Resenha: Garbage – Strange Little Birds

Lançamento: 10/06/2016
Gênero: Rock Alternativo, Rock Eletrônico, Rock Industrial
Gravadora: Stunvolume
Produtores: Garbage, Billy Bush e Steve Marker.

Há mais de 20 anos, exatamente em 1995, o auto-intitulado disco do Garbage foi lançado para aclamação da crítica. Nele havia alguns hits conhecidos, tais como “Stupid Girl”, “Queer” e “Only Happy When It Rains”. Quatro anos depois de lançar o monótomo “Not Your Kind of People”, a banda americana-escocesa está de volta com um som que regressa para meados dos anos 90. “Strange Little Birds” é o sexto álbum de estúdio da banda formada por Shirley Manson, Duke Erikson, Steve Marker e Butch Vig. É o segundo lançamento independente da banda, divulgado através de sua própria gravadora, Stunvolume. Garbage é uma das bandas mais ousadas dos anos 90 e uma das forças mais imprevisíveis do rock.

Enquanto “Strange Little Birds” não alcança o potencial de discos como “Garbage” ou “Version 2.0”, ele ainda tem muita coisa decente para oferecer. O som da banda permanece no rock alterantivo e hard rock infundido com elementos eletrônicos. No entanto, nesse novo registro, eles tentaram algumas coisas novas, como seções relaxantes e faixas mais instrumentais. Shirley Manson é um ídolo para muitas cantoras de rock e, felizmente, sua voz amadureceu muito bem. Sobre o álbum, ela disse: “Para mim, este registro, curiosamente, tem mais a ver com o primeiro do que qualquer um dos álbuns anteriores”. Depois que você ouve todas as 11 faixas do “Strange Little Birds”, você realmente pode concordar com ela. É um álbum sólido, viciante e muito envolvente.

É um disco um pouco mais escuro e experimental no tom do que álbuns anteriores, porém, ainda inclina-se para uma estrutura melódica acessível. Garbage foi formado em Madison, Wisconsin, em 1994, depois que Butch Vig ganhou atenção internacional por produzir o disco mais vendido do Nirvana, o “Nevermind”. Vig passou a fazer misturas alternativas para bandas como Nine Inch Nails, U2 e Depeche Mode, com seus colegas Duke Erikson e Steve Marker. Depois de concordarem em querer uma vocalista que tinha coisas em comum com Chrissie Hynde ou Patti Smith, eles convidaram Shirley Manson para fazer um teste, após vê-la em turnê com a banda Angelfish. Butch Vig é, sem dúvida, um dos melhores produtores de sua geração.

garbage

Mesmo após tanto tempo, ele conseguiu manter a reputação do Garbage intacta. Shirley Manson, Butch Vig, Duke Erikson e Steve Marker continuam criando excelentes coisas para seus fãs e, neste caso, “Strange Little Birds” faz exatamente isso. Ainda há um sentido excessivamente romântico e dramático em suas letras. Com sintetizadores, sequenciadores e tons industriais, eles construíram um álbum em potencial. O LP abre com a assustadora e temperamental “Sometimes”. Essa canção realmente define o tom para os sentimentos que você está prestes a presenciar na totalidade do álbum. Há uma certa influência de Gary Numan e Nine Inch Nails aqui, com Manson cantando sobre um pulsante ritmo industrial. O rock alternativo do primeiro single, “Empty”, destaca-se como a melhor e mais acessível canção do registro.

É agressiva, áspera e muito cativante. É uma música que consegue chegar perto das glórias do passado da banda. “Empty” proporciona uma sólida introdução na guitarra e um sulco ligeiramente futurista. É um dos melhores singles que a banda já lançou, desde os dias de “Version 2.0”. Enquanto isso, “Blackout” é tão relacionável que acaba caindo num território familiar para o Garbage. Sua atitude otimista é fascinante, algo firmado quando Manson canta: “Saia de sua cabeça, saia de sua cabeça / Tente não pensar, seja legal, acalme-se, seja falso / Silencie-se, entorpeça-se / Finja até fazer quebrar / Faça o mundo apagar”. “If I Lost You” é uma das faixas mais suaves, embora isso não signifique que seja vazia.

Muito pelo contrário, sua produção garante algo para realmente concentrar-se. A bela “Even Though Our Love Is Doomed” continua com um tema de inserção, através de uma vibe arrepiante e maravilhosa. Manson está na sua melhor entrega vocal quando sussurra e canta as letras. “So We Can Stay Alive” é uma combinação inteligente do novo e antigo Garbage. É uma canção que inspira-se no passado, mas respirando uma nova paisagem sonora. Seu clímax é violento e inteiramente emocionante. “Amends” fecha o álbum com algo verdadeiramente atraente. É uma música que consegue prender o ouvinte desde a primeira até a última nota. Pode ser equivocado dizer, mas o “Strange Little Birds” é, provavelmente, o melhor trabalho do Garbage nos últimos 10 anos.

74

Favorite Tracks: “Empty”, “Blackout”, “Even Though Our Love Is Doomed”, “We Never Tell” e “So We Can Stay Alive”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.