Resenha: Future – Honest

Lançamento: 22/04/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Epic Records
Produtores: Mike Will Made It, Rocko, Boi-1da, DJ Spinz, Detail, Katalyst, J-Bo, Metro Boomin, Mr. DJ, The Runners, Sonny Digital, Southside, TM88, Nard & B, P-Nasty, soFLY & Nius e Organized Noise.

O rapper Future lançou em abril de 2014 o álbum “Honest”, que conta com participações de Pharrell Williams, Pusha T, Wiz Khalifa, Casino, André 3000, Young Scooter, Kanye West e Lil’ Wayne. O álbum estreou em #2 na Billboard 200, com vendas na primeira semana de 53 mil cópias nos Estados Unidos. Ao todo, sua versão padrão é composta por 12 faixas e tem Mike Will Made It como produtor da maioria. Nota-se uma evolução com esse álbum referente ao seu antecessor, “Pluto”, lançado em 2012. Future tem um rapper convincente, com um contexto emocional e demonstra bastante auto-confiança em suas letras. É um disco bem agradável que mergulha várias vezes em temas ambiciosos. Future, com o seu vocal arranhado e energético, também nos proporcionou uma boa evolução, sem dúvida sua voz continua sendo um ponto muito marcante.

E o álbum começa bem forte com Future esbanjando confiança a plenos pulmões em “Look Ahead” e “T-Shirt”. A primeira possui uma batida que é um retrabalho sútil de “Dougou Badia” de Amadou & Mariam. A produção dessa é brilhante, mas liricamente é um pouco fraca. Enquanto a última, “T-Shirt”, tem uma letra que faz referências aos aspectos mais superficiais da vida, como dinheiro, roupas e carros. A produção obscura foi uma excelente forma usada para representar tal materialismo. O primeiro single foi “Move That Dope”, uma faixa que lembra muito os versos e a sonoridade de “Clique”, do álbum “Cruel Summer” da G.O.O.D. Music. Aqui, temos uma grande carga de profundidade sendo cuspida, com versos exemplares de Future, bem como de todos os seus três colegas de elenco: Pharrell, Pusha T e Casino. A letra trata basicamente do tráfico de drogas feito por jovens e a canção como um todo, é o destaque do registro.

“My Momma”, com participação de Wiz Khalifa, possui um som peculiar, intenso e traz uma voz gritando no refrão. A parte mais intrigante desse faixa aparece no primeiro verso, onde Future usa duras palavras para o seu pai. A faixa-título, “Honest”, é uma canção respeitável, porém, não chega a ser um destaque, o que faz ela passar um pouco despercebida. Possui uma premissa simples, com Future sendo durante todos os versos, apenas um cara honesto, como o próprio título sugere. Em “I Won” temos a colaboração do majestoso Kanye West, uma boa faixa onde Future faz uma declaração de amor à Ciara. Ele basicamente faz uma alusão transmitindo a ideia de que ela é seu troféu de campeão. Apesar de ser uma péssima metáfora, percebemos que Future canta com muita intensidade, conseguindo transmitir sinceridade em uma produção leve e melódica. Em “Never Satisfied”, com participação de Drake, um dos melhores rappers da atualidade, temos um esboço incompleto de algo surpreendente e apaixonante, foi um desperdício essa faixa ter menos de 2 minutos de duração.

Future

“I Be U” traz emoção em uma canção romântica que, para mim, é a mais comovente do álbum: “I’m naked, you naked / And neither one of us tryna look for a blanket”. Em “Covered n Money” ouvimos um vocal frenético e uma canção mais agressiva. Uma faixa sombria e com um desempenho matador, que combinou bem com a maliciosa produção de Sonny Digital. Os versos relaxados e calmos de “Special” são acompanhados de guitarras e provocações para uma ex-namorada que não conseguiria lidar com a fama. O carisma de Young Scooter conseguiu deixar a música ainda mais dinâmica. “Benz Friendz (Whatchutola)”, apesar de não ser tão empolgante, possui uma boa execução e traz a excêntrica participação do veterano André 3000 do Outkast. “Blood, Sweat, Tears”, por sua vez, fecha o álbum de forma particularmente emocional e traz, provavelmente, a melhor exibição vocal de Future até o momento.

O refrão é contagiante e a excelente produção é impulsionada por grandes tambores. O rapper demonstrou o principal tema do disco em uma canção realmente apropriada para encerrá-lo: “I came, I struggled, I made it, I conquered”. As seis faixas bônus da versão deluxe causam um pouco de confusão. “Big Rube Speaks” possui apenas falas, “Side Effects” aparenta ser apenas uma sobra que foi reaproveitada do seu primeiro álbum e “I’ll Be Yours” soa como uma reformulação de “I Be U”. As outras três são “How Can I Not”, com Young Scooter, “Shit” e “Karate Chop (Remix)” com o rapper Lil’ Wayne. Essa última talvez seria a única com potencial para estar na versão padrão, pois mesmo com a polêmica que envolveu os versos de Lil’ Wayne, possui uma boa batida impulsionada pelo produtor prodígio Metro Boomin. “Honest” surgiu com a autoconfiança de um artista que fez desse álbum um trabalho de transição e fortemente ousado.

Mesmo com a grande afinidade que Future tem pelo o auto-tune, o disco acabou sendo muito melhor do que o esperado. Ele permaneceu fiel a si mesmo e mostrou claramente onde está, sustentando várias vertentes durante todo o registro. Em seu álbum de estreia, Future priorizou canções sinceras de amor e estrondosas batidas como em suas mixtapes. Uma aposta que valeu a pena com várias músicas em potencial, em contrapartida, nesse novo disco, ele optou em demonstrar um coração quase impenetrável. “Honest” é agradavelmente um grande feito, que ignorou alguns temas clichês que sempre encontramos em trabalhos de outros rappers. Ele fez uma produção única, canalizada pelo seu vocal melancólico que transmite um ar emocional. Em última análise, digo que no “Honest” Future usou com propriedade uma abordagem que ele mesmo popularizou.

Favorite Tracks: “Move That Dope (feat. Pharrell, Pusha T & Casino)”, “I Won (feat. Kanye West)” e “Blood, Sweat, Tears”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.