Resenha: Gavin DeGraw – Something Worth Saving

Lançamento: 09/09/2016
Gênero: Pop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Dave Bassett, Johan Carlsson, John Shanks, Butch Walker, Gregg Wattenberg e Ricky Reed.

Já se passaram três anos desde que Gavin DeGraw lançou o álbum “Make a Move”. Os fãs logo perceberam que o tempo passou quando o cantor divulgou o seu mais recente disco, intitulado “Something Worth Saving”. De baladas para um som mais decididamente pop, o talento de DeGraw está em plena exibição aqui. É interessante acompanhar um artista crescer à medida que desenvolve seu som. O cantor americano chegou à fama com o single “I Don’t Want to Be” do seu disco de estreia, que tornou-se a música-tema da série Lances da Vida. Mais tarde, conseguiu um hit top 20 com o cativante pop-rock de “Not Over You”. Agora, com “Something Worth Saving”, ele continua apresentando um som consistente, misturando elementos de pop e soul como sempre fez. Portanto, não é surpreendente dizer que esse LP é bastante familiar para Gavin DeGraw. Não seria difícil dividir a sua carreira musical em duas metades, pois primeiro tivemos um cantor acompanhado por um piano e violão. Ele escrevia suas músicas sozinho, com uma honestidade simplista e encantadora. A segunda metade pode ser descrita como aquela onde ele tornou-se mais expansivo, conforme começou a escrever com outros co-autores. Sua produção cresceu e as músicas tornaram-se mais variadas.

O álbum “Sweeter” o introduziu a um novo tom, mas ainda possuía aquela familiaridade que os fãs de longa data já conheciam. “Something Worth Saving”, por sua vez, é o seu álbum mais equilibrado e consistente. A instrumentação está mais rica e dinâmica, com a incorporação de bandolins, cavaquinhos, trompetes e trompas. Há apenas um par de baladas de piano, conforme Gavin optou por expandir-se e experimentar novas coisas. Ele tentou, habilmente, equilibrar-se entre faixas emocionais e divertidas. O álbum começa com o seu primeiro single “She Sets the City on Fire”, uma canção cativante que ganhou atenção de algumas estações de rádio. Como seria de se esperar, essa música é alimentada por um som pop e soul bastante otimista. Um delicado piano introduz a canção e, logo na primeira audição, soa bastante pop e energética. Por ser a faixa de abertura, “She Sets the City on Fire” prepara o ouvinte para o que está por vir. A próxima música, “You Make My Heart Sing Louder”, tem um som oposto do que ouvimos no ato de abertura. Em vez de otimista, ela é uma canção mais escura e ousada. Possui uma vibração soulful e nos lembra algumas canções do seu último disco. O repertório continua explorando novos sons, conforme ouvimos uma mistura de rock e pop na faixa “Kite Like Girl”. DeGraw lançou essa canção antes do álbum completo, a fim de nos dar um gosto do que estava por vir.

Os seus vocais estão inofensivos e arejados, assim como o refrão fica melhor a cada nova escuta. A quarta faixa, “Making Love with the Radio On”, é muito descontraída e sensual, principalmente pela inclusão de trompetes e ukulele. É uma boa mistura de pop, rock e reggae, que faz você querer cantar junto. Floreios instrumentais ainda dão à música uma textura muito dinâmica. Em seguida, temos uma balada intitulada “Harder to Believe”, que começa com um suave piano e algumas cordas. Dessa vez, Gavin canta intensamente no refrão e consegue erguer a música de uma maneira diferente. “Say I Am” é outra sincera balada conduzida pelo piano e situada no estilo original de DeGraw. Embora possua sua honestidade e simplicidade de assinatura, sua batida lhe dá uma sensação mais forte. As coisa ficam ainda melhores com a influência rock de “How Lucky Can a Man Get”. Se você gosta de uma vibe rock com uma pitada de reggae, essa canção certamente vai lhe agradar. As letras não são grandes coisas, mas os instrumentos utilizados roubam a cena. “How Lucky Can a Man Get” possui uma pequena amostra de trompas que definitivamente lhe permite brilhar. Esses instrumentos de metais e a borda mais áspera, proporcionam uma grande diversão para o ouvinte. Outra inesperada surpresa acontece na faixa “New Love”, um número funky muito energético.

O seu pop mais modernizado é tão agradável quanto as melhores músicas da primeira metade do álbum. DeGraw assume um toque mais urbano e soulful aqui, conforme aborda uma ex-namorada que lhe quer de volta. “Annalee” também funciona bem ao assumir um toque retrô familiarizado com a década de 60. Ela tem uma batida saltitante, colocada ao lado de handclaps, que soa muito agradável. Apesar da vibe alegre não é uma canção romântica. A voz ligeiramente rouca de DeGraw ainda lhe dá uma sensação encantadora. A faixa-título, “Something Worth Saving”, realmente merece ser o conceito por trás de todo o álbum. Em vez de instrumentos em camadas, Gavin DeGraw optar por mostrar mais dos seus vocais. Ele expõe sua vulnerabilidade conforme a música começa como uma lenta balada de piano. Bandolins e exuberantes cordas ainda adicionam uma maior textura. Gradualmente, ela cresce a partir do segundo verso e termina o álbum com uma nota emocional. No geral, este é um dos álbuns mais diversificados que já ouvimos de Gavin DeGraw. Um disco sólido que explora diferentes texturas sonoras, mas ainda mantendo um ar emocionante e profundo. Aqueles que procuram um modelo familiar de DeGraw também vai se sentir feliz com o resultado. Como uma coleção completa, “Something Worth Saving” é uma adição decente para sua discografia.

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Favorite Tracks: “She Sets the City On Fire”, “Making Love With the Radio On”, “Say I Am”, “How Lucky Can a Man Get” e “Something Worth Saving”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.