Resenha: Future Islands – The Far Field

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Synthpop, New Wave, Indie Pop
Gravadora: 4AD
Produtor: John Congleton.

No papel, Future Islands poderia não ter sucesso, visto que é um grupo sem muito sentido. Uma banda que usa sons de sintetizadores dos anos 80 e quase nenhuma guitarra à frente. Entretanto, com o lançamento do álbum “Singles” (2014), Future Islands tornou-se uma das bandas mais interessantes dos últimos anos. Aparentemente, eles surgiram do nada e ganharam instantaneamente um alto nível de popularidade e credibilidade. Depois de uma década de trabalho árduo, aperfeiçoando-se ao longo de três álbuns, Future Islands chegou à fama em 2014. Antes disso, a banda era relativamente desconhecida. O grupo conta com a entrega descarada e vulnerabilidade de Samuel T. Herring, em conjunto com sons de sintetizadores e bases incrivelmente dançantes. Future Islands não tem medo de mergulhar nas emoções humanas e buscar consolo nos ombros de alguns sintetizadores atmosféricos. O seu novo álbum de estúdio, “The Far Field”, é uma coleção sombria da imensa transformação do trio de Baltimore, Maryland.

Uma coleção diversificada que exemplifica a versatilidade do grupo, tanto liricamente quanto instrumentalmente. Tudo aqui é interligado pela voz dolorosamente emotiva de Herring e o cativante estilo synthpop da banda. A maravilhosa combinação do teclado e sintetizador de Gerrit Welmers, o implacável baixo de William Cashion e os vocais de Herring criaram uma entrega incrivelmente teatral e expansiva. A união dessas três forças pode ser comprovada através de uma cativante experiência auditiva. Tudo isso, juntamente com a adição da bateria ao vivo de Michael Lowry, produção de John Congleton, arranjos de cordas de Patrick McMinn, dá ao registro uma paisagem sonora opulente e encantadora. Gravado no Sunset Sound em Hollywood, Califórnia, “The Far Field” é o primeiro material da banda a possuir tambores ao vivo e completos arranjos de cordas. Este álbum é, portanto, o trabalho de uma banda que encontra-se num território relativamente desconhecido. Entretanto, a resposta para tudo isso, é Future Islands fazendo o que sabe fazer de melhor: música synthpop em potencial. 

Toda magia do álbum é imediatamente reconhecida pelo crescimento de “Time On Her Side”, um exemplo perfeito da progressão emocional e bruta da Future Islands. Esta canção é um testemunho da beleza e compreensão profunda das letras da banda. Falando sobre um amor perdido, a canção é guiada por um suporte de sintetizador e fortes linhas de baixo. O primeiro single, “Ran”, possui os mais épicos sentimentos do álbum. Uma música sobre o amor e a estrada que todos devemos percorrer para entender o seu significado. Outra faixa de destaque, “Shadows”, vê a banda fazendo um dueto com Debbie Harry (vocalista da Blondie). A voz de Harry, com sua natureza descontraída, foi uma ótima contribuição para equilibrar a entrega dramática de Herring. Três anos depois de serem catapultados para a fama, Future Islands mostra a sua capacidade de proporcionar emoção e autenticidade dentro de um som synthpop estruturado. Em última análise, “The Far Field” é polido, coesivo, ainda diversificado, evita o clichê, é bem moldado, auto-contido e instantaneamente reconhecível.

Favorite Tracks: “Time on Her Side”, “Ran” e “Shadows (feat. Debbie Harry)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.