Resenha: Future & Young Thug – SUPER SLIMEY

Lançamento: 20/10/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Epic Records / 300 Entertainment / Atlantic Records
Produtores: BLSSD, Chef, DY, Fuse, London on da Track, Mike Will Made It, Pluss, Rex Kudo, Richie Souf, Southside, Tre Pounds, TM88, Wheezy e Will-A-Fool.

Inesperadamente, dois rappers influentes de Atlanta, Future e Young Thug, resolveram lançar uma mixtape colaborativa chamada “SUPER SLIMEY”. O projeto empilhado com treze faixas foi lançado na sequência de “HNDRXX” (Future) e “Young Martha” (Young Thug). Ambos rappers iniciaram fortemente na indústria e, posteriormente, mostraram alguns sinais de desaceleração. De qualquer forma, tanto Future quanto Young Thug, continuam lançando novos projetos ano após ano. Eles já mostraram alguma química na faixa “Who” do DJ Esco, mas não o suficiente para garantir um registro completo. Mas, apesar do estilo de Drake e Future serem diferentes, eles conseguiram criar um ótimo terreno no “What a Time to Be Alive” (2015). Portanto, uma vez que Future e Young Thug são provenientes de Atlanta, um território dominado pelo trap, faz sentido que eles lancem um projeto colaborativo. No geral, embora “SUPER SLIMEY” não seja uma mixtape inovadora, há muitos bangers valiosos dentro dela. Eles não perdem tempo e iniciam o repertório com “No Cap”, uma faixa de grande energia. Future define o tom com o seu tom agressivo sobre o instrumental de Southside. Young Thug tem a chance de dizer algo em seu verso, mas Future realmente consegue se sobressair. As cordas da guitarra certamente foram um excelente complemento para Future ditar o ritmo. Em seguida, Young Thug, sempre distinto e intenso com toda a sua idiossincrasia, leva às rédeas em “Three”, outra faixa feroz e de alta energia. Em “All da Smoke”, Thug e Future estão dispostos a serem controversos.

Um banger com um instrumental obscuro, produção mid-tempo e vocais cristalizados. É a primeira faixa que cruza a marca de três minutos de duração. Aqui, após uma introdução de Young Thug, Future fica responsável pelo primeiro verso. Na quarta faixa, “200”, Thug lida novamente com a introdução e tenta ser mais melódico. Ele também fica a cargo do refrão, especificando exatamente o que ele possui. Na verdade, os dois rappers se gabam do número de mulheres e diamantes que possuem. A produção trap de “Cruise Ship” é inteiramente conduzida por Thug, enquanto “Patek Water” contém a participação de Offset. Até aqui, Future está sendo mais bem sucedido nas melodias e refrões, além das músicas lideradas por ele serem melhores. “Patek Water” é facilmente uma das mais cativantes do registro, especialmente pelo refrão composto principalmente por Future. Em “Feed Me Dope”, Thug tira uma pausa e deixa Future a frente de toda a produção. É uma faixa sólida que poderia facilmente estar presente no auto-intitulado álbum que ele lançou esse ano. É uma música respeitável e convincente, embora seja bastante familiar. “Drip on Me” possui um verso sólido e ágil de Young Thug, apesar de não ser nada impressionante. É uma canção decente e mais relaxada, reminiscente do álbum “HNDRXX” (2017) de Future. Mais uma vez, ele fornece um verso de assinatura e refrão exageradamente grosseiro. “Aposto que ela ama / Eu aposto que ela ama (…) / Todo esse falso amor me deixou danificado”, Young Thug diz em “Real Love”.

Uma maneira inteligente e sarcástica que ele achou para dizer que “as mulheres só nos querem porque somos ricos”. De qualquer maneira, Thug e Future conseguiram desencadear alguma emoção nesta faixa. Uma canção interessante e romântica, mesmo mantendo a inclinação escura de toda mixtape. “4 da Gang”, outra faixa solo de Future, nos faz perguntar qual o tamanho da química entre ele e Young Thug. Infelizmente, esta faixa é completamente previsível. Na exuberante “Killed Before”, Young Thug junta-se ao produtor London on da Track. Possui uma batida ensolarada e vocais incrivelmente vibrantes. O trabalho de produção é contemporâneo, soulful e contém uma natureza melódica que funciona muito bem. Mais tarde, ambos aparecem na faixa “Mink Flow”, que possui algumas ad-libs de Thug sobre a voz de Future. Musicalmente, esta é uma das canções mais coesas do repertório. Em comparação com as demais, possui uma produção trap mais tradicional e sons orientais ao fundo. Em “Group Home”, a faixa mais longa do registro, a voz de Future está tão raspada que parece que ele vai perdê-la. Sua voz soa realmente estranha aqui, mesmo o verso sendo ameaçador. “SUPER SLIMEY” é uma mixtape um pouco excêntrica, especialmente por Young Thug liderar algumas faixas. Há um charme e vibração atraente em seu interior, além de alguns poderosos bangers. Depois de algumas escutas, “SUPER SLIMEY” possui mais sentido, principalmente por apresentar duas das vozes mais idiossincráticas do hip-hop. Em suma, mesmo pecando pela falta de coesão, é um trabalho sólido com algumas boas faixas infundidas pelo R&B.

Favorite Tracks: “No Cap”, “Patek Water (feat. Offset)” e “Mink Flow”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.