum de estúdio. Intitulado “Magma”, o disco foi lançado cerca de quatro anos após o seu último registro. Formada por Joe Duplantier, Mario Duplantier, Christian Andreu e Jean-Michel Labadie, Gojira é uma das bandas mais brilhantes do metal. Há centenas de bandas que podem tocar seus instrumentos, mas poucas fazem isso tão bem quanto os franceses do Gojira. Neste momento, o grupo cimentou-se como uma dos mais primordiais dessa geração. Embora os seus dois primeiros discos são abaixo da média, “From Mars to Sirius” é um clássico absoluto do metal. Em 15 anos de existência, a banda desenvolveu um estilo inteiramente próprio. Gojira é um grupo cuja importância e influência não pode ser ignorada. Originalidade nunca foi um problema para eles. Desde a sua criação, a banda passou a fazer músicas que desafiam o metal e incorporam vários estilos diferentes. Eles sempre exploraram novas direções sonoras e empurraram-se contra as fronteiras musicais. Foi dessa forma que eles tornaram-se uma das bandas mais interessantes do metal. Já se passaram quatro anos desde o álbum “L’Enfant Sauvage”, um álbum que embora não tenha sido tão poderoso quanto seus dois antecessores, foi um capítulo importante para o legado da banda. Muita coisa aconteceu nesses quatro anos para o Gojira, começando pela construção do seu próprio estúdio em Nova York. Além disso, durante o processo criativo do “Magma”, a mãe dos irmãos Duplantier faleceu. As emoções experimentadas por ambos, por causa da perda da mãe, foi tão devastadora que você consegue ouvi-las no “Magma”.

Joe e Mario estavam tão sobrecarregados e tristes que chegavam a derramar lágrimas durante as sessões de gravação do disco. Em outras palavras, “Magma” é um registro muito diferente do você poderia esperar do Gojira. Ele é menos tradicionalmente pesado, mais introspectivo e um pouco menos furioso que seus trabalhos anteriores. É um álbum conceitual sobre a dor e força da natureza, com um maior território emocional e abordagem altamente rítmica. Do início ao fim, “Magma” segue com ritmos distintos e assustadores. Ademais, sua técnica é muitas vezes empregada de forma rítmica em vez de melódica. A primeira faixa, “The Shooting Star”, é muito sombria, espaçosa e define o tom para o álbum. Diferente do que fizeram em outros discos, aqui Gojira opta por utilizar uma faixa de abertura mais contemplativa. A voz melódica de Joe Duplantier e um poderoso riff conduzem a música de forma instantaneamente evocativa. Joe canta as letras com uma voz hipnótica, apoiado por outras vozes de fundo apropriadas. É um número muito atmosférico e ousado para abrir o álbum. O primeiro single, “Silvera”, é mais rápido e um pouco mais pesado, com vocais agressivos conduzindo um refrão melódico incrivelmente cativante. Essa faixa tem guitarras poderosas, fortes batidas e os gritos de assinatura de Joe Duplantier. Os riffs de guitarra são insanos, ortodoxos e muito mais robustos. “The Cell” segue com excelentes ranhuras na guitarra e uma poderosa percussão. A entrega vocal desta faixa é igualmente gratificante e assustadora. Os versos flutuantes e o empolgante refrão, com seu amplos acordes e gritos poderosos, formaram uma ótima combinação.

“Stranded”, lançada como segundo single, é talvez a faixa mais radio-friendly que o Gojira já lançou. Uma canção relativamente simples, com riffs memoráveis e um refrão extremamente contagiante. O crocante riff introdutório, com efeitos de guitarras, é naturalmente cativante. Tanto o riff de guitarra quanto os versos fazem qualquer ouvinte balançar a cabeça. Enquanto o simples refrão faz o trabalho de cativar, um interlúdio maravilhosamente atmosférico completa a canção. Uma boa guitarra e um padrão de bateria introduzem a faixa instrumental “Yellow Stone”. É uma parte mais calma do álbum que, praticamente, serve de introdução para a faixa-título “Magma”. É uma pista que conta com algumas notas de emoção e introspecção, mas que oferece pouco como uma canção individual. “Magma”, por sua vez, é um pouco enganosa, pois começa com um típico riff do Gojira, mas, em seguida, torna-se em algo bem diferente. Essa música estende-se por quase sete minutos de duração, com grande trabalho na guitarra e vocais melódicos. É uma pista quase assustadora em sua totalidade, que mostra um lado mais atmosférico e espiritual da banda. Claro que esse não seria um verdadeiro álbum do Gojira se não tivesse riffs que desmoronam tudo. As próximas duas músicas, “Pray” e “Only Pain”, são realmente bem pesadas e agressivas. “Pray” começa com percussões e flautas, o que nos dá a sensação de estar em alguma floresta tropical. Em seguida, a guitarra entra com um enorme poder e suporta todo o fundo misterioso. O refrão é completamente assustador e uma das partes mais pesadas de todo o álbum.

“Only Pain” começa com um consistente riff de guitarra com efeito semelhante ao de “Stranded”. Uma canção muito bem estruturada, com versos baseados na guitarra e efeitos atmosféricos. A penúltima faixa, “Low Lands”, é um número lento com alguns momentos de suspense. Ela começa com arranjos instrumentais e a voz de Joe apoiada por alguns sintetizadores. No ponto médio da música, o ritmo se divide enquanto os riffs e ritmos permanecem os mesmos. O humor da trilha fica mais pesado quando aproxima-se da parte final, com poderosos gritos de Joe e um pouco mais de adrenalina. O disco fecha com uma nota mais sombria, intitulada “Liberation”, que destaca as tendências mais tribais do Gojira. Um número instrumental acústico, esparso e discreto, que fornece um final mais tranquilo e pacífico. Ao buscar uma sensação de paz, a banda opta por utilizar uma suave percussão e violão. As guitarras, bateria e vozes estão no ponto nesse disco. Cada arranjo pode ser ouvido de forma detalhada, dando ao registro um toque mais espirituoso. Em pouco mais de 43 minutos, “Magma” é o seu LP mais curto e conciso até à data. É um pouco diferente de álbuns anteriores, pois é mais emocional e atmosférico. Do começo ao fim, o registro transpira uma convicção genuína, resultando em algumas das canções mais pesadas e bem escritas do Gojira. Discos anteriores da banda possuíam elementos melódicos e progressistas. No “Magma”, por outro lado, Gojira mantém-se mais na vanguarda. Além disso, eles aventuram-se num território emocionalmente pesado, tanto sonoramente quanto liricamente. É um registro muito dinâmico, desempenhado por movimentos rápidos e violentos, e outras vezes lentos e suaves.

76

Favorite Tracks: “Silvera”, “Stranded” e “Magma”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.