Resenha: Gerard Way – Hesitant Alien

Lançamento: 29/09/2014
Gênero: Rock Alternativo, Punk Rock, Britpop
Gravadora: Warner Bros. Record
Produtores: Doug McKean.

O ex-vocalista do My Chemical Romance, Gerard Way, lançou o seu primeiro álbum solo em 30 de setembro de 2014. Intitulado “Hesitant Alien”, o disco foi lançado pela gravadora Warner Records e produzido por Doug McKean. Gerard Way foi o co-fundador do My Chemical Romance, que permaneceu em atividade de setembro de 2001 até à sua dissolução em março de 2013. Para a divulgação do disco, Way montou uma banda composta por seletos músicos que contribuíram para o álbum e os chamou de “The Hormones”. Se lançar em carreira solo, após ter feito parte de uma grande banda, não é uma tarefa tão fácil. Uma das partes mais difíceis é se desapegar completamente do seu trabalho anterior e, principalmente, convencer os fãs que a banda não existe mais. Nesse novo projeto, Gerard Way está apontando para um público mais velho: “Eu estaria mentindo se eu dissesse que não queria a aceitação das pessoas da minha idade”, disse o cantor, atualmente com 37 anos, à revista britânica New Music Express. Para o “Hesitant Alien”, Way adotou uma estética influenciada por seus artistas favoritos, como David Bowie, Pixies e The Smiths. As 11 faixas são fortes, sólidas, centradas nas guitarras e, surpreendentemente, cheias de melodias britpop.

O cantor conseguiu ser bem sucedido em sua reinvenção e cometeu pouquíssimos erros. O processo começa com “The Bureau”, faixa que apresenta riff pesados e vocais distorcidos que transmitem uma grande sensação de ameaça. Uma música agressiva, que conseguiu evocar a sonoridade de bandas como Smashing Pumpkins, Suede e várias outras dos anos 1990. “Action Cat”, primeira música lançado do álbum, é uma representação perfeita da sonoridade que Gerard Way está seguindo. É uma canção brilhante, que filtra as teatralidades utilizadas no disco “The Black Parade”, além de possuir uma linha de baixo incrivelmente mágica. O segundo single, “No Shows”, segue o mesmo exemplo da faixa anterior, com vocais de apoio nos remetendo a algumas sonoridades do final dos anos 80 e início dos anos 90. O piano da balada “Brother” possui uma sensação britpop muito gostosa e auxilia na construção de uma música reflexiva sobre o seu passado. A quinta faixa, “Millions”, é outra muito cativante que apresenta influências dos anos 1960 e prova que Gerard Way também pode fazer uma boa música pop.

Gerard Way

A sua letra é mais abstrata que as demais (Vamos inventar tudo e acordar respirando / Não dou a mínima para a bagunça em que você vive), e o vocal do cantor está ainda mais cheio de energia. O álbum ostenta, mais uma vez, com um número de rock furioso quando chega na faixa “Zero Zero”. Um baixo pesado ronda a canção, enquanto a mesma é dominada pelos vocais distorcidos de Gerard. Outra pista furiosa é “Juarez”, onde Way utilizou uma maré de guitarras e sintetizadores. É uma faixa bem trabalhada, assim como as demais, entretanto, em alguns momentos, soa deslocada e confusa. Por outro lado, “Drugstore Perfume” é um verdadeiro hino e um dos grandes destaques do disco. O pandeiro nebuloso, os tambores e os tons agradáveis, funcionaram perfeitamente bem em harmonia com os vocais do cantor, que estão em uma outra textura. “Get the Gang Together”, uma possível inspiração em David Bowie, é outra boa canção que oferece um riff pesado, saxofone e uma dose necessária de glam rock. A majestosa “How It’s Going To Be” também impressiona e prova o quanto Gerard Way é um compositor talentoso. Pode-se dizer que é uma bela exibição de sua capacidade lírica.

O número de encerramento, “Maya the Psychic”, é repleto de energia e discute sobre um personagem clarividente que vê sua capacidade como um traço de personalidade (“Se ceder é inútil depois de sair da cama ou este pode ser o fim”). “Hesitant Alien” é um registro bem original, onde as referências de outros artistas são utilizadas como um reflexo energético de todos os seus objetivos artísticos. Um álbum com uma quantidade considerável de charme e notável crescimento, se comparado à algumas músicas do My Chemical Romance. Não vamos negar que a primeira metade do disco é muito mais promissora que a segunda, mas, em um contexto geral, o saldo é todo positivo. Tal como a maioria dos projetos de Way, “Hesitant Alien” exala um som sofisticado e um design inteligente que avança em um novo território, mas mantém as melhores partes de suas composições dramáticas. O cantor nunca teve medo de fazer as coisas à sua maneira e, trazer um material carregado de britpop em um momento que o gênero não está em alta, foi um movimento ousado. Na sua essência, é um disco revestido por uma produção pesada, distorcida e muito semelhante as suas maiores influências musicais.

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Favorite Tracks: “Action Cat”, “No Shows”, “Millions”, “Drugstore Perfume” e  “How It’s Going To Be”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.