Resenha: Gallant – Ology

Lançamento: 06/04/2016
Gênero: R&B Alternativo
Gravadora: Mind of a Genius / Warner Bros. Records
Produtores: STiNT, Yannuck Häzel Beaucaine, Ebrahim Lakhani, Maths Time Joy e Adrian Younge.

Christopher Gallant é um cantor americano contratado da gravadora Mind of a Genius. Em 06 de abril de 2016, ele lançou o seu primeiro álbum de estúdio, chamado de “Ology”. O disco foi muito bem recebido pela crítica, principalmente por causa de suas composições e técnica vocal. É formado por 16 dinâmicas e suaves faixas, que provam sua capacidade artística dentro do R&B alternativo. Embora alguns aspectos instrumentais soem repetitivos, seus vocais são apaixonantes e as letras bem refinadas. Quando o seu EP “Zebra” foi apresentado em 2014, ficou bastante claro que Gallant é um cantor talentoso. Seu som é basicamente uma mistura de R&B com batidas enigmáticas, camadas eletrônicas e sintetizadores. No geral, suas letras exploram os altos e baixos da emoção humana. Através de letras pensativas, Gallant tenta mostrar sua compreensão a respeito dos desejos humanos. A sua música encaixa-se no gênero R&B alternativo, algo que está lentamente tornando-se comum na música americana. O som do “Ology” escava profundamente suas influências, que vão desde o R&B tradicional até a música eletrônica. O álbum emprega os mesmos elementos estilísticos incorporados no EP “Zebra”. Mas, o que faz esse registro soar diferente, são alguns dos seus aspectos líricos e sonoros. Um dos pontos mais fortes de Gallant é a sua capacidade de escrever canções que se complementam. Isso forma uma verdadeira espinha dorsal que ele pode moldar a sua maneira. Mesmo com 16 canções, “Ology” não se torna um fardo para o ouvinte.

Tal como esperado, sua voz continua sendo sua melhor arma e, apesar das semelhanças com Frank Ocean, o disco prova que Gallant é único. No álbum sua voz leva o ouvinte para uma viagem através de suas inseguranças mais profundas. Igualmente aos seus vocais, o lirismo também lhe permite destacar-se. O repertório começa com um tom dramático durante a atmosférica “First”. Em seguida, “Talking To Myself” utiliza amostras de piano, órgão e metais para criar um grande número. A terceira faixa, “Shotgun”, é uma de suas mais acentuadas canções. Ela possui uma base orquestral, um belo piano e impressionantes instrumentos de metais. Além disso, “Shotgun” ainda mostra seu talento para letras poéticas. Em seguida, Gallant mostra sua voz de peito, versos melódicos e um mix de sons acústicos e eletrônicos durante “Bourbon”. Para quem gosta do seu conteúdo lírico, recomendo escutar “Bone + Tissue”“Counting” e “Percogesic”, algumas de suas canções mais liricamente profundas. O que torna Gallant ainda mais talentoso é sua capacidade para escrever excelentes versos e refrões. Às vezes em “Oh, Universe”, “Weight In Gold” e “Chandra”, ele revela um lado mais suave e vulnerável, furando o gênero através de vocais esparsos repletos de paixão. “Chandra”, em especial, é uma balada emocional que volta para o estilo orquestral de “Shotgun”. Ela contém tons sombrios, belas cordas e metais edificantes. “Ology” também possui tons de dance-pop e disco, como podemos ouvir na ótima “Episode”.

Seu baixo funky conduz a melodia principal, conforme os outros instrumentos contribuem para formar uma vibe retrô. Da mesma forma, modernos sintetizadores e algumas influências oitentistas são exploradas em “Open Up”. Apesar de diferentes elementos sonoros serem incorporados, a sua voz consegue manter o álbum coeso. Seu impressionante falsete, muitas vezes, é o responsável por adicionar as devidas emoções em cada canção. Mais tarde, ele traz elegantes vibrações de R&B na faixa “Miyazaki”. Aqui, sintetizadores preguiçosos permeiam ao fundo, enquanto sua voz sensual flutua sobre as letras. “Ology” também nos dá uma versão atualizada e amplificada de “Jupiter Greyscale”, faixa do EP “Zebra”. No entanto, aqui ela é chamada simplesmente de “Jupiter”. Este é talvez o maior clímax do registro, baseado no mais alto falsete de Gallant. “Skipping Stones”, um número colaborativo entre Gallant e Jhené Aiko, concede boas vibrações jazz. Aiko fornece tons suaves e macios, muito necessários para complementar a paixão vocal de Gallant. No final, temos uma transição de belas cordas para “Last”, um interlúdio de 31 segundos que finaliza o álbum. “Zebra” foi uma grande introdução para Gallant, mas “Ology” é certamente um material mais forte. Grande parte do álbum soa semelhante, mas ele claramente possui esse objetivo. As músicas são magistralmente sequenciadas com o intuito de levar o ouvinte para uma viagem cheia de altos e baixos. Gallant foi capaz de reunir um grupo de canções dignas, que conseguiram formar um repertório coeso. Em suma, “Ology” é um grande e interessante álbum de R&B alternativo.

76

Favorite Tracks: “Talking to Myself”, “Shotgun”, “Bourbon”, “Weight in Gold”, “Episode” e “Open Up”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.